Lei das Domésticas cria oportunidade para franquia de R$ 7 mil

Empresa americana Jan-Pro, que atua no segmento de limpeza comercial, procura empreendedores para atender demanda de faxina residencial

Por: Natalia Gómez

 

Diante da alta no preço do serviço doméstico no Brasil, a multinacional americana Jan-Pro, especializada em limpeza comercial, vai começar a atender o segmento residencial para competir com diaristas e domésticas.

A intenção é usar o sistema de microfranquias, que custam R$ 7 mil ao empreendedor, sendo que o próprio empresário colocará a “mão na massa”, executando os serviços de limpeza até conseguir recursos suficientes para contratar seus próprios empregados.

Com a recente regulamentação dos direitos trabalhistas destes profissionais, o momento não poderia ser mais propício, conta Renato Ticoulat, diretor de novos negócios da Jan-Pro no Brasil. “Isso abriu uma brecha para entrarmos neste mercado”, afirma.

Para o cliente, a vantagem é não ter de lidar com burocracia nem controle de horas extras ou pagamento de FGTS, uma vez que o profissional é contratado pela Jan-Pro, e não pelo cliente final. “Toda parte jurídica e legal é nossa”, afirma.

Até o momento, a empresa opera um projeto piloto na área residencial, com atendimento de 300 apartamentos em São Paulo. Para uma limpeza básica semanal, o custo é de R$ 250. Segundo o executivo, o preço é mais competitivo do que o valor de uma diarista, que sairia entre R$ 350 e R$ 400.

Outros serviços são pagos separadamente, como limpeza de eletrodomésticos, louça, vidros, carpetes e arrumação de armários. Os clientes atuais da Jan-Pro no segmento residencial brasileiro pagam R$ 600 por mês, para duas limpezas semanais, incluindo itens extras.

No projeto piloto, o principal público consumidor é composto por moradores de edifícios sem quarto de empregada ou área de serviço, em que os familiares passam quase o dia todo fora de casa. Quando o orçamento é solicitado por um condomínio, a empresa apresenta o projeto para todos os moradores, e oferece o pacote para um franqueado realizar a operação de 15 a 20 apartamentos.

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Na avaliação de Ticoulat, que atua no ramo há 22 anos, o setor de limpeza está passando por uma importante transformação. “Nunca entrei neste mercado antes porque eu sempre fui mais caro [ portanto, menos competitivo que o serviço tradicional ]. Mas recentemente o preço da diarista encareceu, e hoje vale a pena disputar este mercado”, conta. Outro fator é o receio dos patrões em contratarem empregadas domésticas com a nova lei.

Apesar do otimismo, o executivo revela que existe um longo caminho pela frente, pois a mudança cultural não acontece do dia para a noite. Para estruturar a operação residencial, a Jan-Pro vai investir R$ 1,5 milhão nos próximos 12 meses. Os investimentos prevêem a elaboração de um manual, a contratação e treinamento dos primeiros funcionários, marketing e comunicação da nova operação.

Um dos desafios será a seleção e treinamento dos franqueados, pois a exigência da limpeza de um lar é maior do que de um escritório. “É preciso ter olho da dona de casa”, explica. Segundo Ticoulat, o apego do cliente residencial a seus bens e objetos é maior do que o cliente corporativo, e demanda cuidados ainda maiores do franqueado. A exigência com a limpeza também é maior neste tipo de cliente.

Ticoulat não descarta a possibilidade de ex-empregadas domésticas serem uma parcela deste público empreendedor, pois isso ocorre em outros mercado que a empresa atua, como a Europa. Cuiadores de idosos e jardineiros também podem ser atraídos a este modelo.

Um dos franqueados da Jan-Pro é o operador de caixa paulista Gabriel Pereira Barbosa, de 28 anos, que comprou uma franquia há um ano. Além de gerenciar o negócio, ele realiza as limpezas e concilia este trabalho com seu emprego como caixa de um restaurante. “Até o final do ano ficarei apenas com a franquia”, afirma.

O empresário conta que participou de cinco semanas de treinamento oferecidas pela companhia e começou seu negócio com um primeiro contrato garantido, que rendia R$ 1,8 mil mensais de faturamento. Hoje, Barbosa atende 13 clientes e já contratou um funcionário para ajudá-lo. Sua renda média cresceu mais de três vezes neste último ano.

A microfranquia de R$ 7 mil pode ser financiada em até 36 meses, e é voltada para aqueles que querem deixar seus empregos mas têm pouco capital para investir. Também existem opções de franquias de maior porte, que chegam a R$ 100 mil. Os franqueados pagam 7% de royalties sobre o faturamento bruto mensal e 3% de taxa de administração

A empresa está no País há dois anos. Para os escritórios, a empresa cobra R$ 150 por mês para a limpeza semanal de salas. São atendidas pela companhia quase 2 mil salas corporativas somente em São Paulo. Com 62 franqueados, a empresa atua também em Campinas, Rio, Belo Horizonte, Salvador e Manaus.

 

Fonte: iG

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