Racismo no Carrefour: Carrefour indeniza cliente confundido com ladrão em loja da Grande SP

Januário Alves de Santana foi agredido por segurança em loja de Osasco.

Caso foi em agosto de 2009; valor da indenização não será divulgado.


 

O vigia e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana, de 39 anos, assinou um acordo com a rede de supermercados Carrefour para receber uma indenização após ter sido confundido com um ladrão em uma das lojas da rede. De acordo com Dojival Vieira, advogado de Santana, detalhes do acordo foram finalizados nos últimos dias. O pagamento foi confirmado pela assessoria de imprensa do Carrefour. Por contrato, o valor não poderá ser divulgado.

Santana alega ter sido espancado por seguranças da empresa em agosto de 2009 em Osasco, na Grande São Paulo. Na época, o grupo disse que repudiava qualquer forma de agressão ou desrespeito. A rede afastou e substituiu a empresa que fornecia os seguranças – os envolvidos no caso foram demitidos – e o gerente do supermercado. Também foi feito um pedido formal de desculpas ao vigia.

 

Segundo Viera, a negociação com o Carrefour transcorreu de maneira tranqüila. “A empresa teve um papel exemplar, muito positivo no diálogo, na discussão da questão. Fez um acordo que foi satisfatório para todas as partes”, afirmou.

 

Em nota, o Carrefour disse nesta sexta que “foi possível transformar mal-entendidos e falhas em oportunidade de aprendizado e de aprimoramento não só dos processos internos do Carrefour, mas também das relações humanas e sociais. Um movimento não apenas para evitar que incidentes como esse se repitam, mas para promover transformações que permitam, de fato, avançar na consolidação dos princípios fundamentais da empresa, migrando do campo das intenções para a esfera da realidade concreta.”

Agressão
A vítima estava parada dentro de seu carro, um EcoSport, no estacionamento do mercado porque a filha dormia no banco de trás. Enquanto isso, a mulher fazia compras. Segundo ele, um homem armado se aproximou. Era um segurança do Carrefour, mas a vítima afirma que ele não estava de uniforme e não se identificou. Os dois lutaram e outros seguranças apareceram. Os homens levaram a vítima para uma sala, onde ele foi espancado – eles alegaram que Santana iria roubar o carro.

As agressões só pararam com a chegada de um policial militar. Entretanto, o policial também o teria humilhado. Na época, a Polícia Militar disse, em nota, que não compactua com nenhum tipo de discriminação e que instaurou um procedimento para averiguar o fato.

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Fonte: G1

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