O pesquisador, percussionista e arte-educador José Renato Nunes, conhecido como Renato Ihu, faleceu no dia 14 de junho, aos 63 anos de idade. Renato deixa como legado uma vasta trajetória de pesquisa e ativismo em tradições culturais afro-brasileiras.
Renato Ihu dedicou mais de três décadas de sua vida à salvaguarda e difusão de culturas de matriz africana, especialmente na área de etnomusicologia ao pesquisar comunidades afro-brasileiras da região sudeste e suas tradições culturais, tais como jongo, batuque de umbigada e congada.
Era integrante da Associação Cultural Cachuera, iniciativa de ativismo cultural baseada no compromisso com a cultura tradicional afro-brasileira e suas comunidades produtoras. Participava ainda do Bloco Kazunji, bloco percussivo voltado para as tradições de rua e afro-brasileiras.

O pesquisador tinha experiência em projetos de registro documental e formação de educadores em relações raciais. Foi professor assistente no curso de Licenciatura em Arte-Teatro e do Bacharelado em Artes Cênicas na disciplina “Laboratório de Expressões Culturais do Brasil” na Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Na mesma universidade, foi integrante do Grupo Terreiro de Investigações Cênicas Teatro, Brincadeiras, Rituais e Vadiagens, voltado à pesquisa de manifestações cênicas da cultura popular brasileira. Foi também idealizador do projeto Territórios Negros de Música, Dança e Teatro, que promoveu formação de temas em educação etno-racial nas áreas da música, da dança e do teatro em instituições como Sesc, Itaú Cultural e coletivos negros de teatro da cidade de São Paulo.
Renato Ihu esteve conosco na construção do documentário “Geledés – Instituto da Mulher Negra comemora 30 anos de resistência” (2018), que destacou a atuação das mulheres da organização e seu empenho em moldar o feminismo e a luta por igualdade e justiça racial.

Neste momento de luto, Geledés se solidariza com a dor de familiares e amigos do pesquisador. Que o Orun receba Renato Ihu.