Geledés 38 anos: a importância de celebrar nossas realizações

30/04/26
Por Beatriz de Oliveira
No aniversário da organização, destacamos alguns lançamentos e ações realizadas em 2026 e reafirmando nosso compromisso com a justiça racial

Neste 30 de maio de 2026, Geledés – Instituto da Mulher Negra celebra seus 38 anos de trajetória. São quase quatro décadas de enfrentamento ao racismo e ao sexismo, bases de uma dilacerante e secular desigualdade social, ferida responsável por subtrair da população negra, em especial das mulheres, a possibilidade de acessar direitos básicos e alcançar uma vida digna.

Neste aniversário, celebramos nossas realizações, todas comprometidas com a construção de uma cidadania plena para o nosso povo. Abaixo, destacamos realizações recentes, concluídas ou previstas para 2026. 

Meninas negras e educação 

Iniciamos o mês com publicações dos produtos audiovisuais que realizados durante o ciclo formativo “O Direito à Educação das Meninas Negras”, promovido pela área de Educação e Pesquisa. A iniciativa reuniu jovens negras do ensino médio para um curso focado em fortalecer a defesa do nosso direito a uma educação de qualidade. Ainda este ano, área prevê um novo ciclo formativo em educação para estudantes  negras, de escolas públicas 

Atuação global

Em 27 de abril, lançamos a coleção “Incidência Internacional de Geledés”, com a participação de Luciana Servo, presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Silvio Albuquerque, embaixador do Brasil em Bruxelas, Jamil Chade, jornalista e analista internacional, Maira Junqueira, diretora de programa na Fundação Ford, Renata Braga, gerente de programas na Open Society Foundations, e Maria José Menezes, representante da Coalizão Negra Por Direitos.A obra é composta por dez livros que abordam a atuação exitosa da organização no âmbito das discussões globais.

“A publicação é motivo de muito orgulho e muita alegria para mim e para toda a equipe do internacional. Este grupo trabalhou incansavelmente até a chegada desse momento”, relatou Sueli Carneiro, coordenadora de Memória e Reparação, durante o evento. 

O material está disponível ao público na nossa biblioteca digital.

Comunicação antirracista 

No dia 28 de abril, ocorreu o lançamento do livro “Práticas Multimídias para uma Comunicação Antirracista”. A obra reúne aprendizados disseminados no Curso de Multimídia, formação promovida pela área de Comunicação Institucional de Geledés entre os anos de 2022 e 2023. As aulas visaram a produção de conteúdos com recortes de gênero e raça.

“Esse é um momento de celebração e de fechamento de um trabalho que começamos em 2021. O Curso de Multimídia surge a partir das experiências de Geledés com a juventude, e com o pensamento de como usar essas experiências no campo da comunicação”, relatou Natália Carneiro, coordenadora de Comunicação Institucional de Geledés, durante o encontro. 

“O lançamento dessa obra, fruto do trabalho desse projeto de formação de jovens, configura-se num marco muito simbólico desses 38 anos de atuação de Geledés” reforçou Maria Sylvia, coordenadora de Gênero, Raça e Equidade. 

Cuidado e ativismo  

Durante a manhã de quarta-feira, 29 de abril, o auditório de Geledés lotou para  acompanhar o lançamento da campanha “Cuidar como Prática Política – Quem cuida de quem cuida?”. Com realização da área de Formação, Cuidado e Emancipação, a iniciativa produzirá um guia com orientações relacionadas a  políticas de cuidado já existentes e as formas de acessá-las. 

“O mote ‘nossos passos vêm de longe’ define a caminhada das mulheres negras na busca da sua autonomia política, econômica e social. É nesse lugar que Geledés se insere, essa jovem senhora de 38 anos”, pontuou Nilza Iraci, coordenadora de Formação, Cuidado e Emancipação, durante painel sobre políticas de cuidado.

Defesa dos direitos das mulheres negras

No dia 11 de março, Geledés, junto às organizações Criola e SOS Corpo, firmou um acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU) em defesa dos direitos das mulheres negras. Entre outras determinações, as organizações vão fornecer insumos qualificados sobre a realidade de mulheres e pessoas negras para orientar a atuação do órgão. 

O pacto ocorreu durante o encontro “Todas e Todos Contra o Feminicídio”. Segundo Maria Sylvia de Oliveira, coordenadora de Gênero, Raça e Equida, “a iniciativa do Tribunal busca institucionalizar a incorporação das perspectivas de gênero e raça em sua atuação, reconhecendo a centralidade dessas dimensões para a qualificação do controle das políticas públicas”. 

Além disso, a área tem novidades previstas para esse ano: um projeto sobre a atuação das Promotoras Legais Populares (PLPs) em Geledés. As PLPs são líderes comunitárias formadas em conhecimentos teóricos e práticos sobre as leis e direitos das mulheres, atuando principalmente no auxílio às vítimas de violência doméstica. 

Nossa história no carnaval 2026 

Até 27 de maio, na sede de Geledés, é possível visitar a exposição “Gèlèdés – Agbara Obinrin: A Força que se Revela em Imagem”. A mostra reúne fotografias do desfile da Mocidade Unida da Mooca, escola que escolheu homenagear o  legado da organização em sua estreia no grupo especial de São Paulo.

O enredo “GÈLÈDÉS- Agbara Obinrin” teve a história do instituto como fio condutor e reverenciou a força feminina negra e brasileira. A mostra foi realizada numa parceria entre as áreas de Comunicação, Centro de Documentação e Memória Institucional (CDMI) e Formação, Cuidado e Emancipação.

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