segunda-feira, novembro 28, 2022
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Raça e racismo no Brasil contemporâneo, com Carlos Medeiros

diversidade humana: o valor das diferenças em um mundo compartilhado

no cpflCulutra

curadoria: benilton bezerra jr.

o que define a condição humana é a sua abertura ontológica. à medida que transformamos as condições materiais e as referências simbólicas em nossas sociedades, mudamos a percepção que temos de nós mesmos, dos outros e do mundo à nossa volta. a história humana é, em grande medida, a história dos valores éticos e estéticos, regras, normas, hábitos e leis que, ao longo do tempo, vão traçando e retraçando as cartografias que demarcam as fronteiras entre o prescrito e o proscrito, o normal e patológico, o legítimo e ilegítimo.

uma sociedade democrática precisa equilibrar os anseios de liberdade e auto realização dos indivíduos, por um lado, e as exigências impostas pela convivência social, por outro. não há caminho fácil para sustentar um projeto como esse. o que durante milênios foi universalmente aceito como natural e legítimo (a escravidão), se tornou repulsivo e intolerável. mas o preconceito racial é ainda uma praga. o que até a pouco era considerado como a tragédia de um indivíduo (a deficiência), passou a ser visto como uma questão de sustentabilidade social.  mas a exclusão imposta por um mundo feito para os “normais” é ainda imensa. o que por muito tempo, em muitos lugares, foi considerado desviante, criminoso ou patológico (práticas sexuais não hegemônicas) passou a ser visto como uma possibilidade legítima da sexualidade humana. mas a intolerância e a violência contra a diversidade sexual ainda faz parte de nosso cotidiano.

para construirmos uma sociedade aberta, livre, equânime e tolerante é preciso identificar nossos preconceitos mais arraigados, problematizar nossos valores éticos e estéticos, nossas noções de certo e errado, de normal e patológico, de diferente e deficitário.  só assim poderemos reconhecer o valor da diversidade na construção de um mundo efetivamente compartilhado, um mundo em que a pluralidade de crenças, tradições, estilos de vida, formas corporais, modos de organização subjetiva individual, relacionamento pessoal, práticas sexuais, laços de família, etc., possa ser percebida como expressão da riqueza da experiência humana.

o valor das diferenças para a construção de um mundo compartilhado – este será o tema do café filosófico cpfl durante o mês de agosto, sob a curadoria do psicanalista e psiquiatra benilton bezerra jr. (uerj) para refletir sobre essas questões.

no primeiro encontro, o curador apresentará o tema geral e abordará a construção das percepções da identidade e da diferença, da norma e da antinorma, tanto no plano da constituição subjetiva individual quanto no plano do imaginário social, para introduzir o debate em torno das fronteiras entre normalidade, atipia e patologia, e apresentar os tópicos dos três encontros subsequentes: o problema das relações raciais no brasil; a questão do direito à diferença e da responsabilidade coletiva em relação às deficiências; e as transformações no campo das práticas sexuais e das relações de gênero.

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