sexta-feira, junho 24, 2022
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Maurício Pazz lança o single “Sarau para Alforria” inaugurando o selo Atlântico Sul Music

Depois de mais de 10 anos tocando ao lado de artistas como Anaïs Sylla, Chico César, François Muleka e Luedji LunaMaurício Pazz lança o single “Sarau Para Alforria”, abrindo os trabalhos do selo Atlântico Sul Music. A faixa inédita, já disponível em todas as plataformas digitais, tem clima guiado pelos tambores malinkes do oeste africano e universos harmônicos melódicos das afro-américas. 

“Esta composição surgiu de uma reflexão profunda sobre a presença do lamento em diversas musicalidades negras ao redor do mundo, sobretudo o lamento na melodia. Fiquei pensando no quanto este traço pode estar relacionado às adversidades oriundas dos racismos, na qual a população negra as experiencia na condição de vítimas deste sistema de opressão e exclusão. O lamento é algo que me toca profundamente e que, inclusive, eu acho de uma beleza transcendental… No entanto comecei a imaginar o quão lindo será o dia em que nós negros e negras poderemos utilizar o lamento apenas como um recurso estético e não como uma forma de sublimar as dores vividas por narrativas concretas e objetivas oriundas das tensões raciais. Esse foi o fio condutor da obra”.

Seguindo essa proposta, “Choro Negro”, de Paulinho da Viola, foi a maior inspiração para o hábil compositor e multi-instrumentista de cordas já que o termo “sarau”, presente no título da música, é em referência ao “Sarau para Radamés”, composta por Paulinho para homenagear o maestro Radamés Gnattali, e “Um sarau para Raphael”, que celebra o violonista Raphael Rabello. “Brindo aqui o Paulinho, mas também faço esse movimento, este exercício, de nos imaginar em uma condição diferente enquanto população negra… Alforriados daquilo que nos faz lamentar. Embora a tristeza e o sofrimento façam parte da vida, não é deles que lhe falo. Eu estou falando dos lamentos que surgem como desdobramentos das péssimas sensações e vivências que o racismo promove. A introdução dessa música, com o solo de cavaco, chega para pedir a benção ao mestre, reverenciá-lo e dizer “olha!!! Eu te ouvi, viu?” e depois disso pedir licença pra dizer o que eu vim dizer. Tenho acreditado muito nessa potência do desejo. De imaginarmos o que queremos e buscar construir isso tudo. Em tempos em que as distopias brotam a cada instante, a cada esquina, nas encruzilhadas  do online e off-line, eu acho potente, transformador e, quiçá, subversivo relembrar que não precisa ser um King pra ter um sonho… O Martin tinha o dele, Dandara o dela e eu também tenho o meu… E acho que todos estes sonhos, pro desespero neoliberal, são mais coletivos do que individuais. … Creio que posso afirmar que esse projeto é sobre isso e sobre tudo o que foi dito”, destaca Maurício Pazz, responsável por brilhantemente tocar cavaco e violão tenor no single. 

Somando entre as participações especiais, Vanessa Ferreira (contrabaixo), Alysson Bruno (percussão), Fábio Leandro (Teclado) e Allan Abbadia (trombone).

Projeto marca, ainda, a estreia do selo “Atlântico Sul Music”, que tem como propósito lançar trabalhos de artistas periféricos, sobretudo negros e negras, engajados com estéticas distintas daquelas entendidas como tipicamente periféricas. “Em muitos momentos é como se apenas houvesse espaço para esses e essas artistas em determinados gêneros musicais. Vivemos um tempo em que o essencialismo impera: mulheres são lembradas em março, indígenas em abril, pretes em novembro… E, no caso de artistas negros de São Paulo é como se apenas pudéssemos tocar funk, samba e rap. Podemos. Mas podemos transitar por muitos outros gêneros também. E é por isso que eu tenho o desejo de que esse selo possa contribuir com esses outros lugares de pertencimento da cena musical e artística pretas da cidade”.

SOBRE MAURÍCIO PAZZ

Cantor | Compositor | Multi-instrumentista | Pesquisador

Hábil compositor e multi-instrumentista de cordas — violão tenor, guitarra e bandolim – o paulistano Maurício Pazz segue influências que vão do choro ao jazz, espraiando para ritmos de matrizes africanas presentes em diversas vertentes da música brasileira.

Graduado em Música pelo Instituto de Artes da UNESP (2018) e mestrando em Processos de Criação Musical pela Escola de Comunicação e Artes da USP (2021), atua profissionalmente na música desde 2008 tocando com diversos artistas. Entre eles, Anaïs Sylla, Chico César, Coletivo Roda Gigante, François Muleka, Luedji Luna, Marco Mattoli, Natália Matos, Nath Rodrigues, Renata Jambeiro e Zumbiido-Afropercussivo. Além disso atua também em projetos interlinguagens envolvendo dança, cinema, video-arte e circo.

Atualmente, dedica-se à série audiovisual documental que idealizou e dirigiu – “Cor do Som – Memórias da Música Negra” (2019) – e ao desenvolvimento do seu próximo trabalho autoral. 

Para saber mais, acesse: https://mauriciopazz.com/

Instagram: instagram.com/mauriciopazzmusic
Youtube: https://www.youtube.com/c/MauricioPazz
Facebook: https://www.facebook.com/MauricioPazzMusic


FICHA TÉCNICA

Sarau para Alforria

Composição e Arranjo: Maurício Pazz

Cavaco: Maurício Pazz
Contrabaixo: Vanessa Ferreira
Percussão: Alysson Bruno
Teclado: Fábio Leandro
Trombone: Allan Abbadia
Violão Tenor: Maurício Pazz

Gravação e produção musical: Maurício Pazz
Mixagem: Gabriel Spazziani
Masterização: Maurício Gargel

Gravado em março de 2020 (São Paulo, SP)
Mixado e masterizado em maio de 2021 (São Paulo, SP)

Capa: Juão Vaz
Colaboração: Renata do Santos e Henrique Pessoa
Realização: Atlântico Sul Music

** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA SOCIEDADE.

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