Projeto aumenta renda de mulheres negras de comunidades do Rio

Elas costuram, cozinham, dão oficinas e participam de eventos onde vendem seus produtos, ensinam a amarrar turbantes e falam sobre identidade cultural. Essas são algumas das atividades do projeto Nêga Rosa, desenvolvido em sete territórios do Rio de Janeiro e que atende diretamente a 240 mulheres nas comunidades da Mangueira, Barreira do Vasco, Chatuba de Mesquita, Arará, Jacarezinho, Manguinhos e Tuiuti.

Por Akemi Nitahara Do Agencia Brasil

De acordo com a coordenadora do projeto, Érica Portilho, trabalhando o empoderamento feminino por meio do empreendedorismo e da valorização da identidade, mulheres negras em situação de vulnerabilidade social, ex-presas, mães solteiras e portadoras de necessidades especiais conseguiram passar de uma renda mensal per capita de R$ 450 para R$ 1.500.

Para participar do projeto, as interessadas têm de preencher uma ficha. “A partir disso nós fazemos uma seleção. As outras ficam em um banco de espera. Mas, como nós temos várias atividades abertas, elas também acabam participando e, se houver alguma desistência, elas vão sendo encaixadas e a gente vai conseguindo parcerias em outros territórios”, destaca a coordenadora.

979714-rj08102015-_abr6067Érica Portilho conta que as participantes do projeto atuam como multiplicadoras do que aprendemTomaz Silva/Agência Brasil

Érica explica que a ideia é disseminar o máximo possível o conhecimento passado pelo projeto, que já recebeu prêmio da Fundação Banco do Brasil, do Favela Criativa. “Se a gente conseguiu desenvolver uma tecnologia social que foi reconhecida por uma fundação tão importante, a gente acha que ela deve ser disseminada. A gente vai ao território, faz uma prática de uma semana, 20 horas, e aí aquelas mulheres estão prontas para ensinar e multiplicar para outras mulheres.”

Andrea Soares costura, promove oficina de turbante e também participa da coordenação do Nêga Rosa. Para ela, um dos pontos mais importantes do projeto é o resgate da autoestima da mulher negra da comunidade. “Fazer o resgate da sua cidadania, porque hoje a gente tem dentro da escola o programa do estudo da cultura de uma outra etnia, mas isso não é contemplado, então com isso as crianças da comunidade ficam sem identificação. Então a ideia é trazer essa identificação para as mais velhas para que elas também possam replicar com os seus filhos.”

979712-rj08102015-_abr6016Vanice Carrera viu no projeto uma oportunidade de fazer compotas para venderTomaz Silva/Agência Brasil

Uma das participantes do projeto, Vanice Carrera, que costura e cozinha, conta que o Nêga Rosa deu força e motivação para ajudar a superar o câncer que enfrenta há mais de dois anos. “Eu tive um problema de saúde e fiquei muito parada. E isso para mim caiu como uma luva, eu não consigo ficar parada, tem um caldo pra fazer, tem uma compota, um doce para entregar, umas costuras. Para mim tá sendo muito bom, passar para as outras pessoas o que eu aprendi. Estou levando, faço quimioterapia. Isso aqui é o que está me mantendo, é muito bom não parar, [é bom] saber que, mesmo com problema, você continua com forças, está sendo útil, produzindo.”

Érica ressalta que os espaços de trabalho montados pelo projeto, com cozinha e máquinas de costura, também podem ser utilizados pelas mulheres para produzir e fornecer para clientes independentemente do Nêga Rosa. Na Mangueira, por exemplo, onde o trabalho começou há um ano, são feitas faixas de cabelo e chapéus para a loja de souvenir da escola de samba da comunidade.

Segundo a coordenadora, o projeto também está em busca de parcerias na área de comércio eletrônico e em novembro começa a trabalhar com meninas de 12 a 18 anos que cumprem medida socioeducativa no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase). No dia 31 de outubro, o projeto Nêga Rosa vai ser anfitrião de uma feira na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) durante a Conferência de Juventude, na qual estarão presentes 30 empreendedores do estado do Rio de Janeiro.

Outro trabalho está sendo feito para o Comitê Olímpico Rio 2016. O Nêga Rosa venceu um edital de estamparia e vai fornecer 5 mil almofadas para o alojamento dos atletas. “Foram quatro projetos vencedores. A nossa estampa é uma samambaia do mangue, uma planta da flora brasileira. Atrás da almofada, vem contando a história do projeto, em português e inglês e vai ser uma almofada para os atletas levarem para o mundo inteiro”, destaca Érica.

+ sobre o tema

Uneb terá concurso com 221 vagas para professor

Inscrições começam no dia 12 de janeiro No ibahia A Universidade do...

Empresas pretendem contratar nº maior de mulheres após maternidade

O Brasil está um ponto percentual acima da média...

4 mil vagas no Rio para afrodescendentes

Governo oferece cursos gratuitos, com bolsa, para afrodescendentes ...

para lembrar

Stacey Abrams, uma voz negra e literária

A escolhida pelos democratas para replicar o discurso do...

A matança de mulheres negras

Os matadores são conhecidos, maridos ou namorados, atuais ou...

“O protagonismo feminino veio para ficar” por Benedita da Silva

Em artigo para a Fórum, deputada federal afirma que...

Portugual: Francisca Van Dunem, a primeira mulher negra a chegar a ministra

Procuradora há mais de 30 anos, conhece a Justiça...
spot_imgspot_img

Negra Li mostra fantasia deslumbrante para desfile da Vai-Vai em SP: ‘Muita emoção’

A escola de samba Vai-Vai está de volta ao Grupo Especial para o Carnaval 2024, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, neste sábado...

Livro põe mulheres no século 20 de frente com questões do século 21

Vilma Piedade não gosta de ser chamada de ativista. Professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e uma das organizadoras do livro "Nós…...

“O Itamaraty me deu uma bofetada”, diz embaixadora Isabel Heyvaert

Com 47 anos dedicados à carreira diplomática, a embaixadora Isabel Cristina de Azevedo Heyvaert não esconde a frustração. Ministra de segunda classe, ela se...
-+=