quinta-feira, outubro 28, 2021
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Sumiço de meninos no RJ completa 6 meses, e famílias se desesperam: ‘Polícia diz que não tem pista nenhuma’, diz avó

O domingo (27) foi um dia difícil para a família de Silvia Regina da Silva, de 58 anos. Mais um. A data marcou os seis meses do sumiço dos netos dela – Lucas Matheus, de 9 anos, e Alexandre Silva, 11 –, além do amigo deles Fernando Henrique, 12, no Complexo do Castelar, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

Os três meninos estão desaparecidos desde o dia 27 de dezembro, quando foram vistos pela última vez em uma feira no bairro da Areia Branca, também em Belford Roxo.

Dona Silvia conta que, desde que as crianças sumiram, a espera é angustiante, mas tem se tornado desesperadora com a ausência de notícias e o passar do tempo.

“Minhas filhas vão sempre na delegacia tentar saber de algo, mas a polícia diz que não tem pista nenhuma. Acho estranho não ter nada. Ou às vezes acho que eles não querem passar o que sabem para a gente”, diz sobre as filhas Camila Paes Silva, mãe de Lucas, e Rana Jéssica da Silva, mãe de Alexandre.

Mãe de Fernando Henrique, Tatiana da Conceição Ribeiro lamenta ainda a quantidade de pistas falsas.

“Tem dia que dá vontade até de fazer uma loucura: ir para a rua, tentar achar. Mas eu não consigo mais achá-lo. Só trote, só trote. É muito doloroso”, disse.

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Silvia Regina, avós de dois dos meninos desaparecidos de Belford Roxo: sofrendo com as filhas — Foto: TV Globo

DHBF vai reunir a família em julho

Também segundo Dona Silvia, o próximo encontro na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) para tratar do caso está marcado para o dia 1º de julho. Data que a avó torce para chegar logo — e com uma boa notícia.

“Coração de vó sofre duas vezes. Dói demais não ver os meus netos, e ainda é muito triste ver minhas filhas pelos cantos, vendo as fotos dos filhos no celular. Ou a irmãzinha do Lucas, de 4 anos, perguntando pelo irmão”, diz.

A Polícia Civil informou que a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) continua as investigações e buscas para localizar os meninos desaparecidos.

Disse ainda que os agentes realizaram diversas diligências desde o registro feito na delegacia e operações para encontrar os garotos.

“Familiares também foram ouvidos, imagens de câmeras de segurança analisadas e outras ações foram empreendidas para esclarecer o caso”, informou a secretaria.

“Nas últimas semanas, a equipe da DHBF também ouviu depoimentos de testemunhas e realizou diligências na região”, disse a assessoria da Polícia Civil.

Avó está sustentando a família sozinha

O sofrimento da avó de Belford Roxo é ainda agravado pelas contas da casa, que não param de chegar. E com as quais ela arca sozinha.

Desde de que Lucas e Alexandre sumiram, as mães das crianças deixaram de trabalhar para se dedicar às buscas pelos filhos.

“A Rana tomava conta de criança em casa. Além de não ter condições de ficar com o filho dos outros, ela volta e meia tinha que sair correndo para ver alguma pista ou informação”, afirmou a avó.

“A Camila vendia umas coisas em casa, também não vende mais. Até pegou umas coisas recentemente, mas é muito difícil. Elas não têm condições”, diz Silvia.

Para sustentar as filhas e os outros netos, ela tem trabalhado como cozinheira em uma casa de idosos dia sim, outro não.

Nos dias em que não está na cozinha, ela faz faxinas na Barra da Tijuca e na Zona Sul do Rio de Janeiro para complementar a renda.

Ela contou que a única vez em que tirou férias na vida foi em janeiro, por causa do sumiço dos netos.

“Trabalho há 20 anos, nunca tirei férias na vida. Tirei 30 dias agora para ajudar nas buscas. Mas tive que voltar para segurar a casa. Aqui sou eu sozinha pra tudo”, disse ela no domingo (27) ao G1, em um breve intervalo do trabalho.

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Última vez que Lucas, Alexandre e Fernando foram vistos em imagens de uma câmera de segurança — Foto: Reprodução
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