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O que aprendi sobre liderança com o CEO do LinkedIn

O conceito de liderança de Jeff Weiner se baseia em três pilares: consciência, síntese e inspiração

Por Heiko Hosomi Spitzeck, do Época Negócios

JEFF WEINER, CEO DO LINKEDIN (FOTO: MATT WINKELMEYER/GETTY IMAGES)

Graças a um convite do Aspen Institute tive a oportunidade de conhecer o Vale de Silício um pouco mais de perto. Começamos a visita com uma conversa com Jeff Weiner, CEO do LinkedIn. A conversa foi moderada pelo VP de pessoas, Brian Rumao.

Brian é um intraempreendedor que participava no programa de First Movers do Aspen Institute em 2018 com um projeto que visa usar tecnologia para criar mais oportunidades para comunidades carentes.

Quem já viu a nova serie de Bill Gates no Netflix sabe que as conversas começam com perguntas rápidas. Snack favorito: blueberries com granola, melhor site de notícias: Axios. Característica mais importante de um líder: inspiração.

O conceito de liderança de Jeff se baseia em três pilares: consciência, síntese e inspiração.

De acordo com ele, consciência plena considera sua forma de liderar a si mesmo, a sua equipe e a sociedade. No começo da carreira, Jeff muitas vezes criticou outros por não seguirem suas sugestões ou simplesmente por não entregarem o trabalho do jeito que ele queria. Ao longo dos anos, percebeu que o problema era ele mesmo e que essa forma de trabalhar afetava negativamente a eficiência da equipe. Ele se descobriu um líder egocêntrico. Um líder egocêntrico sempre percebe o mundo da sua perspectiva e julga outros.

Com essa mentalidade, você foca nas fraquezas dos outros e nunca alavancará o potencial da sua equipe. Como antídoto, recomenda treinar sua compaixão. Chave nisso é deixar o ego de fora e ouvir atentamente ao outro, entender o que motiva as pessoas, quais são seus medos. O risco: se as pessoas não se sentem ouvidas, elas se sentem frustradas e irritadas. Por isso, a dica dele é: gerencie com compaixão! Ele tenta observar seu próprio comportamento em situações em que sente irritado ou quando aparecem conflitos. Isso é crítico não só na organização onde você trabalha mas também em casa – sobretudo com seus filhos. Jeff diz: “Crianças precisam de educadores e não de juízes”.

Síntese é importante para analisar todas as informações da sua consciência. No final, consciência sozinha não ajuda se não consegue orientar a ação. Inspiração é a parte mais importante. Com base na consciência e síntese, é cada vez mais importante criar uma narrativa que inspire as pessoas.

Uma das perguntas direcionadas a Jeff era: o que você quer aprender este ano? A resposta: resolver o gap de network. O network gap é uma das consequências não-intencionais de uma rede como o LinkedIn. Você sabia que pessoas que crescem em bairros mais nobres têm nove vezes mais chances de arrumar um emprego que pessoas de bairros mais humildes? Se pergunte: quantos de seus empregos você conseguiu com a recomendação de alguém? Pois é! Só que pessoas inteligentes e trabalhadoras que nascem em outro lugar não conseguem essas recomendações. Isso é o network gap – a falta de conexões importantes dependendo de onde você nasceu.

O tema incomodou Meg Garlinghouse, diretora de Impacto Social do LinkedIn. Ela se deu conta de que em todas entrevistas de recrutamento, conversou com pessoas da mesma rede, da mesma cor de pele e que pensam igual que ela. Espontaneamente, ela decidiu se desafiar a contratar a primeira pessoa fora da rede dela. Depois da palestra, ela foi abordada por uma mulher negra que queria ser a primeira e foi contratada! A base dessa experiência LinkedIn lançou o Plus One Pledge. O compromisso desafia pessoas do LinkedIn a contratar pelo menos uma pessoa fora da rede tradicional. E eles estão desafiando outras empresas a fazer a mesma coisa. Imagine se milhões de colaboradores começam a contratar os primeiros Plus One – isso podia fomentar a inclusão social de maneira significativa.

A diferença entre gerente e líder é inspiração! Achei o Plus One Pledge do LinkedIn uma narrativa muito inspiradora e por isso queria compartilhá-la com você. Um dos temas mais desafiadoras que confrontamos no Brasil é a inclusão social. O coeficiente GINI, que mede a desigualdade de renda, melhorou significativamente no Brasil até 2015 e piorou desde então. Samuel DiPiazza, CEO da consultoria PWC entre 2002 e 2009, diz numa entrevista: “Não tem bom negócio em sociedades fracassadas”. Na próxima vez que você contratar uma pessoa, reflita que tipo de Brasil você esta apoiando com essa contratação e se você está de frente à oportunidade de contratar seu primeiro funcionário Plus One.

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