Mercado de beleza e estética acolhe de braços abertos os afrodescendentes

 

O mercado de beleza e estética está acolhendo de braços abertos os afrodescendentes. A sociedade está deixando o preconceito de lado – pelo menos quando o assunto é vaidade

Para mostrar o sucesso de cabeleireiros e maquiadores negros, reunimos alguns profissionais que apontam como o cenário mudou ao longo dos anos, enaltecendo as superações e vitórias e esclarecendo as dificuldades. Há um grande otimismo para quem deseja trabalhar neste mercado, pois cada vez mais pessoas buscam um tratamento personalizado e adequado ao seu perfil de cabelo e pele.

Após uma viagem à Europa, o hair stylist João Pedro voltou fervilhando de empolgação e montou o primeiro salão de beleza voltado para as mulheres negras, o tradicional Afonjá, localizado no Rio de Janeiro. A ideia visionária deu mais do que certo.

São mais de 30 anos de serviços prestados e clientes famosas como Taís Araújo e Valéria Valença. “Lógico que atendíamos as mulheres brancas, mas as negras tinham um tratamento especial. Isso porque na França eu desenvolvi técnicas de trabalho com o cabelo crespo. A elite negra procurava o meu salão. Advogadas, empresárias, artistas, todas queriam um atendimento personalizado”, conta João, ressaltando que foi na última década que o negro despontou como profissional dentro dos salões de beleza.

O preconceito, no início, era grande. Existiam salões que não contratavam profissionais negros porque as clientes não gostavam. Ele endossa o coro que diz que o preconceito, hoje, existe em nossa sociedade, mas de uma forma disfarçada, além de recordar que realizou diversas produções para a RAÇA BRASIL, inclusive nas primeiras edições. “Foi ela que abriu espaço para a visibilidade da beleza negra no nosso país”, conta, orgulhoso.

Make baiano

Na opinião de Luis Carlos de Jesus Monteiro, do prestigiado salão Jacques Janine do Shopping Iguatemi, em Salvador, na Bahia, ao longo da década o preconceito sofreu mutações, mas não deixou de existir. Segundo ele, se antes era mais visível, hoje ele é camuflado.

“Tenho diversas clientes brancas que não têm esse tipo de problema, entretanto existem aquelas que se fazem de amiga, me cobrem de elogios e que, no final das contas, procuram por um profissional de pele clara. São as pessoas que querem parecer moderninhas, mas que continuam com preconceitos antigos”, declara.

Com dez anos de profissão, ele acentua que realmente é preciso um maior cuidado com a pele negra e que, em geral, nenhum curso proporciona a perspicácia que o profissional adquire com a experiência. “A maior vilã dos maquiadores que estão trabalhando em uma pele negra é a oleosidade. Se o profissional não souber usar a maquiagem certa na dosagem correta é muito provável que a pele fique esverdeada. Pele negra exige muita atenção”, explica Luis, que por muitas vezes usou a revista como referência para montar looks ou preparar um make novo e ousado.afro1

Influência da mídia

Para endossar a teoria de que o preconceito está se afastando dos salões, o cabeleireiro Kaká santos conta que nunca encontrou dificuldades para agradar à clientela de todas as raças e de todas as tribos. “eu trabalho em cabelos afro e cabelos lisos, brancos e negros, eu não os diferencio.

A verdade é que os negros procuram profissionais negros para cuidar da beleza, porque acreditam no poder da empatia”, explica o jovem que há 12 anos está na estrada. Hoje, no badalado salão ritz, em são Paulo, Kaká aponta uma nova realidade: 90% das pessoas com cabelo étnico procuram tratamentos para deixá-los lisos. “deve ser por causa da mídia, afinal, quando vemos famosas como a rihana sempre nos deparamos com cabelos chapados”, revela.

Com experiência de sobra no mercado (trabalhou na são Paulo Fashion Week para o estilista reinaldo lourenço), ele confirma, otimista, que daqui a 10 anos, os cabelos crespos, armados e cacheados estarão em alta. “lembro de uma frase muito boa: o cabelo crespo entra na moda, mas o liso nunca sai”.

Especializado em cabelos afro

Fernando Paolo não é ninguém menos do que filho de Fernando Fernandes, experiente cabeleireiro que há 26 anos montou um salão homônimo em São Paulo, especializado em cabelos afros. O jovem, de 23 anos e que atua há mais de uma década como profissional de beleza, nos mostra que há uma nova realidade para os cabeleireiros e os maquiadores: o fim do preconceito.

“Na realidade, é uma coisa que está fora dos salões. O que diferencia um profissional de outro não é mais a sua cor, e sim o seu conhecimento. Isto é, sem dúvidas, sinal de um trabalho de qualidade”. E le explica que como existem médicos especializados em determinadas áreas, é saudável que os profissionais de beleza também se especializem. “Os cabelos e a pele afro necessitam de um trabalho mais detalhado. Infelizmente, no Brasil, não há cursos voltados para os cabelos crespos.

E isso é um grande diferencial”, explica. Ele foi aluno do curso de Visagismo, o primeiro do Brasil, idealizado pela Universidade Cruzeiro do Sul e, embora o curso seja um grande avanço para os profissionais de beleza, ele não dá uma base significativa para o tratamento de cabelos afros. “Vivemos em um país em que 75% das pessoas têm cabelos crespos e mesmo assim não há aulas específicas para o tratamento deles. Nosso salão planeja para o próximo ano uma academia voltada para esse tipo de cabelo. Será um passo significativo”, adianta. Ligado nas tendências mundiais, Fernando Paolo ainda aposta que os próximos 13 anos deverão seguir uma nova tendência: a dos cabelos crespos.

Fonte: Via Comercial

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