Nas quartas-feiras 18 e 25 de março, às 20h, o Itaú Cultural realiza as primeiras sessões de 2026 do Sonora Brasiliana, projeto de apresentações musicais intimistas que acontece no ambiente da exposição permanente Brasiliana Itaú, localizada no Espaço Olavo Setubal, no 4º andar do Itaú Cultural (IC). A programação recebe, no dia 18, a percussionista, cantora e atriz Xeina Barros, e, no dia 25, a flautista Tahyná Oliveira, em espetáculo dedicado à obra do compositor Anacleto de Medeiros.
Um encontro entre o som e a palavra, sem palco e sem distância entre artista e público, o projeto Sonora Brasiliana é um espaço onde o artista compartilha canções e histórias, revela os bastidores da criação, e suas pesquisas. O projeto estreou em novembro do ano passado e já soma três edições. A primeira foi com o Duo Conversa Brasileira, cujo repertório mescla música de câmara a ritmos populares como choro e baião. Na segunda apresentação a multi-instrumentista Lua Bernardo apresentou o projeto Boia e Ilumina, focado no contrabaixo acústico e na voz, explorando jazz, rapjazz e afrobeat. Por fim, o músico moçambicano radicado no Brasil Otis Selimane apresentou sua pesquisa que conecta ritmos ancestrais do Sul da África com a música contemporânea brasileira.
Como todas as atividades do Itaú Cultural, a programação é gratuita. A distribuição de ingressos segue a regra da instituição, pela plataforma INTI, com acesso pelo site do Itaú Cultural: www.itaucultural.org.br.
Percussão, voz e samba
A convidada do dia 18, Xeina Barros, é uma referência da percussão brasileira já consolidada há mais de uma década. Recentemente, ela passou a se destacar também como intérprete vocal. Sua formação reúne diferentes linguagens afro-diaspóricas, como o tambu, batuque tradicional de Piracicaba, sua cidade natal, além de capoeira, choro, samba, pagode, R&B e hip-hop.
Em formato de duo, a apresentação destaca a interpretação vocal de Xeina e a sua condução rítmica ao vivo, estabelecendo um diálogo entre percussões e cordas. Com sua voz, pandeiro, repique de anel e outras pequenas percussões, ela divide a cena com Henrique Araújo que a acompanha no cavaco ou bandolim e no apoio vocal.
Entre palcos e gravações de álbuns e apresentações nas TVs, Xeina já atuou ao lado de músicos como Zeca Pagodinho, Luedji Luna, Douglas Germano, Cristovão Bastos, Monarco, Fabiana Cozza e Criolo. Também participou do 38º Festival de Música de Curitiba, do 9º Festival É no Choro que Eu Vou e do 27º Festival de Inverno de Garanhuns. Como atriz, integra o elenco do espetáculo São Paulo, com Regina Braga e direção de Isabel Teixeira, além da montagem Pega Mata e Come: 60 anos de Opinião.

Choros e sopros
No seu dia, 25, Tahyná Oliveira apresenta show inspirado na obra de Anacleto de Medeiros, que completaria 160 anos em 2026. A flautista faz o espetáculo acompanhada por Gustavo de Medeiros, no violão 7 cordas, e André Farena, com clarinete e clarone.
A apresentação faz um passeio por composições como O Boêmio, Três Estrelinhas, Medrosa e Cabeça de Porco, entre outras, que dialogam com obras autorais de Tahyná. Passando por gêneros como valsas, polcas, maxixes e schottisch, o repertório propõe um encontro entre memória e criação contemporânea no universo do choro, destacando a relação histórica entre o gênero musical e as formações de instrumentos de sopro.
Integrante de grupos como Fios de Choro, Orquestra Paulista de Choro, Batanga e Cincoreto, a artista transita entre a música brasileira e a música de concerto. Ao longo de sua trajetória, participou de festivais como Europalia Brasil, na Bélgica, ao lado de Egberto Gismonti, além de eventos como Choraço, Chorando sem Parar, Mercado Cultural, Sesc Jazz e BMW Jazz Festival. A artista também integrou a Orquestra de Câmara da Universidade de São Paulo (OCAM), com a qual se apresentou ao lado de artistas como Gilberto Gil, Hamilton de Holanda, Dori Caymmi, Lenine, Clarice Assad e Vanessa Moreno. Em 2025, apresentou-se no palco do Sesc Instrumental Brasil.
Sobre a Brasiliana Itaú
O precioso pano de fundo para as apresentações do Sonora Brasiliana é a exposição Brasiliana Itaú, exposta nos andares 4 e 5 do Itaú Cultural, no Espaço Olavo Setubal, reunindo quase mil peças — muitas delas raras — que perpassam a história do Brasil desde a chegada dos portugueses, como pinturas, manuscritos, livros, documentos e mapas. Entre as obras estão pinturas do Brasil holandês, as primeiras edições dos mais conhecidos álbuns iconográficos produzidos durante o século XIX sobre o país, bem como livros de artistas ilustrados do século XX, obras de arte, objetos, cartografias e documentos manuscritos.
Um dos destaques do acervo é a pintura em óleo sobre madeira Povoado numa planície arborizada, produzido por Frans Post entre 1670 e 1680. Também se destaca a seleção de gravuras de Rugendas, Debret, Chamberlain, Auguste Sisson, Schlappriz, Buvelot e Moreau e Bertichem, reproduzindo as primeiras paisagens vistas do país
SERVIÇO:
Dia 18 de março (quarta-feira), 20h: Xeina Barros
Dia 25 de março (quarta-feira), 20h: Tahyná Oliveira
Itaú Cultural / Espaço Olavo Setubal – 4º andar
Capacidade: 36 lugares
Duração: 1h
Classificação Indicativa: Livre Ingressos gratuitos, reservados a partir da terça-feira da semana da apresentação, às 12h, pelo site do IC (www.itaucultural.org.br)