O que vem depois da geração tombamento

Relatos contínuos do Festival Latinidades 2016

Por Ísis Maria  do Mídia NINJA

Nós começamos a semana abrindo os caminhos para o bom andamento do festival, e declaro aqui: missão cumprida.

Naquele dia, mulheres pretas entregavam para mulheres que estavam na rodoviária dobraduras de coração com frases de carinho e empatia. Você é linda, preta, dizia o que eu ganhei.

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Ao longo dos dias, o ambiente tão acolhedor fazia as pretas desfilarem, lindas, dignas, empoderadas. Mas mais que isso, tranquilas, porque empoderadas elas são todos os dias, mas aqui ninguém ia falar do turbante, do cabelo, da cor do batom se não fosse para elogiar, diferente do que ouvimos nas ruas diariamente. Ninguém ali ia tentar deliberadamente oprimir ou ofender, porque ali o estímulo era tangível e pulsante para que elas se sintam donas do lugar que querem ocupar, se reconheçam senhoras do seu corpo, das suas tradições e ancestralidades e, principalmente para que avancem.

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E se essa geração do tombamento, que ao chegar na terra devastada da auto estima destruída se viu com mais ferramentas para reconstruir ao longo do o entendimento de negritude, beleza e bem, dextruidora meixmo. Se as jovens de hoje já são assim, as filhas delas já sabem que não foi Cabral que descobriu o Brasil e antes mesmo de chegar a idade escolas, graças a MC Carol, Mc Sofia, 12 anos, já sabe que é bonita e diferença disso para exótica. E sua princesa, diferente das nossas loiras e lisas, é a Rapunzel de dreads.

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O fato é: as crianças hoje tem referências negras muito mais positivas do que a que tínhamos. As mulheres que víamos nas novelas eram sempre as escravas. Isso pode até ser fundamentado como um retrato de uma época, mas limitante quando deixa a ideia de que você não pode ser nada além de subserviente, diminuída. As jornalistas negras que são âncoras, as cantoras, as empreendedoras, as mulheres do dia a dia presentes no Festival, todas elas se tornam os exemplos que elas seguirão.

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Muitas das crianças estavam elas na noite de sábado, vendo os shows, mas protagonizaram mais ainda no domingo, em seu bailinho próprio. Usando fantasias ou não, a ideia é treinar o tombamento. Tipo Elis MC, uma atração à parte, 5 anos, arrasando na dança mais que muitos adultos, totalmente ciente da sua negritude.

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Tanto ela quanto Sofia estão afrobetizando, empoderando, sendo exemplos para além das mulheres na TV, caminho para uma sociedade menos tacanha e liderando uma nova geração muito mais poderosa no combate ao racismo. O Festival Latinidades sabe disso e segue, ano após ano, sendo um campus de convergência de potências negras a explodir para mudar a realidade do povo negro no Brasil.

 

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