sexta-feira, março 5, 2021

Tag: Aimé Césaire

Frantz Fanon, Psiquiatra e militante escreveu uma das obras mais importantes sobre o racismo, traduzido em português como "Pele Negra, Máscaras Brancas" (Foto: Imagem retirada do site Brasil de Fato)

Exorcismo revolucionário

O que Pele negra, máscaras brancas, de Frantz Fanon (1925-61), nos convida a pensar e fazer? Uma maneira de começarmos um livro, assim como terminá-lo, é refazer as perguntas do autor. De um modo mais geral, Fanon faz um convite explícito para interrogarmos como a violência dos processos de colonização e do racismo faz que a humanidade das pessoas negras seja rasurada. Na busca pela nossa humanidade, o racismo impõe a nós, pessoas negras, que busquemos máscaras brancas. De acordo com Fanon, nessa relação de opressão e violência sistemática e cotidiana, as pessoas brancas também estão desumanizadas. Tema este que continua bastante atual no Brasil, ainda mais no momento em que vivemos momentos de lutas antirracistas e de questionamento dos privilégios da branquitude. O livro chega, assim, em boa hora por aqui, em uma nova edição caprichada da editora Ubu, com tradução de Sebastião Nascimento em colaboração com Raquel Camargo ...

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(Crédito: Thiago Bernardes)

Para brasileiro vencedor do ‘Oscar dos Quadrinhos’, negros vivem história de apagamento

Poucos brasileiros ganharam o Eisner Awards, o Oscar dos quadrinhos norte-americanos. O paulistano Marcelo D’Salete, 40, é um deles. E por uma obra (“Cumbe”) que retrata um tema bem nacional: a escravidão que existiu por aqui no sistema colonial. Não dá para ler uma obra como essa sem refletir sobre o racismo e a situação da população negra no Brasil de hoje. “Falar sobre racismo e história de negros no Brasil não é simples nem fácil”, diz D’Salete. “Somos resultado de uma história de violências e apagamentos”, afirma. Seus álbuns abordam quem está à margem: “Cumbe” saiu em 2014. Depois dele veio o também premiado “Angola Janga – Uma História de Palmares”, sobre a vida no importante quilombo. E já está em pré-venda uma edição de “Discurso sobre o Colonialismo”, lançado em 1950 pelo pensador francês Aimé Césaire, com ilustrações de D’Salete. Ao 6 Minutos, o artista falou sobre racismo, história do Brasil, representação ...

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O “Diário de um retorno ao país natal” de Aimé Césaire, por Leo Gonçalves

Uma das publicações mais importantes feitas recentemente no Brasil, a meu ver, mas que passou em brancas nuvens, foi o revolucionário poema Diário de um retorno ao país natal , de Aimé Césaire, editado pela Edusp em 2012 com tradução e estudos de Lilian Pestre de Almeida. Se contarmos a data de sua versão definitiva, a obra chega ao país com um atraso de pelo menos 56 anos. Por Leo Gonçalves, do Escamandro Aimé Césaire (1913-2008) foi poeta e político martinicano. Estudou em Paris numa época em que se respirava a arte de vanguarda. Interessou-se pelo surrealismo na mesma época em que formou, junto com Léopold Sédar Senghor, Léon-Gontram Damas e outros, um grupo de discussões sobre identidades e valores culturais do homem negro. Fundaram, nesta época, o jornal L’Étudiant Noir, onde aparece escrita, pela primeira vez a palavra Negritude: (…) queremos explorar os nossos próprios valores, ...

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Aimé Césaire, ‘Diário de um retorno ao país natal’, tradução de Lilian Pestre

126.Escutai o mundo brancohorrivelmente cansado de seu esforço imensoo estalar de suas articulações sob as estrelas durassua rigidez de aço azul varando a carne mística escuta suas vitórias proditórias trombetearem suas derrotas escuta nos álibis grandiosos seu triste tropeçar 127. Piedade para os nossos vencedores omniscientes e ingênuos! (...) 131. Fazei-me rebelde a toda vaidade, mas dócil ao seu gênio como o punho no estender do braço! fazei-me comissário do seu sangue fazei-me depositário do seu ressentimento fazei de mim um homem de conclusão fazei de mim um homem de iniciação fazei de mim um homem de recolhimento mas fazei de mim também um homem de semeadura 132. fazei de mim o executor dessas obras altas é chegado o tempo de cingir os rins como um cavaleiro — 133. Mas fazendo-o, meu coração, preservai-me de todo ódio não façais de mim esse homem de ódio por quem só tenho ódio ...

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Aimé Césaire

Aimé Césaire

NEGRO SOU, NEGRO FICAREI! Aimé Cesaire Entrevista com Françoise Vergès. Paris: Albin Michel, 2005. Aimé Césaire nasceu aos 26 de Junho de 1913 no seio de uma família numerosa que habitava na "Basse Pointe", uma comuna do Nordeste da Martinica, limitada pelo oceano Atlântico cujo a "serventia" veio rimar mais tarde com os seus poemas. O seu pai era um pequeno funcionário, e a sua mãe era costureira. Aimé Césaire, aluno brilhante do Liceu Schœlcher de Fort-de-France, prossegue os seus estudos secundários como bolseiro do governo francês no Liceu "Louis le Grand", em Paris. É nos corredores deste grande liceu parisiense que, logo à sua chegada, o jovem Aimé Césaire encontra Léopold Sédar Senghor, seu mais velho de alguns anos, que o toma sob a sua asa protectora. No contacto com os jovens Africanos estudantes em Paris, Aimé Césaire e o seu amigo guianês Léon Gontran Damas, que ele conhecia desde ...

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(Foto: Imagem retirada do site Revista Galileu)

Léopold Sédar Senghor

Senghor era de família aristocrática. O pai, serere, era um rico comerciante de nobre descendência; a mãe era peul (ou fulani) povo de pastores nômades. Sua infância, em Joal, a aldeia senegalesa onde nasceu, foi sem maiores problemas. O menino Léopold estudou na missão católica de Ngazobil e completou seus estudos secundários no Lycée Van Vollenhoven. Ganhou uma bolsa de estudos e foi para Paris, sendo o primeiro africano a obter o título de "agregé" numa universidade francesa. Os anos de estudo em Paris são fundamentais para o surgimento do movimento da Negritude, resultante do encontro do senegalês Léopold Sédar Senghor com o martinicano Aimé Césaire e com Léon Gontran Damas, da Guiana Francesa. Sua carreira na França, foi brilhante. Em 1936 foi professor em Tours, mais tarde em Paris. Durante a II Guerra, foi feito prisioneiro pelos nazistas. Na oportunidade, aprendeu alemão e escreveu poemas que depois foram publicados ...

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