‘Negros fedidos, crioulos fedorentos, raça impura’, diz mulher a família negra em metrô de Belo Horizonte

Injúria racial aconteceu neste domingo (5). De acordo com a Polícia Militar, a suspeita, Adriana Maria Lima de Brito, de 54 anos, foi levada para a delegacia. Polícia Civil confirmou prisão.

Mãe, pai e filha foram vítimas de injúria racial, no metrô de Belo Horizonte, na tarde deste domingo (5). De acordo com eles, os ataques racistas começaram na Estação Central e seguiram até a Estação José Cândido da Silveira, no bairro Santa Inês na Região Leste da capital mineira.

Segundo informações do boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar (PM), a suspeita, Adriana Maria Lima de Brito, de 54 anos, começou os xingamentos assim que a família, que voltava de um passeio na Feira Hippie, embarcou em um dos vagões do metrô.

Ainda, de acordo com o documento, as vítimas relataram que a mulher proferiu ofensas dizendo: “Negros fedidos, crioulos fedorentos, raça impura. Vocês não poderiam estar no mesmo ambiente que nós. Vocês deveriam ter descido do metrô, pretos fedorentos”.

Imagens filmadas por testemunhas mostram outros momentos em que a suspeita, aos gritos, falava: “Eu sou racista. Eu sou racista”.

Uma das vítimas afirmou que a mulher chegou a dizer que “o sangue que corre na minha veia não é o mesmo que corre na sua”.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que a mulher foi autuada pelo crime de injúria racial e foi encaminhada ao sistema prisional, onde segue à disposição da Justiça.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) não confirmou se a suspeita deu entrada no sistema prisional nesta manhã.

A CBTU, que administra o metrô, disse que o segurança acompanhou as vítimas e a infratora até a chegada da Polícia Militar. E que “permanece à disposição para contribuir com a investigação dos fatos”. “A Companhia declara que repudia qualquer ato de injúria racial e lamenta o ocorrido”.

Família espera por justiça

Mãe, pai e filha foram vítimas de injúria racial, no metrô de Belo Horizonte, na tarde deste domingo (5). De acordo com eles, os ataques racistas começaram na Estação Central e seguiram até a Estação José Cândido da Silveira, no bairro Santa Inês na Região Leste da capital mineira.

Segundo informações do boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar (PM), a suspeita, Adriana Maria Lima de Brito, de 54 anos, começou os xingamentos assim que a família, que voltava de um passeio na Feira Hippie, embarcou em um dos vagões do metrô.

Ainda, de acordo com o documento, as vítimas relataram que a mulher proferiu ofensas dizendo: “Negros fedidos, crioulos fedorentos, raça impura. Vocês não poderiam estar no mesmo ambiente que nós. Vocês deveriam ter descido do metrô, pretos fedorentos”.

Imagens filmadas por testemunhas mostram outros momentos em que a suspeita, aos gritos, falava: “Eu sou racista. Eu sou racista”.

Uma das vítimas afirmou que a mulher chegou a dizer que “o sangue que corre na minha veia não é o mesmo que corre na sua”.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que a mulher foi autuada pelo crime de injúria racial e foi encaminhada ao sistema prisional, onde segue à disposição da Justiça.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) não confirmou se a suspeita deu entrada no sistema prisional nesta manhã.

A CBTU, que administra o metrô, disse que o segurança acompanhou as vítimas e a infratora até a chegada da Polícia Militar. E que “permanece à disposição para contribuir com a investigação dos fatos”. “A Companhia declara que repudia qualquer ato de injúria racial e lamenta o ocorrido”.

Família espera por justiça

“Em um país desse, em pleno ano de 2022, ainda tem gente fazendo essas coisas?”. O desabafo foi feito pela autônoma Leni Rodrigues, em entrevista à TV Globo, na tarde desta segunda-feira (6).

Leni estava no metrô acompanhada do marido, Alexandre Elias Rodrigues, de 55 anos, e da filha, Isabelle Cristine Rodrigues, de 25. Eles voltavam da Feira Hippie, onde fizeram compras para os preparativos do casamento da jovem, quando sofreram ataques de injúria racial.

Dentro do vagão, ainda na Região Central de Belo Horizonte, a mulher, identificada como Adriana Maria Lima de Brito, de 54 anos, começou a ofender a família.

“Ela falou que não sabia o que ‘esses crioulos’ estavam fazendo dentro do vagão. Disse que crioulo tem que morrer. Era um dia feliz. Estava todo mundo feliz, todo mundo rindo. Aí a gente se depara com uma pessoa dessa? É muito triste!”, disse Isabelle.

Indignados, os passageiros começaram a gravar e a divulgar os vídeos nas redes sociais. Em um deles, a mulher dança fazendo provocações. “Eu sou racista, eu sou racista, eu sou racista”, dizia.

Em um tom ainda mais agressivo, afirmou: “eu não sou da sua raça, eu não sou da sua raça”.

“Na hora me deu tristeza e raiva, ao mesmo tempo. Se fosse só comigo, eu não importava, mas como ela começou a ofender meu pai e minha mãe, fiquei nervosa”.

Na Estação José Cândido da Silveira, os seguranças da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), responsável pelo metrô da capital, entraram no vagão e pediram pra que a mulher saísse, mas ela se recusou. Uma viatura da Polícia Militar foi chamada.

Agora, a família espera que a agressora seja punida.

“Nós somos seres humanos iguais a todos”, disse emocionada a autônoma Leni Rodrigues.

+ sobre o tema

Cultura do ódio, a violência nossa de cada dia

Qual sentido em discutir e divulgar de modo sensacionalista...

Nunca fui tão humilhado, diz confeiteiro que acusa segurança de racismo

“Muita vergonha”. Foi assim que o confeiteiro e cake...

Grafiteiros russos protestam contra a xenofobia e o racismo no país

Grupo 'Voyna' se tornou porta-voz do descontentamento popular no...

Núcleo de Consciência Negra na USP: Afastamento, não basta

Nota de Repúdio do Núcleo de Consciência Negra na...

para lembrar

A guerra em que os que morrem são os mais pobres

Por Mauro Santayana Falta identificar as forças beligerantes...

Cota beneficiou mais de 5 mil negros na UnB

O Sistema de Cotas para Negros da Universidade...

O racismo cotidiano, os racistas e a certeza da impunidade

Pedagoga gravada fazendo ofensas racistas foi presa, pagou fiança...
spot_imgspot_img

Educação escolar de negros com deficiência é marcada por capacitismo e racismo

Apesar da acessibilidade ser um direito garantido por lei para as pessoas com deficiência, a falta de ambientes acessíveis foi um dos principais problemas...

Em ‘Sitiado em Lagos’, Abdias Nascimento faz a defesa do quilombismo

Acabo de ler "Sitiado em Lagos", obra do ativista negro brasileiro Abdias Nascimento, morto em 2011, no Rio de Janeiro. A obra, publicada agora pela...

Registros de casos de racismo aumentam 50% entre 2022 e 2023 no estado de SP

Números obtidos via Lei de Acesso à Informação pela TV Globo, mostram que o número de ocorrências registradas por racismo e injúria racial tiveram alta...
-+=