Racismo sibilante na Europa que assobia

 

A Eslováquia está em estado de choque, depois do líder do Partido do povo Eslováquia Nossa (LSNS, extrema direita) e antigo líder do movimento neofascista Comunidade Eslovaca, proibido, ter ganho este domingo com 55,5% o cargo de governador da região Banská Bystrica.

Por: Costa Guimarães

Em Agosto, o número de ataques racistas contra imigrantes aumentou durante o mês do Ramadão, culminando com o esfaquear de um iraquiano, até à morte, no exterior de uma mesquita no centro de Atenas, por cinco motociclistas.

Setenta e cinco anos após a Kristallnacht – Noite de Cristal, em Novembro de 1938 [em que começaram os ataques aos judeus e seus bens na Alemanha nazi, pelo ministro da Propaganda, Goebbels], o medo do antissemitismo persiste na Europa.

A hostilidade contra os estrangeiros atingiu o apogeu com os insultos dirigidos à ministra da Integração italiana, Cécile Kyenge.

O racismo começa pela palavra e pode ir até aos fornos crematórios. Chamar macaca à ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, numa manifestação, em fins de Outubro, contra o casamento de homossexuais é só o começo.
O racismo é próprio do homem. É assim e mais vale saber isso e impedir que ele progrida, combatendo-o por meio de leis. Mas não basta. É preciso educar, desmontar os seus mecanismos, provar o carácter absurdo das suas bases e nunca baixar a guarda.

A Península Ibérica ainda não saneou a relação com o Islão.

Os imigrantes oriundos do Magrebe são chamadas “mouros”, um termo pejorativo que recorda a triste Inquisição. A crise económica não melhora as coisas. As suas vítimas desconfiam sempre daqueles que são mais pobres do que elas, mais diferentes do que elas. O racismo é uma atitude fácil perante as provações da vida. É preciso encontrar um culpado. Dantes era o judeu, agora é muçulmano.

O racismo é a preguiça mental, para já não dizer a recusa de pensar. É preciso, nas escolas, um trabalho pedagógico de longo alcance: dar a conhecer às crianças, enquanto a mente está aberta e disponível, as origens do racismo, a sua história, a sua natureza desumana e as tragédias que causou.
É preciso dizer e repetir que o medo e a ignorância são os dois pilares desse flagelo, que é possível desmontar o seu mecanismo, através do saber e da inteligência, através do debate e do fim dos tabus.

É preciso e urgente esse trabalho para evitar a profecia de Bob Marley: “Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra”.

Fonte: Correio do Minho

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