Mãe e filha acusam loja de racismo após suspeita de roubo em Bangu

Vídeo mostra indignação de mulher ao ter bolsa revistada: ‘Discriminação’.
Em nota, Aquamar pediu ‘desculpas’; caso foi registrado como ‘injúria’.

Duas mulheres dizem que foram acusadas injustamente de roubo nesta segunda-feira (11), por uma funcionária da loja Aquamar, no Bangu Shopping, na Zona Oeste do Rio. Em um vídeo postado na internet, que teve mais 16 mil compartilhamentos no Facebook até a manhã dsta quarta (13), Thaina Cristina da Rocha e sua mãe Leila Cristina da Rocha aparecem muito abaladas. Nas imagens, publicadas por uma amiga da família, Leila acusa a loja de “discriminação”.

“É porque minha minha filha é preta (…) Isso não existe”, grita, muito nervosa e contida por frequentadores do shopping, que a orientam a chamar a polícia. “É discriminação. Eu nunca roubei. É uma vergonha isso”, diz.

Thaina afirmou ao G1 que ao sair da loja foi abordada pela subgerente do estabelecimento que pediu para que a bolsa de sua mãe fosse revistada. Após o pedido, a mãe dela ficou nervosa com a acusação e retirou seus pertences da bolsa para provar que não tinha cometido o furto. Thaina disse ainda que o tratamento foi inesperado por se tratar de uma loja que costumava fazer compras.

“Não entendi porque desconfiaram de mim, sou cliente há algum tempo da loja. Mês passado eu fui lá para comprar meus presentes de aniversário, se ela [subgerente] abrir o computador vai ver que tenho cadastro”, afirmou a jovem de 19 anos.

Caso registrado como injúria
Enquanto houve a confusão no interior da Aquamar, avisos sonoros foram emitidos para o shopping para que a segurança do estabelecimento fosse para o local. Uma aglomeração de pessoas se formou na porta da loja para ver o episódio. Thaina, a mãe, a subgerente, que não teve o nome divulgado, e uma outra lojista foram encaminhadas para a 34ª Delegacia Policial (Bangu), onde foi registrado o caso. Segundo a Polícia Civil, o caso foi registrado como injúria e foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).

“Tive que abrir [a bolsa] porque ela disse que eu não ia sair dali enquanto eu não abrisse minha bolsa. Eu joguei as minhas coisas no chão para mostrar que eu não tinha levado nada.
Eu sempre eduquei a minha família para ela saber o que ela tem que fazer, eu nunca pensei que ia passar por uma coisa dessas. Todos que estavam lá viram que eu não roubei nada, todos viram”, afirmou Leila, de 48 anos.

Loja pede desculpas
O Bangu Shopping afirmou que não vai se pronunciar porque o caso, segundo a assessoria de imprensa, ocorreu no interior da loja. A Aquamar informou que abriu um procedimento interno para apurar a acusação e publicou uma nota pedindo “desculpas” em sua página no Facebook. Veja a íntegra da nota abaixo.

“Hoje foi um dia triste para a Loja AquamarRio que preza tanto a verdade. Por isso, a marca quer deixar aqui uma mensagem para todos os clientes, parceiros, jornalistas e interessados no ocorrido de hoje na Loja AquamarRio do Bangu Shopping. Repudiamos qualquer ato constrangedor e de julgamento contra nossas clientes. Somos uma marca sempre buscando valorizar a mulher brasileira e vamos investigar severamente para descobrir os fatos ocorridos na segunda-feira, dia 12/08/2014. Jamais uma vendedora do nosso quadro de funcionários recebeu qualquer indicação para julgar pessoas por raça, condição social, roupa e idade. Pedimos sinceras desculpas para as nossas clientes, lamentamos demais a situação e acompanharemos as apurações das autoridades, já que somos uma empresa sempre preocupada com a socialização e igualdade do nosso país. Agradecemos a compreensão. Estamos aqui para atender e resolver a questão da melhor maneira possível. Abraço. Equipe AquamarRio.”

Fonte: G1

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