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Nota de preocupação e repúdio

Carta Aberta à Drª Gilda Carvalho

Ministério Público Federal

NOTA DE PREOCUPAÇÃO E REPÚDIO

 

 

Temos acompanhado com muita preocupação o pronunciamento de José Bonifácio de Oliveira, o Boninho, diretor do programa de reality show BBB (Big Brother Brasil), da TV Globo.

O pronunciamento do “Boninho”, antes da estréia do programa, cuja fala e repercussão anexamos, não poderia ser mais evidente – é um estímulo à violência na nova edição do BBB, em sua 11ª. edição.

Provavelmente preocupado com os índices de audiência do programa e, querendo reerguê-los, Boninho explicitamente “liberou a pancadaria” nesta edição, provavelmente apostando na tradicional espetacularização da violência, receita já bastante usada pela grande mídia, sem qualquer respeito aos direitos humanos.

Acreditamos que, por ser uma concessão pública, e pela sua importância como educadora informal, pelo respeito devido aos telespectadores, cabe à televisão se pautar pelos mais altos interesses da sociedade e pela responsabilidade social que o poder que detém com a concessão lhe confere.

Não nos interessa a banalização da violência na mídia, que tem servido de estímulo para a sua reprodução na sociedade em que vivemos, numa espiral infernal que nos distancia do modelo de sociedade livre de violência na qual gostaríamos de viver.

A violência contra a mulher é um mal que queremos erradicar, pelo que temos militado há décadas. Os acordos e protocolos internacionais firmados pelo Brasil, a luta implementação da Lei Maria da Penha veio coroar os nossos esforços no sentido de tentar inibir tal violência. Seria portanto altamente prejudicial e contraditório que a mídia estimulasse a violência, tão-somente para melhorar os seus próprios índices de audiência! As mulheres querem, merecem, precisam e têm o direito de viver numa sociedade livre de violência de gênero e de qualquer forma de opressão.

Nos parece igualmente prejudicial a nossos interesses, caso a mensagem do Boninho não vise estimular a violência contra as mulheres, mas “a pancadaria” entre os homens.

A banalização e espetacularização da violência tem servido de estímulo para mais-violência na sociedade. Como mães, namoradas, filhas, companheiras, irmãs, amigas, mulheres em geral, não somos a favor da violência – nem entre os gêneros, nem intra-gêneros. Não vemos o menor sentido em “liberar a pancadaria” num programa de grande audiência, sabedoras que somos do estímulo que isso representa para os jovens e adultos.

As masculinidades não devem ser medidas pela violência e é importante ter em mente que não podemos oferecer tais modelos, para muitos jovens que se identificam com esse programa. Finalmente, dizem bem os psicólogos sobre a contribuição destas cenas na formação da subjetividade das crianças, quando não também dos adultos – motivo de nossa preocupação.

Finalmente, por se tratar de um reality show, o programa passa cenas como sendo cenas da vida real, selecionada para estar na mídia. Neste contexto, essa violência, pancadaria estimulada, seria ainda mais nociva à sociedade brasileira, do que a presenciada em filmes e telenovelas, notadamente mais ficcionais.

Assim, exigimos a retratação imediata e pública da “liberação” dada pelo diretor do programa aos componentes do mesmo, bem como sugerimos medidas preventivas, que se contraponham ao discurso proferido, entre as quais recomendamos:

– a veiculação de uma campanha de não-violência (uma geral, e outra, de gênero),

– uma atenção redobrada no sentido de minimizar a quantidade de cenas de violência na programação geral das emissoras de TV e, particularmente, no BBB11.

POR UMA SOCIEDADE LIVRE DE VIOLÊNCIA!

PELO DIREITO DAS MULHERES Á VIDA LIVRE DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO!

PELA RESPONSABILIDADE SOCIAL DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO!

NOME CPF OU RG ENTIDADE (SE FOR O CASO)

Rachel Moreno 473.256.828/91 Observatório da Mulher e

Campanha pela Ética na TV

Mercedes Lima 536.117.488.20 Colet. de Mulheres Ana Montenegro

Instituto Alana

Campanha pela Ética na TV – SP

Sulamita Esteliam MG02213JP A tal mineira.wordpress

Rita Moreira CPF 001067428-41 Observatório da Mulher

Rubia Abs da Cruz RG 3008714424 e

OAB/RS 40.946 Themis Assessoria Jurídica e

Estudos de Gênero

Sandra Mariano RG: 6747584X/SP Articulação Popular e Sindical de Mulheres Negras/SP

Joana D’Arc de Moraes Santana CRERJ/OMB: 11.924 Anas do Brasil – Educação

Popular Ampliada

Bia Barbosa RG: 29.367.141-2 Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e Campanha pela Ética na TV

Maria Inês Amarante RG: 6.024.260-7 SSP-SP AMARC-BRASIL (Associação Mundial de Rádios Comunitárias)

Adriana Benedikt RG 3462046-8

Ana Maria Bittencourt Viana Forum da Mulher Tocantinense;

Jornal MULHERES/

Jornal H; Palmas/Tocantins

Francilene Guedes RG 500303 SESEG/Amazonas

Vanda Maria Menezes Barbosa RG 344.693 SSP/AL Rede Mulher e Democracia –Alagoas

Terezinha Vicente Ferreira RG 7.824.352-X SSP/SP Ciranda Brasil de Comunicação Compartilhada

Lilian Nabuco RG 01641780-0 FCS da Universidade do Estado do

Rio de Janeiro – UERJ

Léa Amabile de Queiroz Telles RG 78618198 Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher – Americana – SP

Cláudia Patrícia de Luna RG – n. 19427543-4 Elas por Elas – SP

Talita Suelen Zanetti de Carvalho R.G. 33.470.764x Jornalista MTB 49384/SP

Paula Theodoro RG 35116574-5 Movimento D´ELLAS – RJ

Sandra Muñoz RG : 59999949 Diretora da FAMEB – Federação das Associações de Moradores da Bahia – Filiado a CONAM

Coordenadora Estadual do GT de Feminização e Epidemia da AIDS/DST; LesbiBahia – Articulação Baiana de Lésbicas e Mulheres Bissexuais

Vera Machado RG 8658410-8 Secretária de Mulheres do PT e Conselheira Nacional dos Direitos da Mulher

Maria Soleneide Rodrigues

do Nascimento RG 02600409-75 Forum de Mulheres de Lauro de Freitas – Bahia

Ana Maria Bittencourt RG 54.154 900 – 5 Jornal Mulheres

Telia Negrão RG 5082457952 Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos

Eloá Muniz RG 5021937511 Feminal Mulher – Porto Alegre – RS

Danda Prado Editora

Reiko Miura, jornalista CPF 626298678-20

Luciana Nobile, Dra. RG: 5.397.697 SSPSP CREMESP 34.809

Eunice Gutman Via TV Mulher

Elizabeth R. Nogueira de Andrade RG. 5109 183 -5

Silvana Veríssimo RG 19377368 SSPSP Fórum Nacional de Mulheres Negras/MSP Brasil

Lina Efigenia Barnabé Cruz RG 4 755 557-9/SSP-SP SEPESP – Sindicato dos Escrivães de Polícia do Estado de São Paulo e

FEMNSP – Fórum Estadual de Mulheres Negras de SP

Rosa Maria Moledo de Souza RG 121760121 C.M Ana Monte Negro

Nayara Alves da Silva RG 1133306349 Brasilia –DF

Angela Fontes RG 2.292.849 IFP/RJ / Fórum Feminista do Rio e AMB Rio

Wagner Nabuco Diretor Geral Revista Caros Amigos

Sérgio Miletto DocLine

Anike Laurita de Souza 028.389.459-80

Débora Gutierrez 43.882.018-6

Renata Rocha Marassa Brandolizi 436472429

Pâmela Yuri Azevedo Morimoto RG 44037254-9

Fulvia Fiore RG 34258329-3

Elza Maria Campos Coordenação Nacional da UBM

Alice Oliveira RG: 9820974/7 ICV – Instituto de Capacitação para a Vida

Marcyanna Gomes da Silva CPF:559.891.363/15 ICV – Instituto de Capacitação para a Vida

Enilda Suzart RG 87773545 SSPSP Historiadora

Sandra Regina Nazaré Abreu RG:0178426032 AMMIGA (associação de mulheres amiga de itinga)

 

Fonte: Lista Racial

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