quinta-feira, janeiro 21, 2021

Tag: Questão Racial

Aleksandr Púchkin e Machado de Assis

Articulações negras importam

Em um cenário marcado por uma crise de caráter econômico, político e social causada pela pandemia, a disputa eleitoral nos Estados Unidos aprofundou ainda mais as tensões criadas pela administração do presidente Donald Trump. Enquanto um fenômeno multidimensional da política estadunidense que envolve dinâmicas de classe, gênero e raça, o trumpismo revelou diferentes faces, que na maioria das vezes se materializou em manifestações públicas de homens brancos da classe trabalhadora. Desde as primárias republicanas, Donald Trump flertava com supremacistas brancos que já tinham um canal aberto no Partido Republicano. É sempre bom lembrar que alguns republicanos estimularam a aproximação com o Tea Party, uma organização que construiu uma agenda libertária em 2009, mas, sob a presidência de Barack Obama, logo se metamorfoseou em um grupo de feição racista. Nesse sentido, Trump apenas cumpriu a função de reconduzir supremacistas brancos à política mainstream dos Estados Unidos, inflamando o debate racial que ...

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A imagem de perfil do Facebook de Chloé Lopes Gomes. (Foto: Reprodução/Facebook/Chloé Lopes Gomes)

Primeira bailarina negra na Staatsballet Berlim luta contra o racismo no ballet

Chloé Lopes Gomes tornou-se o rosto contra o racismo no ballet, após denunciar a discriminação que diz ter sofrido na companhia Staatsballet Berlim, e afirma que tem recebido queixas semelhantes de dançarinos em todo o mundo, pelos quais promete lutar. Filha de pai cabo-verdiano e mãe franco-argelina, Chloé Lopes Gomes, 29 anos, concretizou um sonho ao fazer parte do corpo de ballet do Staatsballet Berlim, em 2018. Sem o saber, tornou-se a primeira bailarina negra desta companhia. "Não sabia que tinha sido a primeira mulher de cor a aderir ao Staatsballett de Berlim. No espetáculo do Lago dos Cisnes, uma jornalista veio falar comigo, agradavelmente surpreendida por ver uma mulher de cor no corpo de ballet", contou, em entrevista à agência Lusa, por escrito. Apesar de "orgulhosa" por este pioneirismo, Chloé preferia que fosse assunto pelo seu talento e não pela cor da pele. Mas o facto de ser negra ...

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Agência Brasil/EBC

Mulheres pretas

Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme "Xica da Silva', tece ventos que suavizam nossa face. Há coisas que marcam a existência, e sutilezas, como delicado palimpsesto, tatuado em camadas na nossa memória e nossa pele. Vai um caso. Em 2020, minha neta Alika, hoje com três anos, foi "pega" pela mãe batendo panelinha da janela da casa onde mora, no bairro do Méier, no auge dos protestos contra Bolsonaro (me recuso a chamar de presidente). A precocidade está no sangue das mulheres pretas. E não se aplica só a Alika, mas a todas as mulheres. Elas combateram à escravidão, de dentro da senzala e da casa-grande, onde já se perpetravam estupros coletivos, e, na resistência, o feminicídio. Na luta das letras, nada justifica o apagamento de Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria ...

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Notas sobre a produção racial cotidiana do cárcere

“Mais uma vez quero afirmar que minhas reflexões como um jurista negro me levaram a conhecer a relevância do protagonismo negro. Não há possibilidade de construção de uma sociedade racialmente justa quando praticamente todas as instituições sociais são controladas por pessoas do mesmo grupo racial.” (Adilson José Moreira) Hoje, assim como o fez Abdias Nascimento em oportunidade pública (NASCIMENTO, 2019), evocaremos as vozes da população negra objeto de intimidações, ameaças e agressões de todas as naturezas – quase sempre impedidas de serem ouvidas nesse país que se diz “democrático” –, mas em especial daqueles negros e negras silenciados pelo sistema de justiça, ainda tão pautado pela razão e pelos privilégios da branquitude. Evocaremos vozes negras que, em plena pandemia, passarão a virada desse terrível ano encarceradas de maneira degradante. No Brasil, diversas pesquisas apontam o caráter seletivo do sistema penal que contribui para a violação sistemática de direitos humanos fundamentais ...

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Conceição Evaristo, Leci Brandão, Martinho da Vila, Elza Soares, Milton Nascimento e Gilberto Gil estão entre as personalidades que podem voltar à lista da Fundação Palmares (Fotos: Nelson Almeida/AFP; Mauro Pimentel/AFP; Walter Craveiro/Flip; Antonio Cruz/Agência Brasil, Yasuyoshi Chiba/AFP)

Senado aprova decreto que devolve negros à lista de homenageados da Fundação Palmares

O Senado aprovou, nesta quarta-feira (9), um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que derruba uma portaria da Fundação Palmares que havia retirado 29 pessoas da lista de personalidades negras da entidade. Entre os nomes excluídos estavam Gilberto Gil, Milton Nascimento, Marina Silva, Alaíde Costa, Conceição Evaristo, Martinho da Vila, Vanderlei Cordeiro de Lima, e outros. A votação terminou com 65 senadores favoráveis e apenas três contrários ao decreto proposto por Humberto Costa (PT-PE) e Alessandro Reis (Cidadania-SE), com relatoria de Fabiano Contarato (Rede-ES). Até mesmo Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo na Casa, votou favorável ao projeto. “Nessa votação não se discute aspectos técnicos assinados pelo presidente da Fundação Palmares. O que cabe aqui é fazer a avaliação política do momento que estamos vivendo e a repercussão dessa votação, que se constitui numa posição política do Senado Federal contra qualquer forma de racismo. Eu fico numa posição muito delicada porque, ...

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Oscar Vilhena Vieira, professor e cientista político (Foto: Jardiel Carvalho /Folhapress)

Racismo: e eu com isso?

Sempre me perguntei o que leva um ser humano a humilhar, torturar ou matar um outro ser humano. Não como uma conduta individual, fruto da maldade ou da insanidade de um indivíduo, mas como conduta sistêmica, que pode ocorrer de forma organizada, como num campo de concentração, ou de maneira difusa, como a violência praticada cotidianamente contra a população negra no Brasil. Como explicar a violência que levou à morte de João Alberto Silveira de Freitas, após ser covardemente espancado por seguranças privados da rede de supermercado Carrefour, em Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra? Ou como compreender a morte do índio Galdino, incendiado por alguns jovens em Brasília, enquanto dormia numa parada de ônibus, após participar das comemorações do Dia do Índio, em abril de 1997? Difícil pensar que pessoas comuns, estejam elas na condição de agentes públicos ou privados, ou de meros passantes em busca ...

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(Foto: Alberto Henschel. Negra de Pernambuco, c. 1869. Recife, Pernambuco / Convênio Instituto Moreira Salles –Leibniz-Institut für Länderkunde)

Vidas negras importam, vidas negras importadas e vidas negras expropriadas

“Pela primeira vez na história humana, o nome Negro deixa de remeter unicamente para a condição atribuída aos genes de origem africana durante o primeiro capitalismo (predações de toda a espécie, desapossamento da autodeterminação e, sobretudo, das duas matrizes do possível, que são o futuro e o tempo). A este novo carácter descartável e solúvel, à sua institucionalização enquanto padrão de vida e à sua generalização ao mundo inteiro, chamamos o devir-negro do mundo.” (MBEMBE, 2014. p. 18) (grifo do autor) Assim o filósofo e cientista político Achille Mbembe (1957) introduz uma de suas principais obras, Crítica da Razão Negra (2013), em que tanto traça um panorama do Negro enquanto categoria ontológica² , trazida historicamente, primeiro em sentido negativo, do Negro como “aquele (ou ainda aquele) que vemos quando nada se vê, quando nada compreendemos e, sobretudo, quando nada queremos compreender” (p. 11), segundo em sentido positivo, em um dado ...

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Steve McQueen (Foto: REUTERS/Mario Anzuoni)

Steve McQueen se inspira em Bob Marley para criar série sobre tensões raciais

"Não quero protestar. Ninguém quer protestar. Só queremos tratamento igualitário, para que não precisemos mais protestar", afirma o cineasta britânico Steve McQueen. "É difícil para nós, negros, vivermos nesse mundo de extremos. Mas não podemos deixar de lutar." Há um tanto de luta e um tanto de fervo em "Small Axe", minissérie sobre atritos raciais no Reino Unido que o diretor criou para a BBC, ainda sem previsão de estreia no Brasil. O título, "pequeno machado", foi pinçado de um verso de Bob Marley —"se vocês são a grande árvore, nós somos o pequeno machado". A influência do reggae na Inglaterra dos anos 1970 e 1980 é um dos motores da série. McQueen cavoucou de sua infância imagens e sons das "blues parties", farras caseiras que os imigrantes caribenhos faziam em Londres —espécie de resistência festiva de uma comunidade relegada às margens da sociedade britânica. Outros embates sociais são retratados ...

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Quilombo Periférico, eleito para a Câmara de SP, é formado por seis integrantes — Foto: Reprodução/ Facebook

Eleições 2020: Quilombo Periférico levará para a Câmara Municipal de SP a tradição de se aquilombar

Com uma campanha abraçada por diversos setores da sociedade civil, como o movimento negro, educação popular e cultura periférica, a Chapa Quilombo Periférico levará para a câmara Municipal de SP a cultura de se "aquilombar". "Isso não é um projeto só de São Paulo. Isso é um projeto de nação de um povo. É muito importante que as pessoas entendem que quando a gente fala aquilombe-se é para se aquilombar. É para abrir esse gabinete para as pessoas saberem como funciona. É para politizar e trazer consciência e socialização da política para o nosso povo e para nossa quebrada", explica Alex Barcelos, um dos integrantes do mandato coletivo. A chapa Quilombo Periférico é composta por moradores de territórios periféricos localizados no Jardim São Luís, Campo Limpo, Sapopemba, "Esse é um mandato que tem cor, ancestralidade e raiz"Guaianases, Cidade Tiradentes e Centro. Esse é um mandato que tem cor, ancestralidade e ...

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O cacique Raoni, ao centro, entre líderes indígenas de 47 povos, que estiveram reunidos por quatro dias no Mato Grosso para relançar a "aliança dos povos da floresta". (Foto: RICARDO MORAES / REUTERS (REUTERS))

O olhar dos povos indígenas atentos a contínua propaganda enganosa da Europa ao mundo: O Amanhã

Ailton Krenak é um segundo sol vivo que ilumina a cultura indígena, e que ainda resiste contra a racionalidade do ocidente (Compreendendo a força da consciência coletiva produzida pelo poder da linguística, neste artigo opto pela força da consciência descolonizada, portanto, a ausência da letra maiúscula neste substantivo próprio não reconhece o poder simbólico da arma cultural dominante) em matar, roubar e destruir. Krenak nasceu em 1953, na área verde do vale do rio Doce, mas a vida dos seres vivos e da vegetação do local vem sendo mortos pelas mãos do homem branKKKo (Branco com três K refere-se a Klu Klux Klan, organização da supremacia branca. Assata Shakur, ex membra do Partido Pantera Negra, apresentou AmeriKKKa com três k. A partir daí estendemos para outras palavras). Ativista dos direitos dos povos originários, luta pela existência do planeta Terra, ainda que os branKKKos não queiram imaginar o fim do capitalismo, ...

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Foto: REVISTA O MALHO/BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL / EL PAÍS

Há 110 anos, marujos denunciaram chibata na Marinha e racismo no Brasil pós-abolição

O Rio de Janeiro entrou em pânico. Quando correu a notícia de que, da Baía de Guanabara, quatro navios de guerra apontavam seus canhões para a cidade, os cariocas fizeram as malas às pressas para fugir da morte. Na Estação Central do Brasil, os trens para longe da capital da República partiram lotados. Nos bondes com destino aos subúrbios, os passageiros viajaram espremidos, muitos pendurados no lado de fora. O perigo era real. Numa amostra do estrago que eram capazes de provocar, os encouraçados fizeram disparos que mataram duas crianças no Morro do Castelo, no Centro, a poucos metros da Câmara dos Deputados. O senador Ruy Barbosa (BA) contou aos colegas, num discurso no Senado, o horror de ter sido testemunha ocular do ataque naval: — Foi com a minha filha chumbada ao leito, por uma enfermidade que não nos permite sequer movê-la na sua própria cama, que tive esta ...

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Kelly Cristina Dias Psicóloga (Arquivo Pessoal)

Do “Cárcere” ao cárcere os condicionadores do estado e as “prisões” da mulher negra

Conceber os dados e os fatos sobre a realidade da mulher negra em nosso país é de impactar a qualquer um, mas a fragmentação e até mesmo a ocultação desta realidade parecem permitir que tal indignação aconteça apenas a partir de muita procura, estudo e persistência individual ou por fontes engajadas. Pois bem! A mulher preta é maioria em casos de violência doméstica, feminicídio, cárcere, também se apresenta como maioria em casos de destituição de guarda dos filhos, a maioria com baixa escolaridade, como também baixos salários. Quando se pergunta onde entra estado nisso, se descobre que olhando bem a fundo, que está sempre ali em uma vigília “cega”. Se apoiando cegamente em uma reprodução sistêmica e multifacetada, que permite e até mesmo expõe a mulher negra a vivenciar ambientalmente a vários extremos de vulnerabilidade, desespero e desamparo podendo contar apenas com o auxílio do mesmo que a culpabiliza. Segundo ...

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O sociólogo e professor Florestan Fernandes, em sua casa, em São Paulo, em 1995 (Foto: Eder Luiz Medeiros/Folhapress)

Florestan Fernandes e o protesto intelectual negro na Ditadura Militar

A influência perene do sociólogo paulista Florestan Fernandes nos estudos raciais brasileiros é bem conhecida. Os livros "Brancos e Negros em São Paulo" (1959), escrito com Roger Bastide, e "A integração do negro na sociedade de classe" (1964), analisaram os vínculos estruturais entre raça e classe e a inserção problemática do negro na ordem capitalista, no contexto da transição da escravidão para a sociedade de classes, principalmente na cidade de São Paulo. Essas obras mostraram que a estrutura socioeconômica do pós-abolição era atravessada por linhas de cor, e que o preconceito racial impedia a integração social dos negros. Elas consagraram o entendimento da “democracia racial” como um mito, utilizado para acomodar a consciência branca com relação às contradições sociais. A cegueira deliberada das elites republicanas definiu, segundo ele, a falência política do “protesto negro”, que, nas primeiras décadas do século XX, se levantou contra as injustiças sofridas por essa população, ...

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Foto: Imagem enviada para o Portal Geledés

Afrolab e Babiy Querino debatem importância de vidas carcerárias em Macaé

No Mês da Consciência Negra o AfroLab Macaé (Afro Laboratório de Macaé), convida a dançarina Babiy Querino, de São Paulo, fundadora do Projeto Vidas Carcerárias Importam e Marcos Vinicius Santos de Jesus, de Macaé, ativista de Direitos Humanos e graduando de Direito/UFF, para uma reunião amplificada. O objetivo é debater a importância de conscientizar a sociedade sobre a vida de pessoas encarceradas, trazendo um olhar crítico sobre o judiciário e suas falhas. O encontro, que vai respeitar todas as normas da OMS e decretos municipais referentes a prevenção contra o COVID-19, vai acontecer nesta sexta-feira (6), às 17h, na Rua José Aguiar franco, número 109, no bairro Costa do Sol e será transmitido nas redes sociais. A história de Babiy Querino foi marcada por um erro judicial que ficou conhecido nacionalmente. A bailarina de 22 anos foi presa pela acusação de participar de um assalto em São Paulo e foi ...

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Com uma carreira impressionante, Alexandra Wilson é advogada aos 25 anos (Foto: LAURIE LEWIS)

‘Não sou a ré, sou a advogada’: a mulher que combate o racismo e a ignorância na Justiça

"Não espero ter que justificar constantemente minha existência no trabalho", diz Alexandra Wilson à BBC. No entanto, como uma advogada negra de 25 anos trabalhando no sistema jurídico britânico, é exatamente isso que ela tem que fazer — às vezes até quatro vezes por dia. Quando ela vai a um julgamento, se ela não está usando peruca e toga — como é tradição em alguns tribunais britânicos — ela frequentemente é confundida com os supostos criminosos que ela defende — tudo por causa de sua cor. O direito inglês pode ser famoso em todo o mundo e ter influenciado sistemas jurídicos de dezenas de países — de Bangladesh às Bahamas — mas a experiência de Alexandra Wilson expõe os problemas que ainda tem em relação ao racismo. "Já chegaram a gritar para eu sair do tribunal", conta Alexandra. "Isso já aconteceu várias vezes e indica um problema muito maior na ...

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Reprodução/Instagram/@thelminha

Thelma Assis conta sobre episódio de racismo em teste de residência: ‘Enfermeira foi mais cedo’

Quase seis meses após o fim da mais recente edição do Big Brother Brasil, considerada uma das melhores da história do programa, a campeã Thelma Assis alcançou um patamar além da fama que todo ex-brother leva. Carrega uma voz forte, que tem sido procurada a opinar sobre diferentes temas da atualidade, como medicina, desinformação, racismo estrutural, machismo, entre outros, seja em seu quadro aos sábados, no É de casa, da TV Globo, ou nas lives e entrevistas quase diárias de que participa. Em conversa com a coluna, a médica conta que tenta usar sua visibilidade para conseguir dar espaço a pautas sociais, o que não a impede de também ser vítima de racismo, como tem ocorrido em suas transmissões ao vivo nas redes sociais — e de que já foi alvo em outras ocasiões, como num programa de seleção de residência médica, anos atrás. E não se inibe: “Eu sigo fazendo a minha live, dando minha mensagem, senão vou adoecer”, diz ...

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Imagem retirada do site Jornal GGN

O Novo Fundeb e a questão racial

Celebrada por diferentes atores sociais, a aprovação do novo Fundeb representa uma importante vitória para a educação básica pública brasileira. Afinal, é sob a responsabilidade de estados e municípios que se encontram aproximadamente 38 milhões de matrículas, da educação infantil ao ensino médio. Isso sem acrescer à conta o cômputo daquelas que recentemente migraram da rede privada para a pública, em decorrência dos efeitos econômicos da pandemia. Expressão mais bem-acabada da atuação do Legislativo, em que pese a atuação omissa do Executivo, a Emenda Constitucional 108/2020 pode ser entendida, sem embargo, como um avanço significativo em relação às duas outras que a precederam e implementaram o Fundef e o atual Fundeb, respectivamente. A complementação da União ao fundo que passa dos atuais 10% para 23%, em relação ao valor do Fundeb, constitui, obviamente, um dos aspectos centrais, por ter implicações na própria engenharia federativa. Sua implementação a partir de 2021 ...

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Getty/Gary Waters

Candidatos negros apontam resistência dentro dos partidos: ‘Condições para brancos ainda são melhores’

Assim como no resto do Brasil, o número de candidatos negros na cidade de São Paulo atingiu em 2020 o maior percentual já registrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que começou a coletar dados de raça em 2014. O pleito deste ano, que escolherá prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, tem uma proporção de 29,63% de candidatos negros, contra 69,24% brancos. Em 2016, nas últimas eleições municipais, 25,86% dos candidatos eram negros, e 73,64% brancos. Já em 2014 e 2018, quando foram escolhidos o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais, os candidatos negros no Estado de São Paulo representaram, respectivamente, 25,38% e 27%, contra 73,31% e 71,76% de brancos. Juntos, pretos e pardos são considerados negros, segundo classificação utilizada pelo IBGE. A representatividade fica prejudicada, no entanto, quando os dados analisados são por cargo disputado — há muito mais candidatos a vereador no país do que candidatos a ...

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foto de Luis Alvarez / Digital Vision / Getty Images

Especificidade do racismo brasileiro

Sempre perguntam o porquê de algumas pessoas não se identificarem como integrantes da população negra no Brasil, mesmo se essas mesmas pessoas, em vários outros países, como nos Estados Unidos da América, são nitidamente negras, tanto pelo conjunto de fenótipos que apresentam, quanto pela ascendência.  Oracy Nogueira afirmou que existem distinções na definição de algum grupo como branco ou negro, de modo que nos Estados Unidos importa a ascendência, a “gota de sangue”, enquanto que, no Brasil, a discriminação se apresenta em razão da cor da pele. “Quando o preconceito de raça se exerce em relação à aparência, isto é, quando toma por pretexto para as suas manifestações os traços físicos do indivíduo, a fisionomia, os gestos, o sotaque, diz-se que é de marca; quando basta a suposição de que o indivíduo descende de certo grupo étnico para que sofra as consequências do preconceito, diz-se que é de origem” (NOGUEIRA, ...

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Criadoras do Indique Uma Preta, Verônica Dudiman, Daniele Mattos e Amanda Abreu fizeram parte da consultoria do programa de trainee do Magazine Luiza Imagem: Divulgação

Por que um programa de trainee para negros ainda incomoda tanto?

Em 2012, a jornalista Karen* tinha acabado de voltar de um intercâmbio de seis meses no Canadá quando se inscreveu em um processo seletivo para ser trainee de uma multinacional. Assim como ela, cerca de 20 mil pessoas mostraram interesse pelas vagas. Karen ia bem: passou na primeira e na segunda fase. Após a terceira, porém, recebeu a mensagem de que o desempenho apresentado por ela não tinha sido suficiente para que se mantivesse na disputa de uma vaga na área de comunicação, como queria. O que ocorreu durante essa terceira fase a jovem só consegue descrever como "traumatizante". A começar pelo fato de que, quando chegou ao local, dos 20 candidatos e três recrutadores presentes, ela era a única pessoa negra. "Ali já bate uma ansiedade, né? Fiquei pensando o que teria que aguentar sozinha", conta. Por um momento, chegou até a duvidar de si, mas tratou de relembrar ...

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