sexta-feira, janeiro 27, 2023
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“Racismo é uma doença mental e produz vulnerabilidade”, afirma Jurema Werneck

“Racismo é uma doença mental e produz vulnerabilidade”, afirma Jurema Werneck

O sofrimento contínuo do cidadão negro brasileiro é naturalizado pela sociedade. A naturalização contribui para a invisibilidade dos problemas que afetam a saúde mental da população negra. O resultado dessa cruel combinação é a produção de doenças que podem implicar em danos irreparáveis ou morte.

Especialistas afirmam que o racismo causa efeitos perversos na saúde da população em geral, em especial para a população negra. “O racismo é uma doença mental e produz vulnerabilidade”, denuncia Jurema Werneck, membro do Conselho Nacional de Saúde e coordenadora da ONG Criola.

A forma de lidar com a saúde mental no Brasil precisa ser revista. De acordo com Werneck, deve ser considerado o impacto do racismo na construção da subjetividade do indivíduo e a partir de um referencial teórico da saúde mental que não seja o eurocêntrico.

“Não se pode chamar um problema da magnitude do racismo como estresse. Freud falava a partir da vivência da cultura do seu grupo. Quem fala por nós? Tivemos Franz Fanon que deu a largada. Mas a saúde mental precisa ser valorizada na produção teórica. E isso é uma tarefa para os nossos pesquisadores e profissionais da área da saúde mental”, afirma Werneck.

Uma semana antes da realização do I Encontro Nacional de Psicólogos (as) Negros (as) e Pesquisadores (as) sobre Relações Interraciais e Subjetividade no Brasil (PSINEP) que termina hoje, em São Paulo, Marco Antônio Guimarães, do Instituto Psicossomática Psicanalítica Ori Aperê, informou que o profissional de psicologia deve estar pronto para ter uma atitude de enfrentamento ao racismo. “Ainda não existe uma teoria ou técnica para isso. O importante é a atitude. Eu e outros profissionais temos procurado utilizar uma linha conceitual onde o meio ambiente tem um papel fundamental na formação do indivíduo”, explicou.

Silêncio – A psicóloga Maria da Conceição Nascimento entende que o primeiro desafio do profissional da área é vencer o silêncio e encarar a questão como relevante. “O racismo não afeta apenas a população negra. A população negra é o alvo, é a mais sofrida. Mas afeta a população em geral e vai ser vencida na medida em que for vista como uma questão da sociedade brasileira, onde de negros e brancos que terão repensar o seu modo de ver o outro”.

Para Louise Silva, coordenadora de educação em saúde da Superintendência de Promoção em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e coordenadora do Comitê Técnico Saúde da População Negra, o momento é de ação e reflexão. “É preciso repensar as diferentes questões relacionadas à população negra e saúde mental. Ainda precisamos esclarecer muitas perguntas tais como: o profissional que faz este tipo de atendimento compreende que o racismo pode ser um agravante para o adoecimento mental?”, atesta Silva.

A saúde mental da população negra está entre os temas abordados na agenda de mobilização pró-saúde da população negra, que já começou no início de outubro e vai até 20 de novembro. O tema foi discutido semana passada na Uerj durante o II Seminário População Negra e Saúde Mental do Município do Rio de Janeiro.

Saúde da População Negra é direito, é lei – Racismo faz mal à saúde.

Fonte: Rede de Saúde Porpular

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