Negras quebram barreiras ao conquistar poder no jornalismo

Globo, Band e CNN Brasil estão entre os canais onde a diversidade racial ganha força em postos de prestígio

Por Jeff Benício, do Terra

O que era exceção agora se consolida. Cresce a presença feminina negra em jornalísticos de destaque na TV.

Maju Coutinho, Cynthia Martins, Luciana Barreto e Luciana Camargo usam a visibilidade na mídia para conscientizar a população contra o racismo (Foto: Imagem retirada do site Terra)

Na segunda-feira, dia 2, o novo Band Notícias, na faixa das 22h, terá Cynthia Martins na bancada, ao lado de Rafael Colombo.

A jornalista já é bastante conhecida dos telespectadores da BandNews TV. Em abril deste ano, estreou na bancada do Jornal da Noite, na Band. Sua trajetória profissional inclui quatro anos no SporTV, do Grupo Globo.

Em outubro de 2018, Cynthia fez um post no Twitter para ressaltar o visual afro. ‘E num é que vai ter preta de cabelo trançado em bancada de telejornal? Segura essa, sociedade!’, escreveu.

Quem também está em clima de expectativa é Luciana Barreto, primeira âncora negra contratada pela CNN Brasil. O canal de notícias deverá entrar no ar em novembro.

Com passagens por Futura, TV Brasil, Band, BandNews e GNT, a jornalista fez mestrado em Relações Étnico-Raciais e usa a visibilidade na mídia para militar contra preconceitos.

Na RedeTV!, a jornalista Luciana Camargo faz trabalho relevante como correspondente nos Estados Unidos.

Recentemente, recebeu um prêmio em reconhecimento pela atuação profissional.

O currículo de Luciana inclui trabalhos como apresentadora e repórter na TV Cultura, Band, Gazeta e Globo, além de locuções comerciais.

Joyce Ribeiro ficou famosa ao comandar telejornais no SBT. Hoje apresenta o Jornal da Cultura Primeira Edição.

Em setembro de 2018, se tornou a primeira jornalista negra a mediar um debate presidencial no Brasil. O evento foi realizado pela TV Aparecida.

Nas manhãs da GloboNews, Aline Midlej surge à frente do Edição das 10 junto com Raquel Novaes. Anteriormente, foi uma das âncoras do Café com Jornal, na Band.

Na Globo está a precursora entre as jornalistas negras do telejornalismo brasileiro. Gloria Maria apareceu pela primeira vez no vídeo em 1971. Foi uma desbravadora.

Como repórter e apresentadora, ela abriu espaço para o avanço de colegas como Zileide Silva (repórter especial em Brasília e apresentadora eventual do Jornal Hoje) e Maria Júlia Coutinho.

Aos 41 anos, Maju se firma como grande estrela do telejornalismo atual. Estreia no comando do Jornal Hoje em setembro, após seis anos em diferentes funções na emissora.

Em um universo no qual o domínio era de homens brancos até poucas décadas atrás, as mulheres negras derrubam barreiras e estigmas.

Acima, Joyce Ribeiro e Aline Midlej; abaixo, as precursoras Gloria Maria e Oprah Winfrey: batalha árdua para realizar o sonho de fazer telejornalismo (Foto: Imagem retirada do site Terra)

Em outros tempos, teriam que alisar os cachos e usar maquiagem inadequada ao seu tom de pele.

Hoje, exibem orgulhosas os cabelos crespos – quem alisa o faz por opção, não sob pressão – e contam com cosméticos que valorizam sua beleza.

Referência de talento e autoestima para todas elas, a norte-americana Oprah Winfrey afirma que “a competência é o melhor impedimento para o racismo e o sexismo”.

Ela, que em 1973, aos 19 anos, se tornou a mais jovem e primeira afro-americana a comandar um telejornal nos Estados Unidos, mostrou ao mundo que a comunidade negra tem o direito – e mérito – de ser representada na TV.

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