Nos EUA, desigualdade de gênero custa US$ 480 mil ao longo da carreira

WASHINGTON – Uma organização sem fins lucrativos dos EUA colocou na ponta do lápis o custo de ser mulher em um ambiente de trabalho marcado pela desigualdade de salários, e o valor é alto. Ao longo de uma carreira de 40 anos, uma trabalhadora americana ganhará US$ 480.430 a menos que um colega homem.

Do Extra

Os dados foram calculados pelo Centro Nacional de Direito da Mulher (NWLC, na sigla em inglês) com base em informações do Censo americano e não consideram a inflação, nem avanços nas próximas décadas. Nos EUA, a renda das mulheres equivale a 79% da dos homens. Recentemente, o governo do presidente Barack Obama anunciou medidas para diminuir essa discrepância. Uma delas obriga as empresas a relatarem os salários pagos, de acordo com o gênero, raça e etnia dos funcionários.

— Estamos em um momento onde mulheres têm conquistado um espaço cada vez maior na força de trabalho, e há um sólido reconhecimento de que seus salários são importantes não só para elas, para para a segurança econômica de suas famílias — disse Fatima Goss Graves, vice-presidente sênior da NWLC, em entrevista por telefone à Bloomberg.

A discrepância de salários ocorre não só em carreiras tradicionais, mas também no mundo das celebridades. Na semana passada, cinco das maiores jogadoras de futebol dos EUA acusaram a federação que regula o esporte no país de pagar menos para mulheres que para homens. No ano passado, a atriz Jennifer Lawrence discursou, durante a cerimônia do Oscar, sobre a discrepância entre cachês em Hollywood, de acordo com o gênero.

Fatima Goss destacou a importância desse tipo de posicionamento:

— Temos visto várias figuras proeminentes chamar atenção para a desigualdade de salários e isso é crítico, porque mostra que nenhum setor é imune a isso.

O estudo considerou também outros fatores de discriminação. Segundo a pesquisa, a raça é determinante para a disparidade de salários nos EUA. Na capital Washington, uma mulher negra ou latina ganhará, durante uma carreira de 40 anos, de US$ 1,6 milhão a US$ 1,8 milhão a menos que um homem branco, não-hispânico.

— Elas estão lidando com duplas barreiras, de discriminação de raça e gênero. Parte disso é a concentração de mulheres não brancas em alguns dos segmentos que pagam menos. Elas ainda representam uma parcela pequena dos trabalhadores de setores com ganhos mais altos — analisa a representante da ONG.

No Brasil, a situação de mulheres negras também é de maior vulnerabilidade. Reportagem do GLOBO publicada na semana passada com base em um levantamento da Fundação Getulio Vargasmostrou que as mulheres negras, do interior do Norte e Nordeste, com até 24 anos de idade e menos de quatro anos de estudo têm maior probabilidade de trabalharem sem carteira assinada. Homens brancos, com idade entre 25 anos e 49 anos, com pelo menos o Ensino Médio, estão na outra ponta do espectro, com mais probabilidade de ter um trabalho formal.

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