quarta-feira, novembro 30, 2022
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Manifesto por políticas públicas para a juventude, contra o extermínio dos jovens e em apoio à candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo

“Nós somos o povo da esperança (…) Devemos fazer questão de vivermos todos cutucando, agitando, comprometendo. (…) Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança. (…) E a caminhada continua!” D. Pedro Casaldáliga

“Nós somos o povo da esperança”, somos o Povo de Deus, somos militantes da Pastoral da Juventude, da Pastoral Carcerária, da Pastoral da Criança e de tantas outras pastorais sociais, das Comunidades Eclesiais de Base e de paróquias dos mais distintos cantos da cidade de São Paulo.

Estamos cansados de ouvir acusações de que o jovem é descompromissado, irresponsável e não quer participar das atividades sociais que visam à organização da sociedade. Estamos cansados de não sermos ouvidos em nossos anseios e necessidades. Mas, temos esperança de que tudo vai melhorar e estamos dispostos a contribuir para que isso ocorra.

Como cristãos, membros da Igreja Católica Apostólica Romana, nos embasamos na Gaudium et spes (25), no Catecismo da Igreja Católica (1881), em Nota Doutrinal da Congregação Para a Doutrina da Fé e no compêndio da Doutrina Social da Igreja (384), que nos ensina que “a pessoa humana é fundamento e fim da convivência política” e, “dotada de racionalidade, é responsável pelas próprias escolhas e capaz de perseguir projetos que dão sentido à sua vida, tanto no plano individual como no plano social”, para, neste momento em que está em jogo o futuro de nossa cidade, por pelo menos quatro anos, analisarmos a conjuntura social, não nos deixarmos influenciar e tampouco nos omitir de nossa responsabilidade na construção do Mundo Novo.

Já faz alguns anos que a Pastoral da Juventude realiza uma campanha contra o extermínio da juventude, com o objetivo de trazer à sociedade o alerta e a reflexão sobre a questão. O número de mortes de jovens é alarmante, chegando a ser superior ao de países que convivem com a guerra. Em grande parte, as mortes são por assassinatos cometidos por pseudo policiais.

A cidade de São Paulo, particularmente, vive momentos de tensão e extrema violência contra a juventude, direcionada principalmente aos jovens negros, empobrecidos e que moram, estudam e se divertem nas áreas periféricas. A atual administração pouco, ou nada, faz para trazer paz, segurança e conforto para estes jovens e para toda a população das periferias de São Paulo. Se quisermos assumir verdadeiramente a opção preferencial pelos pobres e excluídos deste mundo, pregada por Jesus Cristo e ressaltada pela Igreja, não podemos nos calar diante desta realidade.

Sabemos que a questão específica da Segurança Pública não é uma responsabilidade municipal e sim estadual e, por isso, não cabe diretamente à prefeitura a resolução do problema. Mas, entendemos que não se trata apenas de caso de polícia. A resolução perpassa por muitas outras áreas, para as quais a prefeitura pode e deve desenvolver políticas públicas que, mesmo que indiretamente, contribuem para a questão da segurança.

Um exemplo são as políticas públicas de Cultura. Quando bem realizadas, elas têm o poder de tirar os jovens das ruas e da violência e fazem com que eles deixem de ser meros consumidores de cultura. Eles passam também a produzi-la (Teixeira Coelho, O que é ação cultural / Waldenyr Caldas, Cultura). Para isso, deveria haver o estímulo à produção cultural dos jovens, pelos jovens e para os próprios jovens. Isso passa, também pela criação de Centros Culturais e pela descentralização das ações e dos investimentos.

Mas, já há quase oito anos, a administração municipal segue o caminho contrário. Prioriza a Virada Cultural. São realizadas 24 horas seguidas de atrações culturais gratuitas. As principais são reservadas para a região central e às periferias são relegadas as de menor expressão. Além disso, nos outros 364 dias do ano, praticamente inexiste incentivo à cultura. Além de não haver estímulo, a atual administração passou a perseguir, ameaçar e proibir a atuação de grupos teatrais, musicais e todos aqueles que, mesmo sem nenhum incentivo, custeando todas as despesas e utilizando-se do espaço público, tentam levar cultura à população das periferias.

A prática da prefeitura na área da Cultura, ao contrário do que deveria ser, contribui com o aumento da violência para com os jovens e entre eles próprios.

A mesma postura truculenta é repetida com a população de rua e os usuários de drogas. Além de fechar albergues da região central, a Guarda Civil Metropolitana, controlada pela prefeitura, expulsa os moradores de rua dos espaços públicos a socos e pontapés, jogam água nas pessoas e em seus pertences, quando estes não são confiscados. Esta ação ficou conhecida como “operação espantalho”. Em conjunto com o governo do estado, medidas semelhantes são tomadas com os usuários de drogas da chamada cracolândia. Essa política “higienista”, que visa “limpar” o centro da cidade, além de desrespeitar os direitos das pessoas, espalha o problema para toda a cidade, mas não o resolve. Por isso, vemos o aumento da população de rua em diversos bairros e o surgimento de inúmeras cracolandias nos mais distintos pontos da cidade. A população destes bairros sente-se insegura, ameaçada e acuada. Por falta da ação correta da prefeitura, já existem casos em que os próprios moradores tomaram a frente para, novamente, expulsar os usuários de drogas de seus bairros. Gerando transtornos e mais violência.

Se a prefeitura quisesse resolver o problema e não apenas escondê-lo das vistas daqueles que vivem nas regiões centrais, desenvolveria programas de tratamentos aos usuários de droga. O problema seria tratado como uma questão de saúde pública. A prática da violência não resolve o problema de quem vive como zumbis, perambulando pelas ruas. Mais do que isso, cria outros problemas para a população.

A Educação é outro mecanismo capaz de levar o desenvolvimento sócio-econômico à população de uma forma geral e aos jovens especificamente. Mas, nessa área enxergamos um cenário catastrófico na cidade e no estado de São Paulo. Nossos governantes estão preocupados com as estatísticas, em detrimento da qualidade do ensino. Os alunos “são passados” de ano sem o conhecimento mínimo do conteúdo programático, pior ainda, não existe preocupação com o que e se eles estão aprendendo. As provas avaliam o que os alunos sabem e não a evolução que tiveram.

Coloquem todos dentro do mesmo caixote, como se todos fossem iguais. O importante é reduzir o número de repetências e ampliar a quantidade daqueles que estão no ano adequado à sua idade. O que deveria ser louvável, se houvesse o respeito ao tempo de aprendizagem de cada aluno, com acompanhamento àqueles que não conseguem apreender o conteúdo mínimo necessário, permitindo que eles tivessem a progressão continuada, transformou-se em aprovação automática e os alunos chegam ao final do ciclo sem nada saber. Tudo para que as estatísticas façam parecer que tudo vai bem. Tudo para evitar novos gastos com alunos que têm que repetir o ano.

Sem contar a desvalorização do professor, que, se quiser, ao final do mês, receber o mínimo para pagar suas contas e sobreviver, precisa trabalhar em várias escolas, em três períodos, sem contar as horas de trabalho que terá que realizar fora da escola.

Rechaçamos essa postura na Educação. Para nós, a Educação é parte de um processo de construção pessoal e social do ser humano.

O alto custo do transporte público em São Paulo é outro problema que afeta demasiadamente a população, principalmente aquela que mora nas áreas periféricas da cidade. Para ir ao teatro, à uma biblioteca, ao cinema, praticar esportes, enfim ter acesso à cultura e ao lazer. Estas pessoas têm que se deslocar por horas utilizando transporte precário, superlotado e caro.

Poderíamos transcorrer muito mais sobre os pontos acima citados e sobre outros tantos problemas que nos afetam diretamente e violentam nossos direitos, como a falta de política habitacional frente ao gigantesco déficit habitacional e o precário atendimento à saúde. Mas, para falar da enormidade de problemas da cidade nos estenderíamos demasiadamente.

A realidade é dura e não vemos no atual prefeito e em seus aliados que governam o estado e administraram a cidade na gestão anterior, propostas que possam trazer soluções para os problemas. Queremos mudança! Por isso, apoiamos a candidatura de Fernando Haddad – candidato pelo Partido dos Trabalhadores, para prefeitura de São Paulo.

Avaliamos que suas propostas e as propostas de seu partido e da coligação que o apóia atendem melhor nossos anseios e necessidades, considerando, inclusive, temas fundamentais para a cidadania e a participação, o trabalho e a geração de renda, a cultura, o transporte, a saúde, a educação e tantos outros.

Sabemos que, como o profeta Isaías já nos alertou, nenhum projeto humano é capaz de se aproximar do projeto de vida e liberdade que Deus nos preparou (Is 55, 8). Mas, temos a consciência de que não podemos nos omitir diante da realidade que nos é colocada neste mundo no qual vivemos e, como nos ensina a Doutrina Social da Igreja, “sociedade alguma pode ‘subsistir pode subsistir sem um chefe que (…) encaminhe todos para o bem comum'” (393), continuaremos perseguindo projetos que dão sentido à nossa vida, tanto no plano individual como no plano social (384).

ASSINAM ESTE MANIFESTO:(se você quiser assinar também, acrescente seu nome e informações pessoais e encaminhe para seus amigos)

Abel Martins, militante da Pastoral da Juventude.
Adriana Piccolo, militante da Pastoral da Juventude e da Pastoral de Fé e Política.
Alexandre Piero, ex-conselheiro municipal e nacional de Juventude pela PJ, formado em Ciências Sociais e Gestão de Políticas Públicas pela USP, professor e coordenador pedagógico da ETEC Cepam.
Edmur Primo Delcolli Júnior, Diretor Executivo do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul.
Eduardo Brasileiro, militante da PJ Paróquia Nossa Senhora do Carmo e articulador da juventude na Igreja Povo de Deus em Movimento.
Anderson Gonçalves de Brito (Dinho), membro do Conselho Municipal de Juventude de São Paulo Eixo Diversidade Religiosa, colaborador do GT “A Juventude quer viver!” do Regional Sul 1 e militante da PJ de Ermelino Matarazzo.
Elaine Piccolo, militante da Pastoral da Juventude e da Pastoral de Fé e Política.
Ederson Nascimento, militante da Pastoral da Juventude.
Gabriela Souza Lima, militante da Pastoral da Juventude.
Jacqueline Silva, militante da Pastoral da Juventude.
Kamila Gomes, Fórum Regional de Defesa da Criança e Adolescente Vila Maria e Militante da pastoral da Juventude
Karen Martins, militante da Pastoral da Juventude.
Kellyson Pinheiro Feitosa, militante da Pastoral da Juventude.
Luciano Garcia, fotógrafo, sociólogo e militante da Pastoral da Juventude.
Marcelo Naves, membro do Instituto Paulista de Juventude (IPJ) e da Pastoral Carcerária, e militante da Pastoral da Juventude.
Paulo Flores (Lobinho), membro da Equipe de Teologia e Formação do Conselho de Leigos da Arquidiocese de São Paulo, coordenador das Comunidades Eclesiais da Paróquia/Santuário São Judas Tadeu.
Rogério Fonseca, Fórum Regional de Defesa Dos Direitos da Criança e Adolescente Vila Maria e Militante da Pastoral da Juventude.
Thais Souza, militante da Pastoral da Juventude.
Viviana Brassel, militante da Pastoral da Juventude.

 

Fonte: Mariafro

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