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Nova pesquisa revela ‘localização exata’ do aparecimento do homem moderno

Cientistas localizaram a “terra natal” do homem moderno em uma região ao sul do Rio Zambeze, no norte da atual Botsuana, na África.

Por Helen Briggs, do BBC

A paisagem da região é muito mais árida hoje (Foto: GETTY IMAGES)

A área é atualmente tomada por salinas, mas já abrigou um enorme lago, que pode ter sido nosso lar ancestral há 200 mil anos.

Nossos ancestrais habitaram essa região por 70 mil anos, até que o clima local mudou, sugere um estudo publicado na revista científica Nature.

Eles começaram a se deslocar por meio de “corredores verdes” de terras férteis, abrindo caminho para futuras migrações para fora da África.

“Está claro há algum tempo que os seres humanos anatomicamente modernos apareceram na África há cerca de 200 mil anos”, afirmou a professora Vanessa Hayes, geneticista do Instituto Garvan de Pesquisa Médica na Austrália.

“O que se debate há muito tempo é a localização exata desse surgimento e a subsequente dispersão de nossos ancestrais mais antigos”.

As conclusões da professora Hayes despertaram ceticismo, no entanto, entre outros pesquisadores da área.

Região de lagos

A área em questão está localizada ao sul da bacia do Rio Zambeze, no norte de Botsuana.

Os pesquisadores acreditam que nossos ancestrais se estabeleceram perto de um imenso sistema de lagos da África, conhecido como Lago Makgadikgadi, que hoje é uma área de vastas salinas.

“É uma área extremamente grande, teria sido muito úmida e exuberante”, disse Hayes. “E isso realmente forneceria um habitat propício para os seres humanos modernos e a vida selvagem viverem”.

Após viverem lá por 70 mil anos, eles começaram a migrar. Uma mudança nos regimes de chuva na região levaram a três ondas de migração há 130 mil e 110 mil anos, impulsionadas pelos “corredores verdes” de terras férteis que foram se abrindo.

Hayes aprendendo a fazer fogo com os caçadores Jul’hoansi no Deserto de Kalahari, na Namíbia (Foto: CHRIS BENNETT, EVOLVING PICTURE, SYDNEY, AUSTRALIA)

Os primeiros migrantes se aventuraram rumo a nordeste, seguidos por uma segunda onda de migração que se dirigiu para sudoeste — uma terceira parte da população permanece em sua terra natal até hoje.

Esse cenário é baseado no rastreamento genético da árvore genealógica humana, realizado por meio da análise de centenas de amostras de DNA mitocondrial (o fragmento de DNA passado adiante pela linhagem materna — de mãe para filho) de africanos vivos.

Combinando genética com geologia e simulações de modelos climáticos pelo computador, os pesquisadores conseguiram criar uma imagem de como poderia ser o continente africano há 200 mil anos.

Reconstruindo a história humana

O estudo foi recebido, no entanto, com cautela por um especialista, que afirma que não é possível reconstruir a história da origem humana apenas com base no DNA mitocondrial.

Outras análises geraram resultados diferentes — descobertas de fósseis sugerem que a origem remete à África Oriental.

O professor Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, que não participou do estudo, afirmou que a evolução do Homo sapiens foi um processo complexo.

“Você não pode usar distribuições mitocondriais modernas isoladamente para reconstruir uma única localização para as origens humanas modernas”, disse ele à BBC News.

“Acho que se está exigindo demais dos dados. Como você está olhando apenas para uma pequena parte do genoma, não é possível traçar a história completa das nossas origens”.

Neste contexto, poderia ter havido vários “berços da humanidade”, em vez de apenas um, que ainda não foram localizados.

Marcos evolutivos da história da humanidade:

– Há 400 mil anos: os neandertais (nossos primos evolutivos) começam a surgir e a se deslocar pela Europa e Ásia.

– De 300 mil a 200 mil anos atrás: Homo sapiens (homens modernos) aparecem na África.

– De 50 mil a 40 mil anos atrás: os homens modernos chegam à Europa.

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