OBAMA: Parlamentares negros enfrentam desafio para usar influência no Congresso dos EUA

Kevin Lamarque/Reuters

Fonte: UOL Notícias –

Dez meses depois de o primeiro presidente negro dos Estados Unidos se instalar na Casa Branca, os parlamentares negros controlam algumas das mais poderosas posições no Congresso, mas enfrentam desafios para usar esta batalha por influência.

Houve algumas vitórias, como a garantia de que a verba de estímulo à economia chegasse às partes mais pobres do país, a expansão da lei de crimes de ódio e a tentativa de reduzir as disparidades no sistema de saúde. Mas, “em alguns aspectos, nossas estratégias ainda não representam o nosso próprio poder”, disse Benjamin Todd Jealous, executivo-chefe da National Association for the Advancement of Colored People, uma organização que atua na promoção dos direitos civis. “A comunidade dos direitos civis está acostumada a passar grandes textos legislativos”, disse ele. “Não estamos muito acostumados a ter o poder de transformar as propostas em 20 pedaçosdiferentes e incluí-los dentro de outros projetos de lei.”

Por gerações, os direitos civis foram inseparáveis dos políticos negros. O presidente Barack Obama, no entanto, se recusa a militar na causa negra tradicional. Assim, novos esforços para ajudar os afro-americanos – que continuam desproporcionalmente desempregados, encarcerados, sem saúde e com pouco estudo em relação aos brancos – devem partir dos 42 membros da bancada negra do Congresso.

“O objetivo é acabar com todas estas lacunas”, disse a deputada Bárbara Lee, presidente da bancada. “Quando você olha para estas grandes desigualdades sistêmicas, ainda não há justiça para todos.”

Devido aos recentes avanços entre os negros, sendo a eleição de Obama o maior de todos, há uma nova resistência contra esforços para ajudar a comunidade negra americana especificamente, disse Mary Frances Berry, professora de história da Universidade da Pensilvânia.

“Estávamos acostumados a suplicar”, disse Berry. “Agora eles [os congressistas] têm de ser espertos. Se querem fazer algo a respeito do desemprego, eles podem olhar para aqueles que têm as taxas mais altas. Se querem focar na educação, que foquem as piores taxas de aproveitamento. Não digam ‘estamos fazendo isso pelos companheiros negros’, digam ‘queremos focar onde há mais problemas’.”

Essa estratégia está sendo delineada há algum tempo, segundo o deputado James Clyburn, da Carolina do Sul, que é um dos parlamentares mais influentes no Congresso americano. Ele deu como exemplo uma emenda do pacote de recuperação econômica, na qual trabalhou junto com outro deputado negro, Charles Rangel, de Nova York. A meta era assegurar que 10% da verba de estímulo federal sejam gastos em áreas onde pelo menos 20% dos moradores vivem na pobreza.

“Estamos encontrando formas cada vez mais sofisticadas de criar políticas afirmativas de base não-racial”, disse ele.

Para Yvette Clarke, deputada pelo Estado de Nova York, a bancada age de forma a afetar “a química da legislação” ao garantir a inclusão de medidas para ajudar as minorias em projetos como a reforma da saúde e o pacote de estímulo à economia.

Mas Berry acredita que falta à bancada negra reunir líderes do setor privado, da educação e dos governos locais para lidar com os problemas enfrentados pela América negra. A professora universitária considera que a eficiência da bancada será julgada pelos resultados atingidos nas áreas da pobreza, educação e desemprego, entre outras.

“Vamos descobrir quão comprometidos eles estão e se eles têm uma solução para o que as pessoas precisam”, disse ela.

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