Tag: Questão Racial

A jornalista e comentarista da CNN Brasil Basília Rodrigues (Foto: Divulgação/ CNN)

Se fosse loira e de olhos azuis, você não estaria enchendo o saco dela

A imagem de uma mulher preta que analisa política é inusitada, tanto quanto rara, ainda mais quando coroada por seu black power. Por 12 anos cobri política pelo rádio, mas, em uma daquelas mudanças que dividem a vida entre o antes e o depois, decidi fazer televisão. Tudo isso ainda sem saber que faltavam poucos dias para o início do pior momento das nossas vidas: uma pandemia. Do contato diário pela voz com a notícia, agora sou um rosto, um cabelo, um corpo e, principalmente, uma cor. Enegreci a TV, e a editoria é de política —e não aquela em que negra é a cor padrão da tragédia brasileira. Agora, prazer, na condição de espectador da notícia, pergunto-lhe: você é racista? Muito provavelmente, após uma rápida reflexão, responderá que não. Obrigada. Não somente eu, mas a sociedade de mais de 200 milhões de pessoas negras e brancas agradece. Há 132 ...

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Desde a CF/88 há cotas para brancos e ricos e ninguém nunca questionou

Vira e mexe nós encontramos pessoas que condenam a reserva de vagas em concursos públicos para pessoas negras. Conforme definido na Lei 12.990/2014, os certames na esfera federal do governo devem preservar 20% de suas vagas para pessoas pretas e pardas. São as famosas cotas raciais. Muitas vezes, inclusive, eu vejo os termos “cota” ou “cotista” serem usados com cunho pejorativo. O que me intriga é que boa parte das pessoas que condenam as reservas têm uma elevada formação e, pasmem, nunca questionaram as cotas para brancos e ricos previstas desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. Não sabe do que eu estou falando? Deixe-me explicar. A CF/88 instituiu o chamado “Quinto Constitucional”, que reserva 1/5 das vagas nos tribunais regionais ou superiores para advogados e procuradores. Ou seja, eles podem se tornar desembargadores e julgar, primordialmente, os recursos interpostos contra as decisões das varas de primeira instância sem ...

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Vitorí da Silva (Foto: Arquivo Pessoal)

Internet como ferramenta revolucionária

“I woke up like this! We flawless, ladies, tell ‘em” “Eu acordei assim! Somos maravilhosas, garotas, falem pra eles” A música Flawless², conhecida na voz de Beyoncé em parceria com a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, a cantora, artista e compositora deixa visível a interferência da autoestima e protagonismo como ferramenta de impacto na estrutura. Nos dias de hoje, no mundo do agora, é essencial integrar imagens caracterizadoras de um passado recente ao futuro que cada vez evolui mais como um digital. O mundo on-line mistura-se com o off-line. Robôs e seres humanos. Isso é o que alguns chamam de: afrofuturismo. Com inteligência tecnológica, o afrofuturismo busca nesse novo, e único momento histórico, uma aproximação visando um compartilhamento de ideias, projetos, propostas e mais. O que contradiz os modelos de gestão capitalista, tal qual o de Henry Ford, que enfatizava a limitação da capacidade de produção humana. A relevância do protagonismo ...

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Adobe

Vozes que se não silenciam

Com a medida impositiva do isolamento social tão necessária ao combate da pandemia, as emoções semeadas por reflexões sobre o verdadeiro valor da vida vivificaram dentro de nós e comigo não foi diferente; sobretudo, com o episódio do homicídio torturante de um homem negro de 46 anos, estamos falando de George Floyd. Seguidamente, em resposta à atrocidade de sua morte, uma torrente de manifestações (composta por sua maioria de jovens) dispersara pelo mundo. Acompanhando essas manifestações pelas mídias, exalei, em dado momento, em desmedido choro cheio de memórias, de cicatrizes seculares cujas fendas, algumas tão latentes na pele endurecida, insistiam em talhar caminhos, gotejar o sofrimento vetusto de milhões de pessoas negras que tiveram suas vidas sequestradas; quase impossível não se comover com tal perversidade. Naquele momento, floresceu um desalento indignante, não o choro, porém, a causa dele. Entretanto, aquelas lágrimas havia uma fusão de revolta, de dor, de encantamento ...

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Foto: @NappyStock

Acervo Imediato: Projeto convida população negra a participar de repertório virtual baseado em suas memórias e vivências

Idealizado pela Denda Coletiva, o projeto Acervo Imediato convida pessoas negras a contribuírem com suas memórias e vivências para construção de um repertório virtual através do instagram. Os usuários da rede podem compartilhar histórias, vivências, experiências imagéticas ou um momento do seu dia que foi significativo utilizando a hashtag #acervoimediato e marcando a @dendacoletiva. A ideia é criar em conjunto um acervo digital colaborativo sobre memórias visuais ancestrais, afetivas, familiares e cotidianas. As publicações podem ainda servir de inspiração na produção artística que está sendo elaborada pelas artistas baianas Jamile Cazumbá, Safira Moreira e Shai Andrade, convidadas da Denda que, a partir da provocação “Como construir a memória do presente?” e imersão criativa, produzirão narrativas visuais apresentadas em uma Mostra Artística Virtual, no mês de abril. O objetivo é mobilizar, através da arte, novos regimes de identidade e representação, divulgando a produção artística de mulheres negras. Integrante da Denda e ...

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Dia Internacional contra a Discriminação Racial é marcado peça luta de pessoas negras (Foto: Imagem retirada do site G1)

Mulheres relatam luta contra o preconceito no Dia contra a Discriminação Racial

Ser seguida em supermercados, escutar ofensas sobre seus traços e passar por constrangimentos públicos são episódios em comum na vida de três mulheres negras de São Vicente, no litoral paulista. Neste domingo (21), é celebrado o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, e mulheres de diferentes idades relataram ao G1 os impactos do racismo e as consequências de anos de ofensas. A data foi criada pela Organização Nações Unidas (ONU) após o massacre de 69 pessoas na África do Sul, em 21 de março de 1960, durante manifestação contra o apartheid. "Estou grávida, e o pior foi uma mulher que me ofendeu em palavras, falando que eu era uma macaca, que estava carregando uma macaca", relembra a auxiliar de limpeza Geisa Ramos Alves, de 36 anos. A ofensa foi disparada durante um desentendimento, em fevereiro deste ano. A auxiliar relata já ter vivenciado outros episódios de racismo, como ser seguida ...

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PepsiCo quer formar líderes negros (Foto: Dellon Thomas por Pixabay)

PepsiCo quer 30% de pessoas negras em cargos de liderança até 2025

A PepsiCo reforça o compromisso global em prol da equidade racial firmado no ano passado e, com gancho no Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, comemorado em 21 de março (domingo), anuncia a meta brasileira de atingir 30% de pessoas negras em cargos de liderança até 2025. A empresa, que foi reconhecida como Top Employer em 2020 e 2021 por conta de suas melhores práticas de RH, incluindo Diversidade, Equidade e Inclusão, ampliará os investimentos em programas de incentivo e políticas internas voltadas para a atração e desenvolvimento de profissionais negros e negras no país. “Temos como valores o respeito e o incentivo à diversidade ao promover um ambiente inclusivo, que garanta a representatividade da sociedade e dos consumidores dentro da companhia. Sabemos que temos um longo caminho a percorrer em prol da diversidade racial, mas reforçamos o nosso compromisso traçando uma jornada que seguirá em ritmo acelerado, a partir ...

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Túmulos em cemitério na Vila Formosa (Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress)

Com pandemia, SP registra 25% de mortes a mais entre negros e 11,5% entre brancos em 2020

A Covid-19 foi muito mais mortífera entre pessoas negras do que entre as brancas no estado de São Paulo ao longo de 2020, quando 46,7 mil pessoas morreram em decorrência da doença no território paulista, mostra um estudo inédito da Vital Strategies com apoio do Afro-Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). Os dados colocam São Paulo, onde 40% da população é negra (preta ou parda), na liderança da desigualdade racial no país durante a pandemia de Covid-19 e extrapolam disparidades já existentes. A análise foi feita a partir de dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde) e do sistema de informação da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais e indica que o excesso de mortes registrado no estado entre os negros (pretos e pardos) foi mais do que o dobro do que aquele registrado entre os brancos. O excesso de mortes é o ...

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Anderson Mariano de Santana Santos (Foto: Reprodução/ Instagram)

Negros não viajam no tempo

Quem nunca respondeu a esta pergunta: Se você pudesse voltar no tempo, o que faria? Essa simples premissa já serviu de norte para histórias incríveis da cultura pop. Livros, filmes, séries, quadrinhos, a quantidade de narrativas que jogam seus personagens para algum período do passado é enorme. Normalmente, essas histórias estão envoltas a questões tecnológicas muito avançadas, tendo, muitas vezes, como personagens cientistas com grau elevado de conhecimento. Apesar de se basear no ficcional, parece que imaginar negros viajando no tempo é a ainda mais irreal do que a própria viagem em si. Talvez seja por que os negros não querem correr o risco de esbarrar no passado... talvez não. O cinema já construiu diversas narrativas de viagem no tempo em seus diversos gêneros. Comédia, terror, ficção científica, ação... Um bom roteirista consegue encaixar essa premissa em todos os gêneros possíveis. O primeiro registro de uma narrativa com essa temática ...

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Foto: EPA

Lugar de fala & A Fala do lugar

Em espanhol, quando queremos compartilhar a nossa opinião sobre o que faríamos se estivéssemos vivenciando a mesma situação que outra pessoa, nós dizemos: Yo que tú. Em inglês, nós calçaríamos os sapatos do sujeito para mostrar empatia e utilizaríamos a seguinte expressão: In your shoes, I would. Estar no lugar de alguém e/ou na pele de alguém não passam de expressões idiomáticas. Por mais que nos esforcemos para compreender uma situação, até mesmo aquelas pelas quais já passamos anteriormente, não podemos alcançar o completo sentimento que o outro pode ter acerca daquela situação, pois até mesmo os acontecimentos similares têm impactos diferentes para as pessoas. Uma situação que se repete para alguém pode ter resultados distintos a cada vez, considerando que sempre podemos aprender algo a partir do que vivenciamos. Em 2020, ouvi repetidas vezes a mesma expressão “lugar de fala”. Em contextos, quase sempre, relacionados às questões ou discussões ...

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Foto: Divulgação

Núcleo da Maré ao Luar apresenta espetáculo “Resiliência” em projeto aprovado na Lei Aldir Blanc

Temporada virtual de “Resiliência” terá parceria com a Rádio JHP (Jovens Haitianos Progressistas) De 12 a 21 de março de 2021, às sextas-feiras, sábados e domingos, sempre às 20h00, o Núcleo da Maré ao Luar, grupo de São Bernardo do Campo - SP, realiza apresentações virtuais do espetáculo “Resiliência” em seu canal do Youtube: bit.ly/nucleodamareaoluar “Resiliência” é um espetáculo criado a partir das memórias de vida de imigrantes haitianos, angolanos, congoleses e dominicanos, trazendo sua cultura e história para dar vida aos diálogos e narrativas, que mesclam o passado vivido por eles em suas terras natais e o presente, a esperança por uma vida melhor. O Núcleo da Maré ao Luar fará uma temporada virtual que contará com seis apresentações gratuitas e está programando uma ação especial com a Rádio JHP (Jovens Haitianos Progressistas) com sede no Bairro de Utinga, em Santo André, que atua fortalecendo laços com conterrâneos no ...

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Foto: Pedro Kirilos/Riotur

O Rio de janeiro continua… segregacionista

O samba de Gilberto Gil, intitulado de “Aquele abraço” não tem o mesmo teor desse texto, e certamente não é para ter, dado a diferença dos propósitos. Na música, Gil conta sobre uma característica muito clara do povo carioca, mas eu faço ao leitor duas perguntas: Que característica é essa?  Que povo é esse? Bom, como isso aqui não é uma conversa direta, onde o agente expositor faz uma pergunta e o agente receptor responde, cabe a mim responder a minha própria pergunta.  O Rio de Janeiro cantado por Gil, comunicativo e receptivo, é característico da classe popular da cidade. Aquela classe que não detém muitos privilégios e que enfrenta todos os dias a violação dos seus direitos mais básicos. Não digo aqui que outras classes não possam ser receptivas, mas destaco que o senso de comunidade precisou ser praticamente institucionalizado na classe popular. Com isso, percebo que personalidades comunicativas ...

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Foto: AdobeStock

“Sua raça é resistente à dor”: mulheres relatam racismo em atendimentos médicos

“Agora eu uso a desculpa da pandemia, mas na verdade o buraco é bem mais embaixo”. É desse modo que a estudante universitária Jé Hámãgãy, 23 anos, justifica o fato de estar evitando ir a médicos desde que o seu filho nasceu, há pouco mais de seis meses. Uma “desculpa”, como ela mesma diz, já que foi durante a pandemia que ela fez todas as consultas e exames de pré-natal, em hospitais públicos da Região Metropolitana de BH. Mas foi justamente nessas ocasiões, que Jé vivenciou uma série de situações racistas, que reviveram novos e velhos traumas de toda uma vida em atendimentos médicos. “São vários episódios, mas durante a gravidez foi pior. A médica disse que era muito cedo para eu estar grávida, não fez nenhum exame para comprovar se eu estava ou não gestante, e me fez pagar uma endoscopia urgente para o enjoo e desconforto no estômago. ...

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Alice Hasters (Foto: Tereza Mundilová/ @terezamundilova)

Alice Hasters – Por que os brancos gostam de ser iguais

Alice Hasters, escritora afro-alemã, nascida em Colônia, em 1989, é atualmente uma das grandes vozes quando o assunto é racismo na Alemanha. O seu livro O que pessoas brancas não querem ouvir sobre o racismo, mas deveriam saber (Was weiße Menschen nicht über Rassismus hören wollen. Aber wissen sollten), publicado em 2019, causou grande polêmica e desde então é motivo de discussão entre os intelectuais, artistas e ativistas. A leitura desta análise esclare muitos aspectos inerentes ao tema e que surgem em quase todos os debates, independente de nacionalidade. Na série de ensaios sobre Identidades, transmitida no programa de rádio da renomada emissora Deustchlandfunk, Hasters declara o seguinte: "Mas somos todos iguais!" É assim que as pessoas brancas, em particular, dizem frequentemente quando surge o tema racismo. No momento, em que há referência sobre os brancos e seus privilégios na sociedade, afirma a autora, de repente, parece importante para os ...

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Painel com o rosto de George Floyd, assassinado em maio de 2020 por um policial em Minneapolis (Foto: Brandon Bell/Getty Images - Ilustrações: Getty Images)

Software de reconhecimento facial é banido na cidade de George Floyd

A Câmara Municipal de Minneapolis, no estado americano de Minnesota, decidiu na sexta-feira (15), por unanimidade, banir o uso de software de reconhecimento facial pela polícia. Minneapolis foi o epicentro de protestos contra o racismo, nos Estados Unidos e no mundo, depois que o cidadão negro George Floyd foi assassinado pelo policial Derek Chauvin, em 25 de maio de 2020. Minneapolis se une agora a outras cidades, como Boston, Portland e São Francisco, que já baniram a tecnologia. O software que estava em uso pela polícia no município foi desenvolvido pela companhia Clearview AI (a empresa presta serviços também a órgãos do governo federal, na triagem de imigrantes, nas alfândegas e em segurança doméstica). O banimento pela Câmara Municipal se deve aos sinais de que a inteligência artificial que analisa imagens é tendenciosa e pode prejudicar negros e outros grupos raciais. O Departamento de Polícia da cidade, chefiado por Medaria ...

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(Foto: REUTERS)

Mas afinal de contas, o que deseja a luta antirracista?

As vivências e escrevivências nos revelam caminhos contemporâneos, com novas e louváveis iniciativas, porém, permanecendo intrínsecas, velhas práticas já denunciadas pelas nossas referências, tais como Lélia Gonzalez e Sueli Carneiro. O objetivo é a luta antirracista, mas o que deseja essa luta infidável? Certamente, muitos responderão automaticamente essa indagação, enfatizando sobre a construção de uma sociedade igualitária. A dúvida é se esse desejo de igualdade está imbricado na minimização das categorias de opressão de gênero e de classe. Dá para lutar contra o fim de uma opressão que é estrutural e alimentar outra? Isso auxilia ou reforça a desumanização? Afinal de contas, não é justamente a luta antirracista que se estrutura na desconstrução da ideia de modelo de sujeito universal,que aborda sobre respeito às diferenças? Aqui estamos falando dos quadrados onde somente uma bandeira pode ser hasteada. Assim, temos que deixar de sermos pretas para pautar sobre ser mulher, temos ...

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Visão geral do Senado (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Senado aprova projeto que ratifica Convenção Interamericana contra o Racismo

O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (10) um projeto que ratifica o texto da Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância. A proposta já passou pela Câmara e segue para promulgação. Quando a ratificação for promulgada, o texto da convenção passa a ter status de emenda à Constituição no Brasil. O projeto foi aprovado por unanimidade, com 71 votos favoráveis no primeiro turno e 66 no segundo. A convenção foi adotada pela Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) em reunião realizada em julho de 2013, na Guatemala. Pelo texto, os países da OEA se comprometem a prevenir, eliminar, proibir e punir todos os atos e manifestações de racismo, discriminação e formas correlatas de intolerância. Segundo a convenção, os países terão de implementar políticas para promover igualdade de tratamento e de oportunidades para todas as pessoas por meio de atos de caráter educacional, ...

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Gabourey Sidibe interpretando a personagem Preciosa (Foto:  Lions Gate Entertainment/Reprodução)

Como o filme “Preciosa” contrariou a narrativa do white savior

Embora em meados dos anos 1980 com o poema “O fardo do homem branco”, já se falasse do complexo do branco salvador, ou white savior, como viralizou na cultura pop, ele existe, mesmo que ainda não nomeado, muito antes disso. O termo, que é utilizado para narrativas em que um personagem, obviamente branco, torna-se o protagonista de uma história que, em tese, não deveria ser sua, tornando-se assim, um herói para aquela raça em questão que se encontra em situação de apuro, seja ela qual for, muçulmana, asiática, indígena - mas, como dita a nossa história, ela é quase sempre branca. É necessário apontar que essa narrativa não se restringe somente à uma mídia, podendo estar presente em livros, pinturas, músicas, o que for. Mas aqui, focarei no universo cinematográfico como meu objeto de análise. Passando por clássicos como “O Sol é para Todos”, “Lawrence da Arábia” e “Dança com ...

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Christian Ribeiro (Foto: Arquivo Pessoal)

A quilombagem cultural contemporânea das editoras afro-brasileiras

Em tempos que grande parte do jornalismo cultural brasileiro saúda o boom da chamada literatura afro-brasileira e, principalmente, da publicação de autorias negras pelas grandes editoras do país, como demonstração de uma mudança dos paradigmas empresariais que ditam as demandas de publicação em consonância com a crescente demanda por esse universo literato, acreditamos ser importante ressaltar que tal realidade só ocorre pela existências e atuações das chamadas editoras negras ou afro-brasileiras (1). Editoras essas que são comumente ignoradas em suas trajetórias e importâncias, tendo por vezes seus próprios nomes omitidos nas reportagens das grandes mídias, como se não tivessem significância alguma em meio ao mercado editorial brasileiro. Tal fato, acreditamos ser decorrência de uma característica da intelectualidade brasileira em não reconhecer, em não associar a construção e articulação de saberes com as populações negras. O retrabalhar de sapiências ou a representação de percepções e saberes em forma literata, poética ou ...

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Naiara Albuquerque (Foto: Reprodução/ Instagram @albuquerquenai)

Produtora de moda afirma que sofreu racismo em loja de luxo em shopping de SP

A produtora de moda Naiara Albuquerque acusa a loja de acessórios de luxo Lool, localizada no Shopping Iguatemi, em São Paulo, da prática de racismo. O episódio teria ocorrido na última quinta-feira (21), quando Naiara foi ao estabelecimento escolher peças que seriam usadas pela atriz Taís Araujo na série “Aruanas”, da TV Globo. O empréstimo dos acessórios para a produção da série tinha sido acordado previamente com o marketing da loja. Quando Naiara, que é uma mulher negra, chegou ao local para retirá-los, uma vendedora solicitou a ela que ficasse do lado de fora. Como uma senhora estava sendo atendida naquele momento, a produtora de moda supôs que o pedido atendia a protocolos de segurança contra a Covid-19. Fachada do Shopping Iguatemi, na região da avenida Faria Lima, em São Paulo (Foto: Gabriel Cabral - 26.mar.2020/Folhapress) Naiara deixou a loja e circulou pelo shopping enquanto aguardava ...

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