Lançamento de Kuami, livro novo de Cidinha da Silva, no Rio e em São Paulo

Cidinha da Silva mergulha na prosa mais uma vez e traz uma história que nos encharca de poesia ao nos contar sobre o Sereal, “reino das sereias, próximo à pororoca, onde se misturam olhos apascentados pelo rio e outros famintos de mar”.

Cheio de imaginação, musicalidade, situações engraçadas e a segurança de quem sabe onde vai chegar, este novo livro da autora é um presente à inteligência dos leitores.

A história nos fala sobre os amigos Kuami, um elefantinho, e Janaína, uma pequena sereia, que percorrem águas, florestas e também os céus, vivendo numerosas aventuras, na procura por Dara, a mãe de Kuami, aprisionada por fazendeiros.

No caminho de sua busca, acabam ensinando muitas coisas a seus leitores, entre as quais o valor da amizade, a força da perserverança e também o amor que pode vencer muitas barreiras. Mas isso não quer dizer que se trata de uma estória carrancuda ou cheia de “lições de moral”. Não! Pelo contrário, cortada todo o tempo por um humor refinado, que cria situações engraçadas mesmo nos momentos de maior tensão, a história flui e acompanhamos com crescente interesse a procura da mãe do pequeno, mas destemido e amoroso elefantinho.Trata-se, assim, de uma narrativa que será lida com prazer tanto por gente grande como pelos pequeninos, pois se a fantasia e o suspense, sem dúvida, cativarão os jovens leitores e farão com que leiam a história quase sem parar, os adultos encontrarão uma prosa bem elaborada que os deliciará com os achados de linguagem, com a ironia e a sólida construção de personagens.

Ao tecer os fios do maravilhoso – tingidos de africanidade -, com os traços de uma realidade brasileira geralmente deixada à margem, Cidinha da Silva, neste seu livro, nos leva também à reflexão sobre um Brasil que todos precisamos conhecer.

É assim que a música negra brasileira – inclusive o funk de periferia que faz até elefantes voarem -, a nossa paisagem e os saberes tradicionais de nossa gente, mas, sobretudo, a dura realidade do que ocorre nos rincões do país, comparecem no texto a partir de uma focalização poética, mas nem por isso menos comprometida.

Dessa forma, ganha sentido pleno a última frase de Kuami: “vale a pena iluminar a vida.”

Acrescentaríamos que, por tudo isso, “vale a pena ler Cidinha da Silva”.

Tania Macedo – Professora de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa – USP.

Fonte: Lista Racial

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