Tag: Questão Racial

Juiz Edinaldo César Santos Junior  (Foto: Arquivo Pessoal)

Edinaldo César Santos Junior: Um sujeito-juiz-negro

Seguramente, no início dos anos 2000, o Poder Judiciário brasileiro não poderia ser nominado como um oásis de igualdade racial. Em 2005, ao tomar posse na magistratura, as discussões sobre questões raciais na instituição eram praticamente inexistentes. Portanto, o acesso a uma instituição secular e elitista como a magistratura me reservaria uma viagem para dentro de mim mesmo, das minhas questões como ser humano, mas especialmente como um homem negro.  Performar no ambiente institucional significava, em regra, embranquecer-se. Entretanto, isso nunca foi e nem seria uma opção para mim. Sou um juiz negro. E, diante desse fato irrefutável, três circunstâncias sempre me sondavam: a solidão nesses espaços de poder; a necessidade de ter uma alta perfomance para ser validado na ocupação desse lugar e; a sensação da impossibilidade de cometimento do mínimo erro, cujas consequências, numa sociedade racista, não atingiriam somente a mim mas também a toda a minha coletividade ...

Leia mais
Foto: Pexels / Anna Shvets

Por que é fundamental investir na potência de mulheres negras?

Ao considerarmos que a maioria da população brasileira é negra – 56,2%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) -, o maior grupo populacional do país é, ao considerar-se a interseção entre raça e gênero, composto por mulheres negras, o que corresponde a quase 60 milhões de pessoas. Por outro lado, elas são as pessoas mais afetadas por crises como a gerada pela pandemia e contextos como esse denunciam a existência de condições socioeconômicas e psíquicas ainda deficientes, o que é potencializado pela falta de políticas públicas direcionadas. A PNAD Contínua mostrou também que, em 2020, o desemprego entre mulheres não negras foi de 13,5%, enquanto esse indicador chegou a 19,8% entre mulheres negras. A atuação do investimento social privado tem um papel importante nesse contexto se olhar  para intersecção entre gênero, raça e território. Viviane Soranso, Coordenadora do Programa Raça e Gênero da ...

Leia mais
A Jornalista Joyce Ribeiro, da TV Cultura (Foto: Carol Coelho )

Joyce Ribeiro expõe falta de negros no jornalismo: ”Poucas parecidas comigo”

Para a jornalista e escritora Joyce Ribeiro, é um deleite ser inspiração para diversas gerações que pretendem ingressar na profissão. Aos 42 anos, ela está à frente do ‘Jornal da Tarde’, na TV Cultura, é mãe de duas filhas, e caracteriza tudo como fruto de “realização, alegria e responsabilidade”. Segundo ela, os anos de estudo e carreira foram árduos, já que a imagem da mulher negra no jornalismo parecia algo distante. “Eram poucas as mulheres parecidas comigo na TV. Sempre me inspirei na Glória Maria e na Dulcinéia Novaes, que mesmo começando antes, em um cenário muito mais resistente a presença do negro na TV, conseguiram lutar, insistir e desenvolver carreiras brilhantes que são exemplos para profissionais que vieram depois”, destaca ela à AnaMaria Digital. A falta de profissionais negros nas redações e a dificuldade para a presença de apresentadores negros, segundo Joyce, expressam o alcance do racismo na sociedade, sobretudo nos ambientes de trabalho. ...

Leia mais
Foto: Stock/Adobe

Os negros e os LGBT

Mais um mês do Orgulho LGBT+ está terminando no país que mais mata LGBTs no mundo e que elegeu um LGBTfóbico assumido para a ocupar a presidência da república. Muito se diz que datas como essas são criadas para fazer lembrar e refletir. Refletir sobre a violência perpetrada contra LGBTs e lembrar daqueles que vieram antes dessa geração, que suaram, lutaram e morreram para que tivessem melhores condições de vida, e para que seus direitos (e existências) fossem reconhecidos. Apesar de a comunidade negra ter sido forjada em muita luta contra o preconceito e contra a violência - que ceifa inúmeras vidas negras diariamente -, parte dos negros que se autoproclamam conscientes sobre questões de raça ainda destila LGBTfobia, demonstrando irritação quando são levantadas as existências de LGBTs negros, ou ainda, quando são pedidos tolerância e respeito para eles dentro de espaços voltados às pessoas negras e debates raciais. Meu ...

Leia mais
Branquitude: reconhecer-se enquanto pessoa branca e os privilégios atrelados a isso é passo importante na luta antirracista (Foto: Gabe Pierce/Unsplash)

Carta ao antirracista

Caro antirracista, Não nos conhecemos pessoalmente, mas seguimos um ao outro nas redes sociais. Aliás, geralmente acompanho perfis que compartilham notícias sobre as lutas dos povos oprimidos. E de uns tempos pra cá, reparei que você entrou de cabeça nas discussões sobre o racismo no Brasil. Achei bastante positivo, e deveria ser comum entre pessoas brancas que sonham com uma sociedade igualitária. O racismo não pode continuar sendo atribuído como um problema, exclusivo, dos negros e indígenas. Sejamos honestos, o racismo é fundamentado na branquitude, e uma de suas características é o conluio da elite econômica branca atuando na manutenção dos próprios privilégios. Portanto, a existência do racismo tem a ver com os que se parecem com você, e não comigo. Do lado de cá, somos somente vítimas. Mas vou te contar uma coisa, sou uma pessoa atenta às discussões que envolvem as questões raciais, e por isso, acabei percebendo ...

Leia mais
Kathlen de Oliveira Romeo (Reprodução/Instagram)

E eu não sou um negro?

“Os miseráveis, os rotos / São as flores dos esgotos” (“Litania dos Pobres”; Cruz e Sousa) Eles combinaram de nos matar, e nós combinamos o quê, para ontem, para já? A vida de Kathlen Romeu era apenas um cisco no olho do policial que a matou. Incomodou sua visão; era preciso eliminar o incômodo. Sob o tsunami das mesmas (in)justificativas, do Estado e do atirador, nenhuma lágrima rolou, nenhum pedido de desculpas: o patrono das maldades é mesmo o Estado de Direito. O detalhe é que o incômodo tinha vida e nome: uma jovem mulher negra, de 24 anos, e grávida de quatro meses. O policial, qualquer um deles, não tem filhos, irmãos, mãe, parentes? É preciso ter cautela ao sair de casa sendo negro ou negra no Brasil. Há um ódio curtido em fogo brando, herança de tempos coloniais e da maldita escravidão, atípica e longeva. Esse ódio atravessa séculos, com sua fúria e gosto de ...

Leia mais
Imagem: Getty Images

Curso de curta duração aborda políticas públicas e famílias negras

O curso Políticas Públicas e Famílias Negras: Construindo Igualdade Racial na Atenção e nos Cuidados acontecerá entre os dias 26 de julho e 03 de agosto, nos idiomas português e francês, com tradução simultânea. As inscrições devem ser feitas pelo site. A formação é oferecida pelo Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e faz parte do programa Exchanging Hemispheres, da Coordenadoria de Cooperação Internacional e Interinstitucional (COI) da UPM. As aulas apresentam fundamentos teóricos e metodológicos na abordagem de famílias negras nas práticas psicossociais de atenção e de cuidado em saúde mental, considerando aspectos institucionais e étnico-raciais, nas diferentes perspectivas da Psicologia. Além disso, o curso busca expor fundamentos do Direito para refletir e esclarecer o papel do Estado no cenário do racismo na história da legislação brasileira, de modo que a interdisciplinaridade na área das políticas públicas possa promover e garantir a igualdade racial. Os encontros ...

Leia mais
Foto: Getty Images

Jovens negros têm três vezes mais chances de serem mortos pela polícia no Rio, segundo dados do ISP

Ano passado, 75% dos mortos em confronto com agentes do estado (policiais, bombeiros, agentes do sistema penitenciário) eram negros e 68% têm menos de 25 anos. Esses números são relativos a recortes por cor, gênero e idade nas estatísticas gerais dos chamados mortos por intervenção policial. Os dados inéditos são do Instituto de Segurança Pública (ISP), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, e foram obtidos pela GloboNews por meio da Lei de Acesso à Informação. De cada 100 mortos pela polícia, enquanto mais de 75 são negros (pretos ou pardos), 12 são brancos e 12 a polícia não registrou. Em 2020, foi registrado um total de 1.245 mortes. Os dados não contam com a idade de 54% dos mortos. Excluindo esses cuja idade é ignorada, 68% têm menos de 25 anos, sendo que 10% ainda são crianças ou adolescentes, menores de 18 anos. Dados do ISP mostram que 75% ...

Leia mais
Foto: Aditya Romansa/ Unsplash

A maternidade perigosa: uma reflexão sobre a maternidade preta

As histórias que me contaram durante a infância, sobre Maria, a mãe do menino Jesus me fizera crescer acreditando que a maternidade é um momento sagrado, mais do que isso, uma mulher é um ser sagrado. Afinal somos nós, fêmeas, que trazemos a vida para o mundo. Claro que além dessa Maria, uma outra Maria, também me fez acreditar nesse sagrado, minha mãe. Eu sou a casula, por isso nunca pude a ver carregando um beber dentro dela, mas as fotos, as histórias, tudo que ela passou para conseguir trazer a mim, as minhas irmãs e o meu irmão a esse mundo, a dor do parto - que mesmo nunca tendo passado por ela me assusta. Quando criança, a primeira mulher que vi grávida foi a minha irmã mais velha. Que da noite para o dia, deixou de ser uma menina para se tornar uma mulher. Mas, para mim não ...

Leia mais
Kathleen Romeu, baleada durante operação policial no Rio. (Foto: Reprodução/ INSTAGRAM)

Caso Kathlen: o silêncio das autoridades alimenta o racismo que mata

É por volta das 14 semanas de gestação que a mãe geralmente consegue sentir os primeiros movimentos da pequena vida que cresce em seu ventre. Nessa fase, o feto tem cerca de 9 centímetros (um pouco maior que um pêssego), seu corpo é quase que só coração. Na entrada do segundo trimestre de gravidez, a gestação se torna mais concreta, mais aparente. O corpo muda, as curvas de cintura se alargam e brota — de repente — uma barriguinha. Com isso, se misturam sentimentos, o amor se expande e até angústias habitam os pensamentos da mãe. Nessa montanha-russa de emoções, a mulher se torna a maior protetora daquela pequena vida. Nessa altura, os riscos da gravidez são menores. Talvez por isso, a designer de interiores Kathelen Romeu, 24 anos, tenha escolhido a semana passada para anunciar a alegria da gestação, ao lado do companheiro. Mas a vida da Kath e ...

Leia mais
Kássia Morgana Rodrigues denuncia ter sido vítima de racismo em bar de Anápolis (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Garçonete denuncia que foi vítima de racismo após cliente discordar da conta no bar: ‘Preta feia’

A garçonete de um bar de Anápolis, a 55 km de Goiânia, denunciou que sofreu racismo de uma cliente que reclamou do valor da conta. No boletim de ocorrências, Kássia Morgana Rodrigues registrou que a mulher a chamou de "inútil" e "preta feia". A funcionária, que tem 26 anos, disse ainda que o pai da cliente foi ao local e exibiu uma arma, ameaçando os funcionários. “Ela falou: ‘Você tem que desamarrar esse coque horrível, você é negra. Você tem que desamarrar esse cabelo velho e feio. Você não merece estar aqui, não merece esse serviço, amanhã eu vou mandá-lo te demitir’”, disse Kássia. A garçonete trabalha no local há dois anos e disse que jamais tinha sofrido qualquer ofensa até a última quinta-feira (3), quando a cliente ficou insatisfeita ao receber a conta e começou a fazer os insultos. A cliente foi orientada pelos funcionários e responsáveis pelo estabelecimento ...

Leia mais
Divulgação/USP

Carta dos docentes negras e negros da USP: Pelo direito á diversidade na USP!

Docentes negras e negros da Universidade de S. Paulo lançaram carta à administração da USP  denunciando o racismo institucional na universidade. A carta intitulada “PELO RESPEITO À  DIVERSIDADE NA USP” avalia que o caso da morte do estudante Ricardo Lima da Silva no CRUSP  (Conjunto Residencial da USP) no dia 26 de maio não foi um fato isolado, mas fruto da “inequívoca  existência do racismo institucional na USP, da ausência efetiva de políticas públicas para superar o  racismo, a falta genuína de interesse em um verdadeiro acolhimento de pessoas negras na  universidade”.   O documento lembra que, muitas universidades ao redor do mundo, perceberam a importância e os  benefícios de “políticas de valorização da diversidade e de acolhimento, de educação e enfrentamento  a abusos, assédios e discriminações étnico-raciais” enquanto vigorou um silêncio institucional da  reitoria ante a morte trágica do estudante. O episódio ocorrido com o estudante da Geografia, dentro  das ...

Leia mais
Carlos Carvalho Cavalheiro/ Arquivo Pessoal

Negritude velada: As irmandades de negros de Sorocaba

Um fato que salta aos olhos, de imediato, ao se debruçar sobre as esparsas – e, por vezes, desencontradas – informações sobre a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário (e, posteriormente, de São Benedito também) de Sorocaba é o estado de penúria em que se encontravam os negros a ela associados. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos desapareceu em Sorocaba em 1812, sendo insensivelmente substituída, conforme as palavras do historiador Aluísio de Almeida, pela Irmandade de São Benedito, como sociedade religiosa de negros sorocabanos, por volta da década de 1820. A levar em consideração as informações disponibilizadas por Aluísio de Almeida, os negros sorocabanos venderam a sua inacabada capela de taipa dedicada a Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, por volta de 1770, ao Sarutaiá, ficando sem orago por algum tempo. Ao que tudo indica, esse capitão-mor sabotava a construção dessa igreja, que ficava defronte ...

Leia mais
Foto: Arte de Lari Arantes

Quando descobri que eu sou uma uma mulher negra ou Coisas que não estou dizendo

Este não é um texto inspirador. É apenas um desabafo incompleto e superficial de alguém que não sabe se pertence ao lugar onde está. Posso dizer que o momento em que descobri que sou uma mulher negra foi quando cheguei à cidade de São Paulo, mais especificamente quando se iniciou o ano letivo e eu passei a frequentar o campus da USP. Sim, foi exatamente quando percebi, com o passar dos dias e semestres, que estava me afogando em um mar de gente “lisa”, branca e rica. Veja bem, não estou dizendo que nunca vi pessoas brancas, ou “lisas” ou ricas antes, mas quando você sai de um lugar como a Bahia, que pode ser considerada a “África brasileira”, em que aproximadamente 81% da população da capital é negra e/ou pobre, vem dos mesmos lugares que você e tem uma realidade parecida com a sua, é um tanto assustador estar ...

Leia mais
Primeiros atos do MNU comparavam o Brasil ao apartheid sul-africano. (Foto: Jesus Carlos via Memorial da Democracia)

Todo preso é um preso politico? Os Panteras Negras e o MNU como organizações pioneiras em enfrentar o cárcere

O Partido Panteras Negras se destaca como uma das organizações pioneiras em relação à organização e luta dentro e fora das cadeias contra o sistema prisional. No seu programa de dez pontos, os pontos 8 e 9 tratam do sistema penitenciário, sendo que o ponto 8 afirma explicitamente: “Nós queremos a liberdade imediata para todas as pessoas pretas mantidas em prisões e cadeias federais, estaduais, dos condados e municipais” A organização revolucionária negra na época também se enraizou dentro do cárcere. Em 21 de agosto de 1971, George Jackson, membro da Família da Guerrilha Negra (coletivo de autodefesa fundado por Jackson no interior da prisão) e ligado ao Partido Panteras Negras, foi assassinado na penitenciária de San Quentin, Califórnia. Jackson propunha a “transformação da mentalidade criminal negra em mentalidade revolucionária negra” e, com suas práticas e escritos, teve grande influência em grupos de prisioneiros. A execução de Jackson por agentes ...

Leia mais
IZA: reconhecimento na Time (Foto: Reprodução/ Instagram)

Iza é eleita ‘Líder da Próxima Geração’ pela TIME e destaca luta contra racismo: ‘Microfone é arma’

A cantora Iza é sinônimo de empoderamento e representatividade e sua importância no cenário mundial foi notada pela revista norte-americana "TIME". A carioca foi eleita uma das "Líderes da Próxima Geração" pela publicação e comentou seu envolvimento com a questão da desigualdade racial. "Não falo sobre racismo porque é um assunto de que gosto muito. Falo sobre isso porque é necessário", indicou. Aos 30 anos, ela sempre manifesta nas redes sociais sobre a pauta e defende a busca por uma sociedade mais igualitária e justa. "Eu realmente acredito que nosso microfone é uma arma e precisa ser usado com sabedoria, não só para conseguir nossas realizações pessoais, não só para pagar contas ou fazer as pessoas dançarem, mas também para fazer as pessoas aprenderem", afirmou a cantora. 'AJUDAR E INSPIRAR UNS AOS OUTROS', ACONSELHA IZA A artista também contou que, apesar de sempre ter recebido apoio de casa, sentia a ...

Leia mais
A escritora e ativista Ana Paula Lisboa (Foto: Ana Branco / Agência O Globo)

Murro em ponta de faca

Das obstinações, várias tentativas, repetições, não desistências, insistências, confesso: não sou das melhores. O tempo às vezes me ganha, esse deus lindo e valiosíssimo. Não só ele, o cansaço, a preguiça. Quer me matar? Tenha comigo as mesmas discussões, não resolva os mesmos temas durante semanas, meses, anos, me faça as mesmas perguntas sempre, brigue comigo pelos mesmos motivos, me diga para resolver coisas que já foram resolvidas por outras pessoas no passado. Minha ansiedade me faz querer avançar, pensar no que pode ser a próxima coisa, no que posso trazer de novo. Não consigo acreditar que recebi esta vida para perder tempo pensando em coisas que já foram resolvidas. Mas, veja bem, não digo que estou certa. Na verdade, percebi que várias vezes estou muito errada. Uma das últimas vezes foi assim: eu seguia na minha plenitude quando Julio Ludemir, da Flup, na live de lançamento do livro “Carolinas”, ...

Leia mais
Christian Ribeiro (Foto: Arquivo Pessoal)

A Chacina de Jacarezinho e a naturalização da morte, e do racismo, na sociedade brasileira!

A Chacina de Jacarezinho, ocorrida em 06 de Maio de 2021, nos revela a face de uma sociedade cada vez mais orientada pelo ódio e intolerância, em que o Estado é utilizado enquanto elemento de perseguição e extermínio daqueles considerados como os “outros”, os “indesejáveis”, os “inumanos”. Seres desqualificados e desprovidos de sua condição humana, sem significados, importâncias ou historicidades aos olhos de nossas elites, em seu ideário civilizatório de cunho racista e classista. Nesse sentido, sendo essa chacina um reflexo de um Brasil profundo e reacionário que não se acanha mais em mostrar a sua verdadeira face, não mais aceitando ser regulado nem mesmo pelos padrões institucionais-jurídicos, vide ter sido uma ação policial cometida sem pudores, em flagrante desrespeito a chamada “Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 635) das Favelas”, ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em que o aparelho estatal passa a exercer uma naturalização e adoração ...

Leia mais
Foto: @alyssasieb/ Nappy

Racismo é coisa de criança? Quando os desenhos ensinam a odiar

Nelson Mandela já nos ensinou que “Ninguém nasce odiando o outro pela cor de sua pele, ou por sua origem ou religião. Para odiar as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar”. Na década de 1980, época em que eu nasci, a programação infantil da televisão era dominada por programas como Xou da Xuxa, Os Trapalhões e Sítio do Picapau Amarelo, só para citar alguns. Não tínhamos grandes referências, se é que tínhamos alguma, de pessoas negras. Cresci, como milhares de crianças, sob a influência do racismo estrutural, institucional (ALMEIDA, 2019) e recreativo (MOREIRA, 2019) disseminado pela TV, que nos faziam acreditar que o padrão de beleza, inteligência e superioridade era branco, cis e heteronormativo, em uma época que essas expressões nem eram tão conhecidas. Quantos meninas (eu me incluo) não sofreram por não serem brancas, loiras e de cabeços lisos, características que ...

Leia mais
Foto: @RootedColors/ Nappy

A minha dor você não quer

(Crônica) Às 7h45 acordo depois de uma noite mal dormida. Minha cabeça não para. O azar é todo meu. Memórias, dores e sabores são revividos a cada minuto que permaneço deitada. Uma lembrança é inevitável: a época da escola e o que eu poderia ter feito de diferente se eu soubesse a potência da minha cor. As dores e os traumas não teriam me feito passar por anos de silenciamento. Confesso! Até hoje luto contra isso. Pretendo superar, mas tendo consciência de que tudo é um processo. Doloroso! Lábios grossos e nariz achatado. Me lembro como se fosse hoje: - Nariz que o boi pisou!!! Depois de tanto tempo ainda me lembro...e a dor não é diminuta. Me recordo como se fosse agora; - Por que você não alisa esse cabelo? Nem tem como usar solto! Ou Por que você não faz as sobrancelhas? Frases ditas a uma criança de ...

Leia mais
Página 1 de 69 1 2 69

Últimas Postagens

Artigos mais vistos (7dias)

No Content Available

Twitter

Welcome Back!

Login to your account below

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Add New Playlist