Tag: Questão Racial

    (Ilustração: LINOCA SOUZA)

    O colorismo é um assunto nosso?

    Vamos pensar em uma perspectiva histórica. A Democracia Racial é uma ideia (teoria, mito, imagem…) que nos remete, automaticamente, a Gilberto Freyre. Isso porque, embora ele não tenha sido o primeiro a pensar o Brasil como um país sem barreiras de discriminação, conseguiu vender essa imagem internacionalmente com o peso da autoridade de um indivíduo branco intelectualizado e com conhecimento de dentro da casa grande, que lhe ofereceu riqueza de detalhes para a obra “Casa Grande e Senzala”. Hoje temos ao nosso favor o legado de um esforço político e intelectual enorme dos pensadores negros, que nos permitiu olhar para a “verdade” da Democracia Racial pelo retrovisor. No século XX não era bem assim. Ao defender a prática de miscigenação e a ideia de um “paraíso dos mestiços” em detrimento das teorias que os condenavam como degenerados (os mulas, como se registra a etimologia da palavra “mulato”), Gilberto Freyre criou ...

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    Debora Mattos, diretora de Operações da Coca-Cola Brasil (Foto: Rodrigo Felha / Divulgação)

    Sob pressão, empresas encaram a diversidade e mudam estruturas para contratar mais negros, mulheres e LGBTs

    Com a pressão crescente de consumidores, clientes, movimentos sociais e dos próprios empregados, grandes empresas começam a dar um passo além das peças de marketing e das boas intenções na direção da diversidade em seus quadros funcionais. Causas contra o racismo, a desigualdade de gênero e a LGBTfobia começam a se refletir no ambiente corporativo de forma mais estruturada, com metodologias, investimentos e metas. E não é só para ficar bem na foto e reduzir riscos à reputação. As companhias seguem evidências de que cabeças diferentes favorecem a inovação, ampliam mercados e aumentam lucros. Há mais oportunidades, mas ainda faltam negros, mulheres e pessoas LGBTQ+ no topo. A frente racial ganhou impulso com os protestos antirracistas no mundo provocados pelo caso George Floyd nos EUA há dois meses. Além de um posicionamento antirracista, as empresas são cobradas pela coerência: não adianta fazer publicidade contra o racismo sem contratar negros ou ...

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    André Costa, advogado e único conselheiro federal autodeclarado negro da OAB Imagem: Divulgação/OAB

    Único negro dos 81 conselheiros federais propõe cotas raciais para a OAB

    Único negro entre os 81 integrantes do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o advogado André Costa, de 48 anos, quer incluir mais negros na direção da instituição. No início de julho, o advogado protocolou proposta para o órgão reservar 30% das vagas em seus conselhos (federal, estadual, subseções e caixas de assistências) para pretos e pardos por dez anos. A proposta é que a entidade preencha cargos de suas diretorias e de todos os seus membros (titulares e suplentes) com advogadas e advogados negros. Imagine você chegar a um sindicato ou empresa e olhar para o lado e ver que só você é negro?  O advogado sugere que a entidade comece a praticar as mesmas ações que prega no país. Fundada em 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, a ordem já defendeu ações como a constitucionalidade da reserva de vagas por critérios étnicos raciais (cotas ...

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    A pesquisadora americana Safiya Noble estuda como os algoritmos amplificam o racismo e o sexismo na sociedade (Foto: Imagem retirada do site O Globo)

    ‘Algoritmos têm responsabilidade pela violência contra mulheres e pessoas negras’, diz pesquisadora da UCLA

    Já imaginou que qualquer pesquisa que faça no Google ou em outra ferramenta de busca na internet está mediada pelos mesmos preconceitos e vieses inconscientes que pautam as nossas relações sociais? Ao notar que a busca por Black girls (meninas negras) sempre resultava em imagens hipersexualizadas e até pornográficas de mulheres negras americanas, a americana Safiya Noble decidiu estudar o funcionamento dos algoritmos que estão por trás dessas ferramentas. Seis anos de pesquisas resultaram no livro "Algorithms of Oppression" (Algoritmos da opressão, ainda sem tradução brasileira), lançado em 2018, em que examina como as ferramentas de busca, o Google em particular, reforçam o racismo e o sexismo das sociedades. Professora do Departamento de Estudos da Informação na Universidade da Califórnia, onde dirige o Centro para Investigação Crítica da Internet, ela afirma que a opressão e os preconceitos algorítmicos existem também nas redes sociais. Safiya Noble participa do Festival Oi Futuro, ...

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    (Foto: Spencer Platt/Getty Images)

    Por que a COVID-19 é mais mortal para a população negra? – Artigo de Edna Araújo e Kia Caldwell

    O Brasil e os Estados Unidos têm muito em comum quando se trata do coronavírus. Ambos estão entre os países mais atingidos do mundo, onde centenas morrem diariamente. O poder público máximo dos dois países possui opiniões semelhantes sobre a forma de lidar com a pandemia e têm sido criticados por isso. E em ambos os países o vírus está afetando desproporcionalmente os negros, resultado do racismo estrutural que remonta à escravidão. Desigualdades raciais O Brasil moderno nunca legalizou a discriminação racial como as leis Jim Crow nos Estados Unidos, mas as desigualdades raciais estão profundamente arraigadas. Apesar do persistente mito do Brasil como uma integrada “democracia racial”, a discriminação no mercado de trabalho caracterizada por menores salários para brasileiros pretos e pardos mesmo quando eles têm a mesma formação educacional de brasileiros brancos, assim como . segregação residencial , que determina que as pessoas negras, em sua maioria, residam ...

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    Djamila Ribeiro (foto: MAURO PIMENTEL)

    Negro é traficante, branco é estudante que faz ‘delivery de drogas’

    Recentemente escrevemos nesta Folha sobre efeitos nocivos da política de drogas empreendida no país para toda a população. Geradora de violência, injustiça e morte, a criminalização das drogas não tem surtido efeito na redução do consumo, muito menos na segurança da população, porém certamente tem gerado muito lucro, seja para traficantes donos de helicópteros com cargos em Brasília, seja para policiais milicianos, seja para donos de “clínicas” de internação obrigatória, ambos que, vejam só, são contrários à descriminalização no palanque e na mídia, que segue tratando esse tema tão importante como tabu. O verdadeiro crime de drogas é cometido por esse sistema que lucra em cima da desinformação, do medo e da morte, porém tais carrascos seguem engravatados e sem punição, enquanto meninos lotam masmorras e cemitérios na posse de farelos. (Foto: Linoca Souza/Folhapress) Lucas Morais da Trindade é um desses. Preso por posse de 10 ...

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    (Foto: André Zanardo)

    Para especialista, juízes brancos desprezam a realidade social ao julgar

    Como a Justiça brasileira trata os negros que a procuram? Essa e outras questões foram debatidas durante o painel “Julgamento com Perspectiva Racial” do seminário “Questões Raciais e o Poder Judiciário”, promovido remotamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ)  e teve sua programação iniciada na terça-feira (7/7). Na opinião de Adilson José Moreira, mestre e doutor em direito constitucional, negros e indígenas, quando buscam o Poder Judiciário, esbarram em uma Justiça formada por homens brancos, heterossexuais, com boa condição social. A experiência deles não é a mesma da maioria da população brasileira: negra, pobre, periférica. O especialista citou que, para escrever seu mais recente livro – Pensando como um Negro – fez uma longa pesquisa sobre decisões judiciais relativas a casos de racismo e injúria racial e percebeu que todas seguiam um padrão: juízes que decidem os casos abordam o racismo como um comportamento individual e não estrutural. Adilson José ...

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    Arquivo Pessoal

    Contrato Social

    Os recentes protestos dos negros e demais apoiadores nos Estados Unidos, que duraram semanas, têm fundamentos filosófico, jurídico e social bem consolidados, e, por isso mesmo, motivam à luta pelo mesmo ideal os negros de outras nações, inclusive do Brasil. Do ponto de vista filosófico, os fundamentos estão entrelaçados na teoria do Contrato Social que são ideias defendidas pelos filósofos Thomas Hobbes, John Locke e Jean Jacques Rousseau, cuja finalidade é explicar os caminhos que levam as pessoas a formarem Estado e manterem a ordem social. O ponto de partida da teoria contratualista emerge do estado da natureza; isto é, uma sociedade sem regras evoluindo para uma sociedade civilizada, que só se torna possível através de um pacto entre os homens, no qual uma regra de ouro se faz necessária, qual seja: os indivíduos abrindo mão de liberdades individuais em benefício do bem-estar político e social de todos. Assim, a ...

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    Djamila Ribeiro (foto: MAURO PIMENTEL)

    As mudanças não serão imediatas, estrutura racista é secular, diz Djamila

    A filósofa, escritora e ativista Djamila Ribeiro afirmou em entrevista ao UOL Debate, na manhã de hoje, que o debate sobre racismo está sendo feito sem tabus atualmente no Brasil, mas que, para haver mudanças, será necessário mais tempo. A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Leonardo Sakamoto, colunista do UOL, e Paula Rodrigues, repórter de Ecoa. "Estamos falando de estrutura secular. Estamos discutindo mais no debate público. Isso que é novo, na verdade. O Brasil foi fundado na violência de sangues negros e indígenas. Hoje a gente pode falar sem tabu", disse. Djamila relembrou que o Brasil começou a considerar o racismo como um crime contra a humanidade na Conferência de Durban, em 2001, na África do Sul, se prontificando a reparar os danos causados pela escravidão. "Houve um levante interessante, mas que só foi possível as pessoas falarem sobre isso porque existiu um movimento que vem historicamente, sobretudo depois ...

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    Douglas Belchior, cofundador da Uneafro Brasil e da Coalizão Negra por Direitos, que lançou o manifesto "Com Racismo, Não Haverá Democracia" - Marlene Bargamo/Folhapress

    Comoção antirracista da branquitude ou vira prática ou hipocrisia, diz articulador de manifesto

    "É incoerente manifestar repúdio ao racismo e apoiar políticas econômicas, de saúde e de segurança pública que matam pessoas negras todos os dias", afirma Douglas Belchior, 41, cofundador da Uneafro Brasil, uma das 150 entidades que conformam a Coalizão Negra por Direitos, autora do manifesto "Enquanto houver racismo não haverá democracia", lançado na semana passada. O texto, subscrito por artistas, empresários e intelectuais negros e brancos, afirma que "qualquer projeto ou articulação por democracia no país exige o firme e real compromisso de enfrentamento ao racismo" e pede coerência àqueles que agora se autodeclaram antirracistas. Para Belchior, a questão racial, quando deixou de ser tabu, foi tratada como "mais um assunto" na agenda democrática brasileira quando é fator determinante, como reivindica o manifesto. "O movimento negro denuncia o racismo e suas injustiças desde sempre", afirma ele, cuja organização foi gestada no vitorioso movimento de cotas raciais nas universidades. "Hoje está ...

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    iStock; Lily illustration

    Para as mulheres negras, o autocuidado não é apenas uma palavra da moda. É um ato de resistência radical.

    Texto de Nambi J. Ndugga originalmente publicado em The Lily Como mulher negra e pesquisadora de saúde pública que vive e trabalha em Boston , vejo em primeira mão como a segregação afeta os resultados de saúde de negros e pardos em comparação com os brancos. Trabalhando neste campo, tive que construir sistemas de apoio e mecanismos de defesa que me permitissem estudar, conscientizar e abordar as desigualdades na saúde sem ser esmagado por seu peso e magnitude. Mal sabia eu que uma pandemia global e a persistente brutalidade policial experimentada por negros usariam esses mecanismos, me isolariam das comunidades de apoio e abririam caminho para uma onda de tristeza pela qual eu estava lamentavelmente despreparado. A dor No fim de semana do Memorial Day, a primeira página do New York Times listava 100.000 nomes daqueles que morreram da covid-19. Dos mortos, mais de 20% eram negros. Pouco tempo depois, surgiram notícias sobre o assassinato policial de George Floyd, um ...

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    Imagem: MPR / The Current

    Página em rede social divulga feitos históricos de pessoas negras

    Cansada de ler notícias de pessoas negras apenas nas páginas policiais dos jornais brasileiros, a jornalista Denise Telles decidiu divulgar boas histórias e feitos reais dessas pessoas, que não costumam estar na mídia. Para isso criou o perfil no Instagram "Say It Loud". O nome faz referência ao título da canção de protesto contra o racismo do músico e  militante negro americano James Brown. Denise Telles revela que a página criada em outubro do ano passado já reúne 75 postagens de boas notícias envolvendo personagens negros. Num dos posts mais recentes, Telles fala de Gladys West, uma americana aposentada, formada em matemática, que está por trás da criação do GPS. A jornalista destaca que pouquíssimas pessoas sabem que uma mulher negra criou os cálculos que possibilitaram esse recurso tão utilizado diariamente. Negra, Denise Telles sente na pele o peso do racismo estrutural no Brasil. Em um dos episódios mais recentes, ...

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    Ministério da Cultura

    Teorias críticas e estudos pós e decoloniais à brasileira: Quando a branquitude acadêmica silencia raça e gênero

    Coluna Empório Descolonial / Coordenador Marcio Berclaz Este é um texto escrito, sentido, partilhado, vivido por duas mulheres negras, cujas trajetórias de vida, embora diferentes, aproximam-se e rearticulam-se em torno de algo em comum: trata-se de uma composição que une em ‘dororidade’ (PIEDADE, 2017) as experiências pessoais e acadêmicas de duas professoras universitárias negras. E neste campo acadêmico, predominantemente masculino e branco, nos deslocamos de lugar e irrompemos o imaginário social forjado no racismo e no sexismo. Aprendemos com a irreverência da escrita e criticidade de Lélia Gonzalez, também uma intelectual negra, que este lugar (a academia) nos pertence e aqui vamos ficar. Nestes muros não nos moldamos à estética da brancura e lutamos contra o branqueamento que insistem, às vezes, nos impor. E, assim, seguimos insubmissas e aqui tomamos a liberdade de promover algumas desobediências sobre a branquitude acadêmica e o esvaziamento do potencial emancipatório das teorias críticas e ...

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    Silvério acha que os protestos contra o racismo que irromperam em várias cidades nas últimas semanas são sem precedentes e podem inaugurar uma nova era (CÂMARA DOS DEPUTADOS)

    Frente democrática no Brasil não pode deixar de lado o problema do racismo, diz pesquisador

    Silvério estuda como movimentos negros em diversos países se articularam e se uniram desde o final do século 19 e faz parte de um grupo de pesquisadores que se dedica a contar a história da tradição intelectual negra internacional. "Não é um autor nem um texto nem um tema. É uma história inteira e ela não foi considerada", diz ele. "O principal problema não é que as pessoas brancas não sejam sensíveis ao problema racial, (é que) elas não têm formação para entender isso de forma adequada. Por isso, uma reformulação curricular é urgente". Tendo estudado a história dos movimentos negros pelo mundo, Silvério acha que os protestos contra o racismo que irromperam em várias cidades nas últimas semanas são sem precedentes e podem inaugurar uma nova era. "Parece que uma parte da juventude branca entendeu que a sociedade gera privilégios para ela. E quando ela sai às ruas com ...

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    Getty Images

    O racismo não existe

    O racismo está no olhar, quando o negro (a) está em lugares onde as pessoas que ali frequentam, acham que aquele lugar não é para negros. Está na risada e nos olhares trocados entre as pessoas quando um negro (a) passa, está nos comentários. Está no estigma histórico que a sociedade impõe àquele que é preto. O racismo está nas violências diárias que o negro tem que enfrentar e não sucumbir, e muitas vezes fingir que não entendeu. Está presente, quando uma pessoa fala: Você não é negra (o) ou preta (o), você é tão bonita (o), como se isso fosse um elogio, mas meu caro não é elogio. O racismo mata, tira o nosso ar, tira nossas oportunidades, deixa-nos sem saber como agir. Está presente, quando se naturaliza comportamentos racistas, quando se diz: Ah! Eu não vejo cor. Você tem que ver a cor, pois só assim, você verá ...

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    Alex R. Hibbert interpreta Chiron durante a infância — Foto: Moonlight/Divulgação

    As diversas formas da violência racista

    A violência sob diversas formas, no Brasil, na África, França e nos Estados Unidos perpassa as narrativas históricas dos filmes que reforçam os amplos movimentos antirracistas desencadeados no mundo a partir do assassinato de George Floyd em Minneápolis. As vozes de protestos do LBM - Lives Black Matter - se tornam planetárias e marcam um ponto de inflexão na luta contra a violência policial em particular. "Não me batam! Eu sou trabalhador,'' gritava o rapaz de 27 anos selvagemmente espancado por cinco PMs em São Paulo, esta semana. Em apenas cinco dias outros dois casos de rapto, assassinato e espancamento de jovens negros foram flagrados nas periferias da capital daquele estado. ''Enquanto a violência do racismo perdurar, ninguém está seguro,” advertiu Angela Davis, em entrevista ao jornal The Guardian. Em Atlanta, um novo assassinato de rapaz negro, Ryashard Brooks, alvejado num estacionamento, e morto por policiais brancos com dois tiros ...

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    António Costa, primeiro ministro de Portugal (Foto: AFP/C. Costa)

    “O racismo é um sentimento de ódio inaceitável”, diz primeiro ministro português

    "O racismo é um sentimento de ódio absolutamente inaceitável", afirma o primeiro-ministro português, António Costa. O chefe do Executivo admite que, por razões históricas, tal sentimento não é predominante em Portugal, embora haja racismo "em todos os países". "Creio que não há país que possa levantar o dedo e dizer: 'aqui não há racistas'", disse António Costa durante um encontro com a imprensa estrangeira em Lisboa, na segunda-feira (15.06). Questionado pela DW África sobre o regresso da temática do racismo à agenda política com as recentes manifestações mundiais depois da morte de George Floyd, o primeiro-ministro português assumiu que "sempre que há algum caso de racismo, esse tem que ser punido. Se existe nas instituições, mais punido tem que ser". António Costa disse ainda que é "bom que exista uma consciência social forte em Portugal contra o racismo Tem que merecer sempre o nosso combate - que nunca pode ...

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    Oswaldo de Camargo (Foto: Pedro Borges/Alma Preta)

    Oswaldo de Camargo: “Sou um negro brasileiro”

    Um elo entre as gerações: assim é visto o escritor Oswaldo de Camargo por muitos autores e autoras negras. Filho de lavradores muito pobres, nasceu em 1936, em Bragança Paulista – SP. Mesmo nascido muito depois da abolição da escravatura, o escritor viveu em ambiente com todas as marcas do mundo escravocrata, que estão em sua obra de modo vivo. Com a morte dos pais ainda na infância, morou em instituições de caridade, no interior. Quando adolescente estudou em seminário católico, o que lhe rendeu uma formação intelectual sofisticada, mas acabou não seguindo a carreira eclesiástica – em sua percepção, o caminho estava bloqueado. Em entrevista ao site Geledés, ele observou: “A noção de que existia, sim, preconceito na sociedade brasileira mostrou-se clara para mim nos meus 16 anos”. Esta passagem foi marcada por uma forte crise emocional, como também reforçava a importância da melanina como passaporte para o futuro ...

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    (Foto: Getty/Gary Waters)

    De onde vem a elite brasileira

    Marcela Garcia Corrêa , Mestranda em Administração Pública e Governo pela FGV-EAESP, graduanda em História pela USP e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB) João Pedote, Bacharel em Administração Pública pela FGV-EAESP e Servidor Público na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) da Prefeitura de São Paulo “ESSA GENTE” SOMOS NÓS* (…) O Brazil não merece o Brasil O Brazil tá matando o Brasil Aldir Blanc *O novo livro de Chico Buarque, “Essa Gente”, descreve um homem branco de elite que vive embebido de privilégios e mesmo assim não os reconhece. Quando uma patroa branca deixa o filho de 5 anos da empregada preta cair do nono andar do prédio onde mora, devemos nos lembrar de que seus comportamentos são sustentados por uma estrutura econômica, social, política, cultural e valorativa que, diariamente, também serve de base para nossas escolhas e ações – somos mais parecidos com Sari ...

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    Everton Ribeiro — Foto: Gettyimages

    Lives e visitas a favelas: como Everton Ribeiro se aproximou do AfroReggae e deu voz contra o racismo

    O posicionamento de Everton Ribeiro nas redes sociais contra o racismo nos últimos dias foi um dos mais veementes entre jogadores de futebol do Brasil. Enquanto lá fora muitos atletas se juntaram a protestos antirracistas, aqui o capitão do Flamengo não só se manifestou como abriu suas redes sociais para que temas relacionados à população negra fossem debatidos. A postura de Everton não é de agora. Desde o ano passado, o jogador se engajou em projetos sociais do AfroReggae em favelas do Rio de Janeiro. A possibilidade veio através de Bruna, esposa do meia Diego Ribas, que também mantinha contato com William Reis, coordenador do movimento. Partiu dela a indicação para que Everton fosse procurado. - Eu o conheci através da Bruna, esposa do Diego. Meu primeiro contato foi com ela. Levamos o Diego para conhecer o AfroReggae. Eu queria outro jogador que gostasse disso para conhecer o projeto. Ela ...

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