sexta-feira, julho 1, 2022
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Onde está Amarildo? – Por: Allan da Rosa

Fernando Frazão/Agência Brasil

no queixo grudado no peito, mãos pra trás e o nojo da vida

na testa no muro empedrado

na Aruanda do canavial e do escadão

na Uruca Pilantra Presepeira

no sonho gringo de um bangalô no morro

no culto, grogue, afiando a espora

na goteira de raiva que o infravermelho não chupa

na moenda, com seu caderno algemado

na escarro do tribunal mexendo o cafézinho

no calhamaço por dia, os mil réus pra cada um da defensoria

na fornada quentinha de jaulas pro ronco na barriga do medo

no dólar estirado num varal europeu com cheirinho de amaciante

na cotação da armadura e da escopeta na bolsa de valores

na guilhotina que rende uísque e jet ski

na obra, no túnel de um bilhão

nos 6 filhos pra desenhar o destino

na pacificação do rebanho

nas pálpebras ajoelhadas da vó que reza e não dorme

no sorriso maciço da alta patente

na angústia do que virá quebrar o cadeado do peito

no sorriso lacrimogêneo do amiguinho xerife

na apostila de todo ano pro concurso do cassetete

na masmorra, o balde encharcando a farda que não desceu o chicote

na poda, na tosa, na mordaça

em taboão da serra, em cajazeiras, em titanzinho, na restinga

na méxico 70, na barragem santa lúcia, no alto josé bonifácio, em dourados

en bajo flores, no harlem, in trenchtown, en pasankery sur, en tepito, en petare

nas viúvas que cavucam o deserto de atacama, buscando as caveiras da paz de pinochet

na penumbra da esperança

no 14 de maio de cada manhã

na cartilha primária enquadrando os réus primários, quase primatas, quase pelourinhos

no chacoalho avisando que pode ficar pior, enquanto arruma seu quepe

no eterno suspreto preferencial

 

Fonte: Revista Fórum

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