segunda-feira, novembro 23, 2020

    Tag: Questão Racial

    Elias Oliveira Sampaio Foto:Adenilson Nunes/Secom Local Fundação Luís Eduardo Magalhães

    As desigualdades raciais são categóricas e duradouras, estúpido!

    Talvez o maior erro de avaliação para usos e formas de se tentar aplicar o termo “novo normal” para qualificar as diversas facetas da atual conjuntura socioeconômica e político-institucional mundial, é imaginar que as transformações em curso estão surgindo e/ou sendo mais evidenciadas, tão somente, em virtude dos efeitos deletérios causados pela disseminação da covid-19. A crise sanitária causada pelo coronavirus, apesar de seu ineditismo, sua dimensão e sua criticidade, tem sido apenas o elemento catalizador de um conjunto mudanças que vem ocorrendo mais acentuadamente nas últimas duas décadas, particularmente, no campo das tecnologias de informação e comunicação, as quais, tem sido – e por muito tempo ainda serão – as condições necessárias para se chegar a algo verdadeiramente novo nas relações sociais de produção e de consumo tal qual as conhecemos. As tão atualmente populares Amazon, Netflix e Google, por exemplo, estão por aí desde dos anos de 1990. ...

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    A pandemia, o racismo e o bode na sala¹

    amigos e amigas do trabalho, da família e da luta social Vamos nos fortalecer para vencer o mal Fazer deste limão uma limonada, superar esta empreitada, e vencer, vencer, vencer! Este samba é para você Amigo e amiga desta jornada da vida. Na jornada da vida – Aderaldo Gil “Em 15 meses foram gastos com a militarização da Maré o dobro do que se investiu na comunidade em programas sociais por 6 anos.” Renata Souza, Cria da Favela: p. 90 A pandemia, na extensão e intensidade como está se dando será um marco nas narrativas do século XXI. Poetas, artistas, filósofos proclamam mudanças significativas na concepção da existência humana, nas relações sociais, nas relações de seres humanos com a natureza, etc. Será que isso vai acontecer mesmo? Porque sempre houve desejos e anúncios de mudanças, frustradas pela força dos poderes tradicionais e por fraquezas das-dos agentes da transformação. A dúvida ...

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    O advogado Camilo Onoda Caldas é diretor do Instituto Luiz Gama Imagem: Divulgação/Instituto Luiz Gama

    Decisão do TSE é ponto de partida e evita negro ser ‘escada’, diz advogado

    Diretor do Instituto Luiz Gama, o advogado Camilo Onoda Caldas afirma que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estabeleceu um "ponto de partida" contra o racismo ao fixar que o financiamento de candidatos negros deve ser feito de forma proporcional e atuou para evitar que as candidaturas negras sirvam apenas para puxar votos para os partidos. "É uma decisão importante que estabelece um ponto de partida. Deve ter impacto em 2022? Vai ter impacto. Vai haver uma mudança radical? Acredito que não. A questão racial, ela se resolve com um conjunto de medidas, e não com uma única medida", afirma Caldas. Ontem o TSE decidiu que a partir das eleições de 2022 os recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário utilizados nas campanhas devem ser repartidos de forma proporcional ao número de candidatos e candidatas negras de uma legenda. A distribuição proporcional também deverá ser observada na divisão do tempo ...

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    Slick Woods posa com o filho para 'Vogue' Imagem: Tyler Mitchell / ArtPartner

    ‘Nascer negra é uma coisa libertadora, mas exaustiva’, diz Slick Woods

    A modelo Slick Woods quer que o seu filho cresça em um mundo onde não precise passar pelas situações de discriminação que ela mesma enfrentou, dentro e fora da indústria da moda. Em ensaio para a Vogue, ela falou sobre sua experiência como mulher negra nos EUA. Como alguém que experimentou uma infância negra, uma vida de mulher negra, e a maternidade negra, eu posso dizer honestamente que nascer com melanina na pele é um dos sentimentos mais libertadores, mas exaustivos, do mundo. Minha esperança é que meu filho não precise experimentar metade do que eu experimentei enquanto crescia Slick Woods sobre sua vida como mulher negra nos EUA A modelo comentou que se sente "grata" por estar na posição de dar ao filho "uma infância e uma vida adulta que ela jamais seria capaz de imaginar". O pequeno Saphir, de 2 anos, nasceu do relacionamento dela com o modelo ...

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    A estudante Nina da Hora (Foto: Lucas Borba)

    Conheça Nina da Hora, nome quente na luta pela equidade de gênero e raça na tecnologia

    Erê vive em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, num lar com sete cachorros, seis “salsichas” e um poodle. Em junho, estava aprendendo a andar: se locomovia bem em terrenos planos e desviava de obstáculos com precisão. Mas em chão acidentado, como o do quintal da casa, se atrapalhava um pouco mais. Erê, ao contrário do que possa parecer, não tem pernas, pois não é gente. Ele tem rodinhas, afinal é um robô — e ainda possui uma placa Julieta, plataforma Falcon e sensores ultrassônicos e de refletância analógica (apetrechos que estas páginas não dariam conta de explicar). É obra criada por umas das jovens mentes mais promissoras da ciência da computação no Brasil: Ana Carolina da Hora, de 25 anos, mais conhecida como Nina da Hora. Moradora de Caxias e estudante da PUC-Rio, a dona dos pets e do Erê têm feito sucesso com sua proposta de descomplicar e ...

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    Russell Ledet (Foto: Imagem retirada do site CNN)

    Ex-segurança de hospital volta ao local como médico residente

    Russell Ledet, 34 anos, é um veterano da Marinha dos EUA que atualmente é um dos médicos fazendo residência no hospital Baton Rouge General Medical Center, no estado de Louisiana. O ponto alto da história é que ele trabalhou como segurança no local por cerca de cinco anos. O ex-segurança resolveu estudar Medicina e contou com a ajuda de Patrick Greiffenstein, o chefe dos residentes de cirurgia, como seu mentor nessa caminhada. Ledet quer servir de inspiração para outros jovens negros e por isso resolveu trabalhar em Louisiana, perto de onde ele cresceu, para sempre recordar do seu "início humilde". Ação deu origem a uma organização de incentivo aos jovens negros (Foto: Reprodução/The 15 White Coats) Em dezembro de 2019, Russel organizou uma sessão de fotos em que ele e 14 colegas negros da faculdade de Medicina de Tulane posaram com seus jalecos brancos na frente ...

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    Guillermo Arias/AFP via Getty Images

    O nascimento do Sujeito Negro

    Desde que eu posso me lembrar, sempre fui acompanhado por uma profunda melancolia. Inconstante – às vezes onipotente, às vezes quase imperceptível – mas sempre presente.  Depois de versar e tergiversar sobre essa fiel companheira com alguns ouvintes, nem sempre atentos, percebi o que era esse sentimento. A melancolia, no fundo, era enraizada num sentimento de não ser. Não caber. Não pertencer.  Fez sentido. Eu, de fato, nunca durei muito em grupos, o que explica os ouvintes desatentos não terem ficado pra continuação. Bom...de qualquer maneira, a insônia – uma nem tão fiel companheira, visitante esporádica – se dedicou um pouco mais. Numa dessas noites ela se deitou em minha cama, íntima como de costume, e me mostrou que essa melancolia era a minha kriptonita. Desde sempre me tornara fraco. Impotente. Cordial. Nessa noite fui bombardeado de fatos, que apesar de me incomodarem, até o momento, sempre foram meio amorfos ...

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    Foto: Shutterstock

    Rogineiri Reis: Ser negro no Brasil

    As cenas de racismo no Brasil são recorrentes, graças à tecnologia muitos casos são gravados e levados a público. O último episódio foi do motoboy, Matheus Pires, Valinhos-SP, e que deixou muitos cidadãos revoltados. O caso ocorreu na última sexta-feira (07.08). Nas imagens, Mateus Abreu Almeida Prado Couto chama o jovem entregador de analfabeto e invejoso, apontado para a cor da própria pele. O agressor ainda ofende o entregador, o chamando de semianalfabeto; e diz que ele tem inveja da vida que as pessoas que moram no condomínio dele têm; diz ainda que o profissional não tem onde morar nem nunca vai ter nada do que ele estava mencionando. O vídeo foi gravado por um vizinho e ganhou notoriedade na mídia brasileira.   Neste episódio podemos ver o racismo explícito existente na sociedade brasileira, e temos que destacar que a relevância da temática deve ser levada em conta, debatida e combatida ...

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    (Foto: nappy/@sebastianlibuda)

    EUA: Negras de cabelo natural têm menos chance no mercado de trabalho 

    Mulheres negras com cabelo natural — crespo ou cacheado — ou tranças têm menos probabilidade de conseguir entrevistas de emprego em comparação com mulheres brancas ou mulheres negras com cabelo liso. As informações são de uma pesquisa da Fuqua School of Business, da Duke University, nos Estados Unidos. A percepção dos participantes do estudo considerava cabelos naturais de pessoas negras como menos profissionais, de forma geral. Esse efeito foi notado especialmente em setores onde uma aparência mais conservadora é comum. A pesquisa, que será publicada na revista Social Psychological and Personality Science na próxima semana, mostra como os preconceitos sociais perpetuam a discriminação racial no local de trabalho, de acordo com comunicado à imprensa. "Os preconceitos estão enraizados em um padrão de beleza de muitas sociedades ocidentais, baseado em mulheres brancas e cabelos alisados. Os recrutadores são então influenciados por esse modelo", disse a pesquisadora Ashleigh Shelby Rosette, professora de ...

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    (Ilustração: LINOCA SOUZA)

    O colorismo é um assunto nosso?

    Vamos pensar em uma perspectiva histórica. A Democracia Racial é uma ideia (teoria, mito, imagem…) que nos remete, automaticamente, a Gilberto Freyre. Isso porque, embora ele não tenha sido o primeiro a pensar o Brasil como um país sem barreiras de discriminação, conseguiu vender essa imagem internacionalmente com o peso da autoridade de um indivíduo branco intelectualizado e com conhecimento de dentro da casa grande, que lhe ofereceu riqueza de detalhes para a obra “Casa Grande e Senzala”. Hoje temos ao nosso favor o legado de um esforço político e intelectual enorme dos pensadores negros, que nos permitiu olhar para a “verdade” da Democracia Racial pelo retrovisor. No século XX não era bem assim. Ao defender a prática de miscigenação e a ideia de um “paraíso dos mestiços” em detrimento das teorias que os condenavam como degenerados (os mulas, como se registra a etimologia da palavra “mulato”), Gilberto Freyre criou ...

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    Debora Mattos, diretora de Operações da Coca-Cola Brasil (Foto: Rodrigo Felha / Divulgação)

    Sob pressão, empresas encaram a diversidade e mudam estruturas para contratar mais negros, mulheres e LGBTs

    Com a pressão crescente de consumidores, clientes, movimentos sociais e dos próprios empregados, grandes empresas começam a dar um passo além das peças de marketing e das boas intenções na direção da diversidade em seus quadros funcionais. Causas contra o racismo, a desigualdade de gênero e a LGBTfobia começam a se refletir no ambiente corporativo de forma mais estruturada, com metodologias, investimentos e metas. E não é só para ficar bem na foto e reduzir riscos à reputação. As companhias seguem evidências de que cabeças diferentes favorecem a inovação, ampliam mercados e aumentam lucros. Há mais oportunidades, mas ainda faltam negros, mulheres e pessoas LGBTQ+ no topo. A frente racial ganhou impulso com os protestos antirracistas no mundo provocados pelo caso George Floyd nos EUA há dois meses. Além de um posicionamento antirracista, as empresas são cobradas pela coerência: não adianta fazer publicidade contra o racismo sem contratar negros ou ...

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    André Costa, advogado e único conselheiro federal autodeclarado negro da OAB Imagem: Divulgação/OAB

    Único negro dos 81 conselheiros federais propõe cotas raciais para a OAB

    Único negro entre os 81 integrantes do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o advogado André Costa, de 48 anos, quer incluir mais negros na direção da instituição. No início de julho, o advogado protocolou proposta para o órgão reservar 30% das vagas em seus conselhos (federal, estadual, subseções e caixas de assistências) para pretos e pardos por dez anos. A proposta é que a entidade preencha cargos de suas diretorias e de todos os seus membros (titulares e suplentes) com advogadas e advogados negros. Imagine você chegar a um sindicato ou empresa e olhar para o lado e ver que só você é negro?  O advogado sugere que a entidade comece a praticar as mesmas ações que prega no país. Fundada em 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, a ordem já defendeu ações como a constitucionalidade da reserva de vagas por critérios étnicos raciais (cotas ...

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    A pesquisadora americana Safiya Noble estuda como os algoritmos amplificam o racismo e o sexismo na sociedade (Foto: Imagem retirada do site O Globo)

    ‘Algoritmos têm responsabilidade pela violência contra mulheres e pessoas negras’, diz pesquisadora da UCLA

    Já imaginou que qualquer pesquisa que faça no Google ou em outra ferramenta de busca na internet está mediada pelos mesmos preconceitos e vieses inconscientes que pautam as nossas relações sociais? Ao notar que a busca por Black girls (meninas negras) sempre resultava em imagens hipersexualizadas e até pornográficas de mulheres negras americanas, a americana Safiya Noble decidiu estudar o funcionamento dos algoritmos que estão por trás dessas ferramentas. Seis anos de pesquisas resultaram no livro "Algorithms of Oppression" (Algoritmos da opressão, ainda sem tradução brasileira), lançado em 2018, em que examina como as ferramentas de busca, o Google em particular, reforçam o racismo e o sexismo das sociedades. Professora do Departamento de Estudos da Informação na Universidade da Califórnia, onde dirige o Centro para Investigação Crítica da Internet, ela afirma que a opressão e os preconceitos algorítmicos existem também nas redes sociais. Safiya Noble participa do Festival Oi Futuro, ...

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    (Foto: Spencer Platt/Getty Images)

    Por que a COVID-19 é mais mortal para a população negra? – Artigo de Edna Araújo e Kia Caldwell

    O Brasil e os Estados Unidos têm muito em comum quando se trata do coronavírus. Ambos estão entre os países mais atingidos do mundo, onde centenas morrem diariamente. O poder público máximo dos dois países possui opiniões semelhantes sobre a forma de lidar com a pandemia e têm sido criticados por isso. E em ambos os países o vírus está afetando desproporcionalmente os negros, resultado do racismo estrutural que remonta à escravidão. Desigualdades raciais O Brasil moderno nunca legalizou a discriminação racial como as leis Jim Crow nos Estados Unidos, mas as desigualdades raciais estão profundamente arraigadas. Apesar do persistente mito do Brasil como uma integrada “democracia racial”, a discriminação no mercado de trabalho caracterizada por menores salários para brasileiros pretos e pardos mesmo quando eles têm a mesma formação educacional de brasileiros brancos, assim como . segregação residencial , que determina que as pessoas negras, em sua maioria, residam ...

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    Djamila Ribeiro (foto: MAURO PIMENTEL)

    Negro é traficante, branco é estudante que faz ‘delivery de drogas’

    Recentemente escrevemos nesta Folha sobre efeitos nocivos da política de drogas empreendida no país para toda a população. Geradora de violência, injustiça e morte, a criminalização das drogas não tem surtido efeito na redução do consumo, muito menos na segurança da população, porém certamente tem gerado muito lucro, seja para traficantes donos de helicópteros com cargos em Brasília, seja para policiais milicianos, seja para donos de “clínicas” de internação obrigatória, ambos que, vejam só, são contrários à descriminalização no palanque e na mídia, que segue tratando esse tema tão importante como tabu. O verdadeiro crime de drogas é cometido por esse sistema que lucra em cima da desinformação, do medo e da morte, porém tais carrascos seguem engravatados e sem punição, enquanto meninos lotam masmorras e cemitérios na posse de farelos. (Foto: Linoca Souza/Folhapress) Lucas Morais da Trindade é um desses. Preso por posse de 10 ...

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    (Foto: André Zanardo)

    Para especialista, juízes brancos desprezam a realidade social ao julgar

    Como a Justiça brasileira trata os negros que a procuram? Essa e outras questões foram debatidas durante o painel “Julgamento com Perspectiva Racial” do seminário “Questões Raciais e o Poder Judiciário”, promovido remotamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ)  e teve sua programação iniciada na terça-feira (7/7). Na opinião de Adilson José Moreira, mestre e doutor em direito constitucional, negros e indígenas, quando buscam o Poder Judiciário, esbarram em uma Justiça formada por homens brancos, heterossexuais, com boa condição social. A experiência deles não é a mesma da maioria da população brasileira: negra, pobre, periférica. O especialista citou que, para escrever seu mais recente livro – Pensando como um Negro – fez uma longa pesquisa sobre decisões judiciais relativas a casos de racismo e injúria racial e percebeu que todas seguiam um padrão: juízes que decidem os casos abordam o racismo como um comportamento individual e não estrutural. Adilson José ...

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    Arquivo Pessoal

    Contrato Social

    Os recentes protestos dos negros e demais apoiadores nos Estados Unidos, que duraram semanas, têm fundamentos filosófico, jurídico e social bem consolidados, e, por isso mesmo, motivam à luta pelo mesmo ideal os negros de outras nações, inclusive do Brasil. Do ponto de vista filosófico, os fundamentos estão entrelaçados na teoria do Contrato Social que são ideias defendidas pelos filósofos Thomas Hobbes, John Locke e Jean Jacques Rousseau, cuja finalidade é explicar os caminhos que levam as pessoas a formarem Estado e manterem a ordem social. O ponto de partida da teoria contratualista emerge do estado da natureza; isto é, uma sociedade sem regras evoluindo para uma sociedade civilizada, que só se torna possível através de um pacto entre os homens, no qual uma regra de ouro se faz necessária, qual seja: os indivíduos abrindo mão de liberdades individuais em benefício do bem-estar político e social de todos. Assim, a ...

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    Djamila Ribeiro (foto: MAURO PIMENTEL)

    As mudanças não serão imediatas, estrutura racista é secular, diz Djamila

    A filósofa, escritora e ativista Djamila Ribeiro afirmou em entrevista ao UOL Debate, na manhã de hoje, que o debate sobre racismo está sendo feito sem tabus atualmente no Brasil, mas que, para haver mudanças, será necessário mais tempo. A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Leonardo Sakamoto, colunista do UOL, e Paula Rodrigues, repórter de Ecoa. "Estamos falando de estrutura secular. Estamos discutindo mais no debate público. Isso que é novo, na verdade. O Brasil foi fundado na violência de sangues negros e indígenas. Hoje a gente pode falar sem tabu", disse. Djamila relembrou que o Brasil começou a considerar o racismo como um crime contra a humanidade na Conferência de Durban, em 2001, na África do Sul, se prontificando a reparar os danos causados pela escravidão. "Houve um levante interessante, mas que só foi possível as pessoas falarem sobre isso porque existiu um movimento que vem historicamente, sobretudo depois ...

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    Douglas Belchior, cofundador da Uneafro Brasil e da Coalizão Negra por Direitos (Foto: Marlene Bargamo/Folhapress)

    Comoção antirracista da branquitude ou vira prática ou hipocrisia, diz articulador de manifesto

    "É incoerente manifestar repúdio ao racismo e apoiar políticas econômicas, de saúde e de segurança pública que matam pessoas negras todos os dias", afirma Douglas Belchior, 41, cofundador da Uneafro Brasil, uma das 150 entidades que conformam a Coalizão Negra por Direitos, autora do manifesto "Enquanto houver racismo não haverá democracia", lançado na semana passada. O texto, subscrito por artistas, empresários e intelectuais negros e brancos, afirma que "qualquer projeto ou articulação por democracia no país exige o firme e real compromisso de enfrentamento ao racismo" e pede coerência àqueles que agora se autodeclaram antirracistas. Para Belchior, a questão racial, quando deixou de ser tabu, foi tratada como "mais um assunto" na agenda democrática brasileira quando é fator determinante, como reivindica o manifesto. "O movimento negro denuncia o racismo e suas injustiças desde sempre", afirma ele, cuja organização foi gestada no vitorioso movimento de cotas raciais nas universidades. "Hoje está ...

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    iStock; Lily illustration

    Para as mulheres negras, o autocuidado não é apenas uma palavra da moda. É um ato de resistência radical.

    Texto de Nambi J. Ndugga originalmente publicado em The Lily Como mulher negra e pesquisadora de saúde pública que vive e trabalha em Boston , vejo em primeira mão como a segregação afeta os resultados de saúde de negros e pardos em comparação com os brancos. Trabalhando neste campo, tive que construir sistemas de apoio e mecanismos de defesa que me permitissem estudar, conscientizar e abordar as desigualdades na saúde sem ser esmagado por seu peso e magnitude. Mal sabia eu que uma pandemia global e a persistente brutalidade policial experimentada por negros usariam esses mecanismos, me isolariam das comunidades de apoio e abririam caminho para uma onda de tristeza pela qual eu estava lamentavelmente despreparado. A dor No fim de semana do Memorial Day, a primeira página do New York Times listava 100.000 nomes daqueles que morreram da covid-19. Dos mortos, mais de 20% eram negros. Pouco tempo depois, surgiram notícias sobre o assassinato policial de George Floyd, um ...

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