sexta-feira, novembro 26, 2021
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Itaú Cultural Play estreia mostra dedicada ao cineasta Zózimo Bulbul

Considerado um dos pioneiros do audiovisual negro no Brasil, o diretor e ator carioca Zózimo Bulbul é tema de mostra na Itaú Cultural Play. Nove títulos entram no catálogo do streaming, a maioria realizada entre as décadas de 1970 e 2010. A mostra em homenagem a Zózimo Bulbul reforça a presença do audiovisual negro na Itaú Cultural Play, que já conta com obras de Glenda Nicácio, André Novais Oliveira, Viviane Ferreira, Joel Zito Araújo, Juliana Vicente, entre outros.

A partir de 5 de novembro (sexta-feira), a Itaú Cultural Play – www.itauculturalplay.com.br –, plataforma de streaming do cinema e audiovisual brasileiro, acrescenta em seu catálogo uma mostra de filmes dedicada especialmente ao ator e diretor carioca Zózimo Bulbul (1937-2013). São nove produções realizadas por ele, com destaque para seu primeiro curta-metragem, Alma no Olho (1973), e o último deles, Renascimento Africano (2010), além da produção que marcou sua estreia como ator, Pedreira de São Diogo (1962). Considerado uma referência da cinematografia afro brasileira, Bulbul fez da história do povo negro no Brasil, principalmente do Rio de Janeiro, o seu caminho através do cinema. Ele também é conhecido por ser o primeiro ator negro a protagonizar uma novela no país, Vidas em Conflito (1969), na extinta TV Excelsior. 

Estreia 

Pedreira de São Diogo, rodado em 1962, com direção de Leon Hirszman, é o único filme da mostra na Itaú Cultural Play que não foi produzido por Bulbul, mas conta com sua participação no elenco. Considerado um marco do cinema político brasileiro dos anos 1960, o curta-metragem, produzido pelo Centro Popular de Cultura da UNE – União Nacional dos Estudantes, antecipa a utopia revolucionária do Cinema Novo através de uma história de protagonismo popular.  

Na trama, que se tornou um dos episódios do longa-metragem Cinco Vezes Favela (1962), trabalhadores colocam dinamites em um paredão de pedra e observam a explosão. Depois, o gerente da pedreira anota informações num caderno e dá ordens para que uma nova carga, bem maior do que a primeira, seja colocada. No alto do morro que forma a pedreira, veem-se barracos e pessoas. Cientes da ameaça de uma nova explosão, os trabalhadores decidem agir. 

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Alma no Olho (1973) (Foto: Divulgação)

Obra em ordem cronológica 

Na Itaú Cultural Play, pode ser conferida a filmografia de Zózimo Bullbul. O primeiro curta-metragem com sua direção, Alma no Olho (1973), é uma produção pioneira no debate sobre representatividade negra nas telas. Com trilha sonora de John Coltrane, o filme mostra retratos fragmentados do rosto, da boca e de um corpo nu como ponto de partida para uma viagem por diferentes personagens e gestualidades negras. Por elas, a história descreve a trajetória do negro desde o corpo livre mítico-escultural ao escravo acorrentado e torturado pelo colonizador branco. 

O documentário Aniceto do Império (1981) resgata a biografia desta personagem fundamental da história da cultura negra e operária carioca. Fundador da Império Serrano, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, Aniceto conta sua história pela própria voz, indicando a casa onde morou e os lugares onde viveu. A presença viva do artista-militante se completa com a imagens de shows e sambas. 

Considerado o mais importante documentário já feito no Brasil a respeito da abolição da escravidão, o longa-metragem Abolição (1998) possui um farto material de arquivo para investigar esse processo histórico, a partir de um olhar preto. Entrevistas com personalidades como Abdias do Nascimento, Lélia Gonzáles e Grande Otelo colocam em xeque as interpretações canônicas sobre o evento, contrapondo a situação da população negra 100 anos depois. 

O documentário Samba no Trem (2000) percorre com liberdade os vagões dos trens e bairros populares da capital fluminense, conversando com pessoas e captando os preparativos das rodas e o espírito democrático dos festejos. Dedicado ao samba, que é uma das maiores expressões populares brasileiras, e a seus artesãos, músicos negros, o filme acompanha os bastidores da celebração do Dia Nacional do Samba, no Rio. Sambistas afinam instrumentos, enquanto cavaquinhos e pandeiros contaminam uma multidão de dançarinos.  

Apresentado a partir de um conjunto urbano de ex-escravizados no Rio de Janeiro, Pequena África (2002) resgata a história da comunidade negra do Estado. A aglomeração de casas e as lembranças de uma senhora, filha de africanos, vão aos poucos mapeando a antiga vida do lugar. Nesta região, está a Pedra do Sal, lugar de chegada de escravizados e também um dos berços do samba. Imagens de ruas e moradias se combinam a testemunhos memorialísticos e à celebração de um patrimônio cultural inestimável. 

Debruçado sobre a história da Praça Tiradentes, local de manifestações históricas e do surgimento do samba de gafieira na capital carioca, República Tiradentes (2005) mostra edifícios, ruas e monumentos da praça. Porém, o olhar sensível de Bulbul não se restringe a essa presença física, e mergulha na vida popular, seus tipos humanos, dramas e manifestações culturais.  

Produzido em 2006, o documentário Zona Carioca do Porto, por sua vez, mergulha nas lembranças da região portuária do Rio, ponto de referência histórico para o desenvolvimento da cidade e que remete aos tempos da colonização e da vida das comunidades afro-brasileiras. O filme também mostra o trabalho dos moradores pelo reconhecimento de um espaço quilombola encravado na capital carioca. 

No mesmo ano, o filme Referências (2006) mostra a reunião de um grupo de cineastas para debater o cinema negro no Brasil, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Entre eles, estão diretores pioneiros como Haroldo Costa e Waldir Onofre, e nomes fundamentais como Antonio Pitanga e Joel Zito Araújo.  

Despretensioso como uma conversa entre amigos, trata-se de um registro sobre a participação dos artistas negros na formação do cinema brasileiro. Trechos de filmes, dentre eles o raro longa-metragem Pista de Grama, de Haroldo Costa, com a participação de João Gilberto, se unem a depoimentos, análises e memórias pessoais. 

Para concluir a mostra, também entra no catálogo Renascimento Africano (2010), o último filme produzido por Zózimo Bulbul, que viajou para o Senegal, a convite do governo local, com a proposta de retratar sua cultura e história, tão pouco conhecidas para os ocidentais.  A jornada do diretor pela jovem nação inicia-se pela Ilha de Gorée, ponto de comércio de negros escravizados, que sustentou parte da riqueza dos países europeus por mais de dois séculos.   

Ao mesmo tempo doloroso e festivo, o documentário, realizado por conta das comemorações dos 50 anos de independência do Senegal, mostra que a consciência histórica sobre a barbárie da escravidão não apaga a promessa de um futuro de autonomia e liberdade para o continente africano. 

Sobre a Itaú Cultural Play 

Lançada em 19 de junho, dia da celebração do cinema brasileiro, a Itaú Cultural Play começou com um catálogo formado por 135 títulos dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal. Constantemente ampliado desde então, já ultrapassou a marca de 200 filmes disponíveis, entre ficção, documentários, séries documentais e de ficção, animações para crianças e para adultos, produções experimentais, entrevistas, palestras, curtas e longas-metragens. 

Com acesso gratuito, a plataforma de streaming de cinema brasileiro é acessível para dispositivos móveis IOS e Android, e pode ser acessada pelo site itauculturalplay.com.br

SERVIÇO: 

Itaú Cultural Play 

Mostra Zózimo Bulbul 

A partir de 5 de novembro de 2021 

Em www.itauculturalplay.com.br 

Pedreira de São Diogo (1962) 

Duração: 18 minutos 

Classificação indicativa: Livre 

Alma no Olho (1973) 

Duração: 11 minutos 

Classificação indicativa: 10 anos (drogas lícitas e nudez) 

Aniceto do Império (1981) 

Duração: 12 minutos 

Classificação indicativa: Livre 

Abolição (1998) 

Duração: 160 minutos 

Classificação indicativa: 14 anos (nudez e violência) 

Samba no Trem (2000) 

Duração: 22 minutos 

Classificação indicativa: Livre 

Pequena África (2002) 

Duração: 14 minutos 

Classificação indicativa: Livre 

República Tiradentes (2005) 

Duração: 36 minutos 

Classificação indicativa: Livre 

Zona carioca do Porto (2006) 

Duração: 25 minutos 

Classificação indicativa: 14 anos (nudez, prostituição e drogas lícitas) 

Referências (2006) 

Duração: 38 minutos 

Classificação indicativa: 10 anos (violência, medo e tensão) 

Renascimento africano (2010) 

Duração: 51 minutos 

Classificação indicativa: Livre (armas sem violência) 

Itaú Cultural  

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