Rainha de bateria da MUM fala sobre o compromisso com a arte do samba no pé 

12/02/26
Por Beatriz de Oliveira
Valeska Reis desfila há 18 anos como rainha de bateria e há três ocupa este posto na Mocidade Unida da Mooca

À frente dos tamborins, surdos, repiques, cuícas e caixas, a rainha de bateria dá o tom da energia dos desfiles de Carnaval. É dela a responsabilidade de transmitir a identidade da escola de samba. Com quase vinte anos neste posto, Valeska Reis entende bem o compromisso de se comunicar por meio do samba. No terceiro ano como rainha de bateria da Mocidade Unida da Mooca (MUM), Valeska vive o Carnaval dentro e fora da avenida. É dona da marca Valeska Reis Shoes, que produz sandálias voltadas para passistas de escolas de samba. 

Em entrevista ao Portal Geledés, a artista fala sobre sua trajetória como rainha de bateria e diz se sentir honrada em entrar na avenida no Carnaval de 2026 com um enredo que exalta o poder feminino negro e homenageia o Instituto Geledés. 

Leia a entrevista completa!

Portal Geledés: Como o Carnaval atravessa a sua trajetória? 

Valeska Reis: Eu sou uma pessoa do Carnaval desde sempre. Foi meu pai quem me apresentou o universo das escolas de samba. Ele é compositor do imortal Hino de Exaltação da Nenê de Vila Matilde. É uma raiz muito profunda que existe na minha casa através do Carnaval. 

Estou no meu 23º ano de desfile, tendo dedicado 18 deles como rainha de bateria. Ocupei esse posto no Império de Casa Verde, Unidos de Vila Maria, Acadêmicos do Tatuapé e fui eleita rainha do Carnaval de São Paulo em 2008. Agora, estou no meu terceiro ano como rainha de bateria da Mocidade Unida da Mooca. 

Portal Geledés: Como define a responsabilidade de ser rainha de bateria? 

Valeska Reis: É uma honra muito grande, é um posto de muita visibilidade e exposição. Existe a cobrança de sempre apresentarmos o nosso melhor, porque é um cargo de muita responsabilidade. Afinal, se representa a escola como um todo, não somente a bateria. A rainha de bateria acaba se tornando uma vitrine da escola e levando o nome da agremiação para muitos outros lugares. A arte do samba no pé permite isso. 

Ser rainha de bateria da MUM é uma grande responsabilidade, principalmente por conta do peso da escola, que valoriza a religiosidade, o culto afro e a população preta. Isso faz com que eu me cobre ainda mais para entregar o meu melhor. 

Portal Geledés: Como se sente prestes a desfilar com um enredo que exalta o poder feminino negro e homenageia Geledés? 

Valeska Reis: Venho numa ansiedade desde que eu cheguei na escola. Sempre tive o sonho de desfilar com um enredo afro, não tive essa oportunidade nas outras escolas por que passei. Quando cheguei na MUM tive esse presente. No meu primeiro ano, desfilei com um enredo que falava sobre Iansã, o segundo foi uma homenagem aos povos originários. 

Nesse terceiro ano, vou desfilar com esse enredo de exaltação à figura e potência das mulheres negras. Esse tema é muito necessário, levantar a bandeira do feminismo no Carnaval vem sendo bastante especial. Além de tudo, é um enredo que me identifico muito por ser empreendedora, mãe, uma pessoa que faz várias coisas ao mesmo tempo. Então,  visto a camisa do enredo o tempo inteiro. Será um desfile de muita emoção, empoderamento e força.

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