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A ilegalidade dos “Caveirões Voadores“

Sete pessoas assassinadas, entre elas dois adolescentes (Marcos Vinicius da Silva de 14 e Levi de 18) , um mototáxi atingindo por estilhaços de bala, estas foram algumas das consequências da operação policial de hoje, na Maré.

Do Redes da Mare

Foto: Reprodução/Redes da Mare

Um adolescente, não identificado até o final deste texto, permanece internado e mototaxista foi liberado. Por volta de 9h30, Conjunto Esperança, Vila do João, Vila dos Pinheiros, Pinheiro e Salsa & Merengue viviam momentos de pânico, com o início da operação conjunta da Polícia Civil e Exército. Moradores registraram em vídeos o helicóptero, apelidado de “caveirão voador”, atirando para baixo indiscriminadamente.

É importante lembrar que essa é uma prática ilegal, que a Polícia Civil vem recorrendo nas últimas operações na Maré, conforme registramos há 9 dias nas favelas da Nova Holanda e Parque União.

Hoje, o chão da favela está com muitas marcas de tiro e com restos de munição. Nas ruas da Vila dos Pinheiros e na Praça do Salsa, o cenário é aterrorizante: na B1, em um perímetro de 280m a equipe da Redes da Maré, contabilizou 59 marcas de tiro no chão. Ainda nessa região, muito próxima as escolas do Campus Maré II e Creche da Vila dos Pinheiros, registramos mais de 100 marcas de tiro do chão, deixando evidente o risco a que estavam submetidas crianças e adolescentes que se encontravam nas escolas.

Na Vila dos Pinheiros, moradores relataram que 5 jovens foram executados por agentes do Estado. Segundo informações colhidas pela equipe da Redes da Maré os policiais utilizavam luvas e teriam desfeito a cena do crime jogando os corpos dos jovens pelo segundo andar da casa onde ocorreu o crime, demonstrando a não garantia de investigação e perícia.

Por volta das 11h, policiais dificultavam a circulação de moradores na favela e a tensão ainda era muito grande. Ainda segundo relatos, casas foram arrombadas e invadidas pelos agentes do Estado mesmo sem mandado judicial, outra ilegalidade.

A equipe da Redes da Maré também entrou em contato com a Polícia Civil, mas não obteve qualquer resposta sobre a operação. Em contato com a assessoria de imprensa do Exército, esta afirmou por email que “apoia a operação da Polícia Civil logisticamente com dois veículos blindados”.

Ações como as de hoje demonstram o quanto a política de Segurança Pública, não cumpre seu papel na garantia de direitos. Ações policiais nas proximidades de escolas, uso de helicóptero blindado atirando de cima para baixo, o desprezo do Estado pelas vidas de moradores da Maré – com a execução sumária de 5 jovens – é um verdadeiro absurdo.

Porém, a Maré já se levanta. Menos de uma hora após cessar os confrontos, moradores da Maré, Associações de Moradores e a equipe da Redes da Maré sinalizavam com tinta ( como o trabalho da perícia) contabilizando os tiros dados pelo “caveirão voador”. Uma moradora falava em alto e bom som: “Se eles vem aqui nos matar e não fazem perícia, nós temos que fazer”. Outros movimentos e manifestações contra a barbárie desse dia 20 de junho, estão sendo planejadas por moradores.

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