domingo, outubro 2, 2022
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Racismo, ainda. Por Hiltor Mombach

 

Os episódios de racismo contra o árbitro Márcio Chagas revolveram uma antiga polêmica: a música mais famosas cantada por boa parte da torcida do Grêmio e que tem na sua letra a frase “chora, macaco imundo” é de cunho racista?
Quem nega diz que há torcedores colorados que se auto-intitulam “macacos”.
É que há imagens de macacos e até pessoas vestidas como o animal em jogos do Beira-Rio.
Mais: o clube tem um macaco como mascote dos seus projetos sociais, o “Escurinho”, nome escolhido pelos torcedores do clube em votação na internet.
Enquanto o número de torcedores que ainda defende de que tais cânticos não possuem conotação racista só faz dimunir, aumenta o contingente de gremistas assumindo publicamente tratar-se de racismo.
Nesta semana, o conselheiro do Grêmio Minwer Mahfuz Daqawiya publicou no site Grêmio Libertador um texto (na íntegra ao lado) onde diz: “A origem do “apelido” é racista e isso é definitivo.”
O editor do Correio do Povo, Carlos Corrêa ouviu  Márcio Chagas e perguntou o cântico é racista: “Claro. Se eu ouvir coloco na súmula.”
Para o sociólogo Mauricio Murad, “o pior problema do Brasil é a impunidade. É como se a intolerância estivesse banalizada, ou pior, naturalizada.
Banalizada é quando acontece muito, mas naturalizada é quando as pessoas acham normal”.

Por Minwer Mahfuz Daqawiya /

Conselheiro do Grêmio

O debate sobre o racismo no futebol voltou com força depois dos casos do Márcio Chagas e Arouca. Logo, voltou-se a debater o uso do termo MACACO pela torcida do Grêmio pra se referir aos colorados. Eu nunca chamei um colorado de macaco pela cor da pele, tanto que já defendi que o uso do termo não era racista, mas de uns anos pra cá percebi que ele continua com a mesma conotação de quando foi criado. Não importa se agora eles tem um mascote ou torcedores que se vestem de símios. A origem do “apelido” é racista e isso é definitivo.

Minha percepção de que o termo nunca deixou de ser racista se confirmou no último Grenal. Quando o Inter entrou em campo, ouvi, nas cadeiras do 4º anel, alguns UH-UH-UH. Ninguém me contou. Lógico que o time deles não era composto só por negros, mas não tem como aquilo não ser RACISMO. Aquela atitude de alguns poucos torcedores me fez tão mal que quase fui embora antes mesmo do jogo começar. Racismo é crime. E eu não posso defender um CRIMINOSO só porque ele também torce pro Grêmio. Da mesma forma que eu não vou defender um assaltante ou assassino só porque torcemos pro mesmo time. Infelizmente (ou felizmente) os que fizeram UH-UH-UH estavam longe e logo pararam.

RACISMO É CRIME. E como todo crime deve ser denunciado.

Tanto que eu não canto mais qualquer trecho de música da torcida que fale em MACACOS. O pior é que não é uma ou outra música que usa o termo. Tem várias. Lógico que a grande parte nem cita nosso tradicional rival, mas essas poucas músicas são mais que o suficiente pra se criar a pecha de racista. Não venha dizer que se canta porque não há opção, que assim deixa de apoiar o time. Quem vai ao estádio sabe que toda vez que uma música perde a força, se puxa outra. Se ninguém cantar mais músicas RACISTAS, elas vão ser trocadas. Simples.

 

 

 

 

Fonte: Correio do Povo

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