2ª Marcha do Dia da África denuncia violências e defende direitos de imigrantes  

27/05/26
Por Beatriz de Oliveira
Em entrevista ao Portal Geledés, a liderança Mariama Bintu Bah fala sobre a importância de combater o neocolonialismo e visibilizar as reivindicações de imigrantes africanos no Brasil

Nesta segunda-feira (25), foi realizada em São Paulo (SP) a 2ª Marcha do Dia da África. Promovido pela União Africana Alkeebulan, com apoio da Campanha pelo Fim da Operação Delegada e pelo Mandato da Vereadora Luana Alves, o ato buscou celebrar a importância histórica, política e cultural da África e da diáspora africana na formação do Brasil, além de denunciar o neocolonialismo e  as violências direcionadas às populações africanas imigrantes e refugiadas no Brasil. 

“África está presente na espiritualidade, culinária, cultura, estética, moda e arquitetura. Comemorar o Dia da África também é reconhecer e fortalecer a luta africana contra a colonização, imperialismo, neocolonialismo, racismo e xenofobia”, destaca Mariama Bintu Bah, atriz, liderança africana da Gâmbia e uma das fundadores da Marcha. 

A concentração do ato começou às 16h no Theatro Municipal e seguiu até a Câmara Municipal, onde foi realizado um ato solene, atividades artísticas e culturais. “Permitir aos africanos realizar as nossas vivências através da cultura e de marcações políticas de datas tão importantes também é nos permitir existir e sair do assistencialismo e apagamento histórico que o Ocidente colocou”, afirma Mariama. 

Entre as reivindicações do ato estava o fortalecimento da luta pela independência total dos países africanos, que continuam sofrendo com a opressão econômica, política e cultural de potências mundiais. 

A luta pela soberania dos países africanos e a erradicação do colonialismo europeu tem como marco o dia 25 de maio de 1963, quando foi criada a Organização da Unidade Africana (OUA), atual União Africana. É em razão deste marco histórico que o Dia da África é comemorado nesta data. 

“Antes de qualquer invasão colonial, a África existiu. Então, nossas narrativas como povo africano não começam só a partir das lutas como o Ocidente reconhece. Nossa africanidade existe a partir de existirmos como seres humanos e como berço da humanidade”, pontua.  

Segundo a liderança, o ato foi potente por reunir diferentes movimentos sociais em torno da causa dos imigrantes africanos no país, incluindo a luta contra o genocídio da população negra. Nesse sentido, os manifestantes mostraram indignação em relação ao assassinato de Ngagne Mbaye, trabalhador ambulante senegalês morto de forma brutal pela polícia durante uma ação de repressão ao comércio clandestino no bairro do Brás no dia 11 de abril. 

“Vamos lutar para honrar nosso povo e a nossa descendência e somar na luta antirracista”, destaca Mariama. Para ela, honrar esse continente significa valorizar suas pluralidades de etnias, territórios, culturas e economias, o que representa a contramão do estereótipo  reducionista que limita o continente à pobreza e a escassez.  

“A África é o ventre da humanidade. Se todo mundo chama África de mãe, todo filho tem o dever de honrar sua mãe. Mas não é isso que acontece. A Mãe África está entre as mais injustiçadas pelos seus próprios filhos”, resume.

Fotos: Tatiana Pereira

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