quinta-feira, setembro 29, 2022
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Março se fecha com várias atividades em todo o Brasil para mulheres

Este ano de 2022 ampliaram o número de agendas que falam do 08 de Março. Muitas destas agendas que tiveram grandes visibilidades são comemorativas, sem reflexões e reivindicações.


De maneira geral o Tema Mulher se tornou palco dentro de muitas plataformas e redes de comunicação social.


Como estamos fechando o verão, nada melhor que apimentar esta última semana falando das divulgações que colocam o dia 08 de março, como um dia de grande comemoração para a mulher.


O mês de Março, em especial o dia 08 é muito importante e significativo para todas as mulheres. Marca a história de conquistas obtidas nas políticas públicas, a defesa da vida, as ações para enfrentamento e combate à violência, o combate ao genocídio, defesa do exercício da cidadania, denuncia as desvantagens das desigualdades sociais, dentre tantas.
É muito difícil entender as contradições existentes em vários seres humanos, principalmente entre os homens. Mas não é difícil de perceber que muitas destas contradições são frutos das concepções morais e ideológicas.


Neste sentido, neste 2022, foco meu olhar nas agendas onde homens ocuparam agendas que as mulheres deveriam ser protagonistas.


Muitas pessoas vão perguntar: Qual o problema de um homem falar para as mulheres?
Eu devolvo a resposta com três perguntas: Por que um homem reivindica falar no mês das mulheres, em agendas construídas com pautas das mulheres?


O mês de março é para promover debates e dar visibilidade as desigualdades existentes entre homens e mulheres. Chamar para reflexão e debate da ocupação de espaços que já são ocupados exclusivamente e majoritariamente por homens.


Porque um homem quer tem toda liberdade de ir e vir quer ocupar também este pequeno espaço?


Neste período de relaxamento das medidas protetivas que existiram na Pandemia, as pessoas começam a sair de casa e dão muita atenção nas agendas de interesse social e aos tutoriais que retratam assuntos específicos.


Para muitos homens, lugares de ambientes que promovam o destaque, visibilidade, reflexões, consciência dos diretos e que interfiram no poder de decisões das pessoas, não podem ser ocupados por mulheres.


Para muitos homens, o lugar da mulher é no lar. Mesmo que a mulher trabalhe fora e cumpra a dupla jornada de trabalho. Existem várias estratégias, poucos percebidas, que induzem, forçam a mulher cumprir com a responsabilidade da criação, formação dos filhos e responsabilidades com as tarefas cotidianas dos lares.


Então porque os homens em sua ampla maioria não organizam as agendas para que o “palanque” seja ocupado somente por mulheres? Deitem e deleitem desta cama macia e esplendida.


Os homens no mês de Março não fazem Marchas, encontros, likes, lifes, podquests com homens e para os homens de toda a sociedade com desígnio de debater qual a melhor estratégia para romper com as múltiplas formas de violências existentes, com o racismo, com as desigualdades econômica e social, com as mortes e extermínios evitáveis!
Não demostram a menor intenção de promover agendas para dar visibilidade para as mulheres que são atuantes em diversas áreas e, nem, tem, a menor pretensão de reformular os espaços políticos, judiciários, das forças armadas, dos comandos nas grandes empresas pública e privada para que, as mulheres ocupem tais espaços no mesmo pé de igualdade.


Esta semana que fecha o mês de Março, antecedendo as eleições foi lançada pelo ministro Edson Fachin do TSE, a Ouvidoria da Mulher.


Conforme informações divulgadas, a Ouvidoria tem como objetivo prevenir e combater casos de assédio, discriminação e a violência política.


O Ministro Fachim afirmou em uma das entrevistas que eu li que, “apesar da luta das mulheres pela ocupação de espaços de decisão estar mais organizada, a participação nas esferas de poder enfrenta resistência institucional”.


Então…………..


As instituições não agem e nem tem pensamentos próprios. Para que uma instituição se movimente é preciso que pessoas se movam.


Os movimentos são realizados por maioria de homens e sempre tem caráter dominador e subjetivo. A maioria utilizam das grandes estruturas privadas e pública para implementar valores machistas, misóginos, racistas, homofóbicos.


O homem que ocupa um espaço institucional e não tem consciência sobre do papel na sociedade e importância da emancipação social, econômica e dos corpos das mulheres, vai colocar a estrutura do Estado para frear e não avançar em qualquer política ou projeto de igualdade. Vai alimentar a sociedade com ás assimetrias dos pejorativos machista, racista e as múltiplas formas de violências. Então é necessário que estas belas agendas institucionais onde os homens tem o poder da fala e deliberações as decisões politica e institucionais sejam sucedidas de ações concretas para todas as mulheres.


Se existem reconhecimento da existência de grupos que são sub-representados ou estão totalmente fora destes espaços, é importante deixar de responsabilizar as estruturas públicas e aparelhos institucionais como se tivessem vontade própria, alheias das mãos dos homens.


** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA SOCIEDADE.

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