segunda-feira, junho 14, 2021

Tag: Flávia Oliveira

Flávia Oliveira (Foto: Arquivo/ O Globo)

No luto há luta

Não quero ser a comentarista que chora e se desespera e brada contra a necropolítica de segurança nossa de cada dia. Os assassinatos de Kathlen Romeu, oitava grávida abatida a tiros no Grande Rio em cinco anos, e do bebê que ela nem teve a chance de descobrir se era Maya ou Zayon me alcançaram intimamente. Sou filha da mãe negra, como a jovem gestante cuja vida foi interrompida no quarto mês de gestação. Como Jaqueline Lopes, sou mãe da filha negra nascida em 1996. Como dona Sayonara de Oliveira, sou avó de uma criança negra. Cresci num conjunto habitacional do subúrbio, conheço o medo da violência cometida por criminosos e policiais. Experimentei a mobilidade social pela educação e festejei o diploma de minha cria, tal como os parentes da moça recém-formada em design de interiores, agora silenciada. Das coincidências que atravessam a vida das famílias negras brasileiras, brotaram as ...

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Flávia Oliveira (Foto: João Cotta)

“Assistem, marcam pessoas negras e vão dormir”, diz Flávia Oliveira, da Globo, sobre jovem negro de bike abordado por PMs

Pelo Twitter, a jornalista Flávia Oliveira, da Globo, reclamou de pessoas brancas jogarem nas costas de pessoas negras toda a responsabilidade de lutar contra o racismo. Ela afirma que foi marcada diversas vezes no vídeo de homem negro que foi algemado por policiais enquanto fazia manobras de bicicleta numa praça e questionou: “Por que quem identifica e se revolta com o racismo estrutural não pode tomar as próprias providências? Por que não marcam as autoridades policiais de Goiás? Por que não viralizam o racismo institucional entre os amigos e conhecidos brancos?”. A jornalista, dizendo estar “verdadeiramente cansada”, ainda criticou a militância que se limita as redes sociais: “Assistem a essas cenas traumáticas, marcam pessoas negras e vão dormir”. Youtuber é abordado e algemado enquanto andava de bicicleta numa praça. Foto: Reprodução/DCM Leia a fala na íntegra: É um vídeo abominável sobre como pessoas negras, sobretudo jovens negros, sofrem ...

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(Foto: Marta Azevedo)

O que Jair diz não se escreve

O general Eduardo Pazuello conquistou no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de silenciar para não se incriminar na CPI da Covid. Foi ao Senado e, bem treinado, falou. Num par de dias, seguiu à risca a missão de (tentar) livrar de culpa o presidente da República e repartir, com estados, municípios, Judiciário e empresas, a própria responsabilidade no enfrentamento à pandemia da Covid-19, a mais grave em um século. O ex-ministro da Saúde colaborou pouco, quase nada, para esclarecer atos e omissões que já levaram à morte quase 450 mil brasileiros. Mas deixou às claras o método de atuação política e gestão pública de um governo que despreza a democracia. Não há compromisso com a palavra. O que Jair Bolsonaro diz não se escreve. Foi no que se anunciava como a quarta-feira do fim do mundo que Pazuello, em vez de medo, exibiu aos membros da CPI arrogância, e ...

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Flávia Oliveira (Foto: João Cotta)

Podemos ter uma geração que não se preparou para o mercado de trabalho por falta de oportunidade

Flávia Oliveira repercute um estudo da FGV sobre o cenário dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos sob efeitos da pandemia. O foco foi na inserção no mercado de trabalho e nos chamados "nem-nem" (nem estudam, nem trabalham). "É um grupo de altíssima vulnerabilidade no presente e na perspectiva de futuro, por isso a gente precisa criar políticas para esse grupo", defende. "Está forte no Nordeste, periferias e no Rio de Janeiro, onde 24% da população integra o grupo. No fim do ano passado esse número aumentou para 27% só na capital fluminense", destaca. Ouça

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(Foto: Marta Azevedo)

Vacina não é privilégio

O Brasil chegou ao fim do mais letal mês em um ano de pandemia, e o presidente da Câmara dos Deputados se dirigiu à nação para defender a furada de fila da vacinação por grandes empresas privadas. Ato assombroso, no dia — aniversário de 57 anos do golpe militar, por sinal — em que o país contou quase quatro mil mortos por Covid-19. Desnecessário, uma vez que os laboratórios têm insistido em informar que só negociam com governos centrais, e somente eles. Antiético, porque o chefe da Casa do Povo não deveria legislar pelo privilégio privado, especialmente numa nação desigual como o Brasil, onde a pandemia é particularmente letal para pobres, pretos, indígenas, favelados. Estúpido do ponto de vista sanitário, porque imunização de uma parte não protege o todo. Arthur Lira (PP-AL) foi o político que, há poucas semanas, escreveu e se deixou filmar lendo para o embaixador da China ...

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(Foto: Marta Azevedo)

Sem o Censo, é o fim

O apagão estatístico sempre esteve à espreita do Brasil no governo Jair Bolsonaro. Mais de uma vez, tanto o presidente da República quanto integrantes do primeiro escalão lançaram dúvida, tentaram interferir ou desqualificaram órgãos e profissionais responsáveis pelo arcabouço de estatísticas e dados essenciais ao autoconhecimento da sociedade brasileira. Ainda anteontem, o Ministério da Saúde, recém-assumido pelo cardiologista Marcelo Queiroga, tentou alterar o sistema de registro de óbitos por Covid-19 — recuou por pressão de secretários estaduais e municipais. Por complexa, a manobra alteraria, para baixo, o total de vítimas, retardando a confirmação da marca macabra de 300 mil pessoas mortas em um ano de pandemia, atestado da incompetência e da indiferença genocida do mandatário federal e de seus aliados civis e militares. Desde 2019, seguidos episódios atestaram o desapreço da gestão federal pelos que produzem informações sobre o Brasil. O presidente já pôs em dúvida a taxa de desemprego ...

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Flávia Oliveira (Foto: Arquivo/ O Globo)

Envelhecer é para poucos

O Rio de Janeiro deu a largada na (mais que bem-vinda) imunização dos nonagenários em cerimônia, domingo passado, com três mulheres — a costureira Sebastiana Farnezi da Conceição, 98 anos, Dulcinéia Gomes Pedrada, 97, Neiva Gomes Brandão, 95, ambas dona de casa — e dois homens, o ator Orlando Drummond, 101, e o compositor Nelson Sargento, 96, baluarte da Estação Primeira de Mangueira, patrimônio do Brasil. O quinteto entrou para uma (ainda modesta) galeria de imagens de esperança da pandemia da Covid-19, que antes de completar um ano já abreviou a vida de quase 230 mil brasileiros. A diversidade contida na inauguração contrasta, contudo, com a predominância feminina e branca nas filas por doses em unidades de saúde das capitais fluminense, paulista e pernambucana. É só olhar. A assimetria demográfica nos postos de vacinação é tão triste quanto fácil de compreender. No Brasil, envelhecer é luxo, não direito. Há grupos ...

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Carta para Isabela

Filha minha, O menino nasceu e com ele uma mãe, um pai, três avós, três avôs, muitas tias, muitos tios — sim, é um arranjo familiar complexo, que ele vai precisar de tempo para dominar. No coração, a matemática é simples: multiplicam-se os aparentados, unifica-se o clã. Martin é produto de dois ramos de oliveira aproximados pelo amor. É Oliveira ao quadrado, de mãe e pai. Por causa dele, toda essa gente tornou-se comunidade, aldeia, tribo. Do dia para a noite, é tudo sobre ele. É dele nossa torcida; dele nossa fé, reza e devoção. Por ele, festa e preocupação; descanso e despertar. Para ele, amor. Na derradeira segunda-feira deste ano que encerra a segunda década do século XXI, tambores e sinos ecoaram para anunciar a mudança em nossas vidas. Eu ouvi. Era dia de Exu, orixá que é palavra e movimento; e das Santas Almas Benditas, representação de nossos ...

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Flávia Oliveira (Foto: João Cotta)

Natal da fome

Sou do tipo que ama Natal. Nos que passava sozinha com minha mãe, Dona Anna, sonhava com as mesas fartas das famílias numerosas nos anúncios de fim de ano. Por uma dúzia de anos recentes, realizei a fantasia. O núcleo modesto, nunca superior a quatro pessoas, foi multiplicado por dez em festança ecumênica batizada de Natal dos Desgarrados. Reunia, num agito de varar madrugada, amigos desacompanhados e arranjos familiares de todo tipo. Por causa da Covid-19, a décima terceira celebração não aconteceu como costumava. Éramos meia dúzia de mascarados irmanados ao restante da trupe, um discurso via internet com promessa de abraço presencial em 2021. Até lá, o compromisso é ficar vivo. Sou do tipo que adora presentear. A cada Natal, ninguém nunca saiu de casa com as mãos abanando. Havia sempre uma lembrança, mesmo para quem se achegava na última hora, conhecido ou não. Este ano, não teve festa ...

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Flávia Oliveira (Foto: Arquivo/ O Globo)

A urgência da fome

Por uma porção de conveniência política e um punhado de incompetência técnica, o governo de Jair Bolsonaro adiou para depois das eleições 2020 a decisão sobre a política social no pós-pandemia. Na prática, ficará para 2021, já que o segundo turno do pleito municipal está marcado para 29 de novembro. Assim, ignorou-se descaradamente a regra número um de quem se ocupa do combate à extrema pobreza: quem tem fome tem pressa. A frase eternizada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, deu na cruzada brasileira pela erradicação da miséria; desaguou no Fome Zero, no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva; emendou no Bolsa Família. Rendeu a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, no início desta segunda década do século XXI, que chega ao fim com o recrudescimento da insegurança alimentar. O aumento da vulnerabilidade social mundo afora, durante a pandemia da Covid-19, explica o Nobel ...

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Flávia Oliveira (Foto: Arquivo/ O Globo)

Antirracismo é atitude

Em fins de maio, quando o Brasil voltou os olhos para manifestações nos EUA contra o assassinato de George Floyd, homem negro asfixiado por um policial branco, fazia dez dias que uma operação das polícias Civil e Federal em São Gonçalo (RJ) abreviara a vida de João Pedro Matos Pinto. O estudante de 14 anos estava na casa da família, no Complexo do Salgueiro, e seu corpo ferido foi levado de helicóptero pelos agentes que o fuzilaram, no dia 18 daquele mês. Mas foi a comoção pela vítima americana que respingou no Brasil, não o contrário, embora aqui a letalidade pelo Estado seja mais assombrosa. Em 2019, o Rio de Janeiro contabilizou mais mortes decorrentes de intervenção policial do que os Estados Unidos inteiros. Por causa de Floyd, porções da sociedade brasileira se deram conta do racismo que, desde sempre, se materializa em homicídios de pessoas negras, escassez de oportunidades ...

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(Foto: Marta Azevedo)

Revés na política de segurança

Em plena pandemia da Covid-19, a narrativa que, no Rio de Janeiro, tornou política de segurança pública sinônimo de guerra, confronto, abate sofreu um revés. Foi histórica a decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu operações policiais em comunidades, enquanto durar a crise sanitária do novo coronavírus. A decisão do ministro Edson Fachin, posteriormente referendada pelo plenário da Corte, respondeu ao apelo do PSB, autor da ADPF 635, em articulação com Defensoria Pública e organizações da sociedade civil, diante de um inexplicável salto no número de mortes decorrentes da intervenção de agentes da lei no mês seguinte ao início do isolamento social, em março. A polícia matou 177 pessoas em abril e 129 em maio. Em junho, após a decisão do ministro-relator, houve 34 homicídios; em julho, 50. São dados oficiais do Instituto de Segurança Pública, que também anotou queda em outros indicadores, entre os quais homicídios dolosos e crimes ...

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Flávia Oliveira (Foto: Arquivo/ O Globo)

Uma nação fracassada

Fracassaram o Estado que não impede e a sociedade que silencia ao cotidiano de abuso sexual, estupro e gravidez precoce de suas crianças. O Brasil, na última semana, horrorizou-se com as camadas de brutalidade a que foi submetida a Menina de São Matheus, no Espírito Santo. Negra, de família pobre, criada pelos avós, Ela padeceu em silêncio sob o jugo do tio, que a violentava e ameaçava. A barbárie se estendeu por quatro anos, dos 6 aos 10 de idade; só foi descoberta quando Ela engravidou — e, sob mais violência, de agentes públicos, extremistas religiosos e oportunistas políticos, conseguiu interromper a gestação em Recife. Há o ambiente familiar de miopia aos maus-tratos, mas há também a cegueira de um poder público que descuida, quando tem obrigação de cuidar. O país é farto em legislação, direitos, atribuições: do Estatuto da Criança e Adolescente à Constituição. Enquanto Ela era violada, onde ...

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Foto: Marta Azevedo

Crime sem trégua, que cansa

O racismo não dá trégua. Nunca deu. Por muito tempo, não dará. Na esteira dos protestos nos Estados Unidos pelo assassinato de George Floyd, homem negro asfixiado até a morte por um policial branco, o assunto entrou no raio de visão de uma sociedade, a brasileira, até então acomodada aos antolhos da democracia racial. Dimensões variadas do racismo nacional passaram a ser percebidas e escancaradas e denunciadas. De uma hora para outra, avolumam-se os episódios, num processo assemelhado à multiplicação dos registros de violência doméstica após a Lei Maria da Penha, de assédio sexual a partir da campanha Me Too, de intolerância religiosa depois que a Região Metropolitana do Rio de Janeiro explodiu em ataques aos terreiros de candomblé e umbanda. Como resumiu o ator Will Smith, sobre os EUA, o crime não aumentou, está sendo filmado. A vocês, preciso confessar: é tão relevante quanto exaustivo. Para pessoas negras, usando ...

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Flávia Oliveira (Foto: Arquivo/ O Globo)

Julho das Pretas

Um mês depois de a multidão indignada arrancar do pedestal — e lançar num rio de Bristol, no Reino Unido — a estátua do comerciante de escravizados Edward Colston, uma mulher negra foi içada a monumento na mesma praça, no mesmo ponto, como alvorecer de uma necessária era antirracista. O escultor britânico Marc Quinn, famoso pelas obras provocativas, eternizou — por um dia, posto que o poder público removeu a ousadia — em resina e aço o gesto da jovem Jen Reid: braço direito erguido, punho cerrado. Nos Estados Unidos, a onda de manifestações em reação ao assassinato por asfixia do americano George Floyd, homem negro, por um policial branco também resultou num reconhecimento simbólico ao ativismo feminino numa capa da revista “Rolling Stone”. O artista visual Kadir Nelson batizou de “American Uprising” (revolta americana em tradução livre) a obra com uma moça e um menino negros à frente dos ...

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Flávia Oliveira (Foto: João Cotta)

Flávia Oliveira: dividida entre o jornalismo e a atuação em movimentos sociais

“Meu médico tem convicção, mas não tem provas”, conta, rindo, Flávia Oliveira, sobre sua provável contaminação pelo coronavírus – ela fez os testes, mas foram inconclusivos. Foi após viajar a São Paulo para seu último compromisso público em março, um encontro com Nikole Hannah-Jones, repórter do jornal The New York Times, no Instituto Moreira Salles, que ela acredita ter adoecido. “Eu estava em semi-isolamento no Rio, então fiquei trancada no hotel e fui de lá para o evento. Quando terminou, decidiram sair para jantar. Eu disse que não iria, mas acabei cedendo. Mas daí o jantar se estendeu ao Aparelha Luzia, que foi enchendo, enchendo... Quando terminou a noite, estavámos todos nos abraçando. Foi a cerimônia do adeus da aglomeração”, diz ela. Os sintomas de Covid-19 vieram em forma de febre e dores intensas nas costas. “Numa madrugada, acordei com tanta dor que quase pedi para ir ao ...

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(Foto: Marta Azevedo)

Freio na solidariedade

Na esteira da pane no mercado de trabalho, da queda de renda das famílias, das dificuldades financeiras das empresas e da precipitada flexibilização do isolamento social nas principais metrópoles brasileiras, diminuiu o volume de doações que viabilizam ações humanitárias em favelas e periferias. Projetos de entrega de cestas básicas, kits de higiene, água potável e até de produção de máscaras de proteção individual (agora de uso obrigatório nas cidades) perceberam o freio na solidariedade, a partir do terceiro mês da crise decorrente da pandemia da Covid-19. É sinal preocupante, porque a vulnerabilidade das famílias que perderam trabalho, renda ou provedores segue imensa. E ainda não tem prazo para terminar. Os principais coletivos de favelas do Rio de Janeiro que, na primeira hora da crise sanitária, se organizaram para socorrer os lares lançados subitamente à extrema pobreza notaram a partir de junho o encolhimento das doações. Aconteceu no Gabinete de Crise ...

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(Foto: Marta Azevedo)

Um freio à precarização

Se escancarou mazelas socioeconômicas tão antigas quanto toleradas no Brasil, a pandemia da Covid-19 tem igualmente precipitado reações à série de abusos. É dessa lavra a articulação que, diante da escalada de homicídios decorrentes de operações policiais no Rio de Janeiro, arrancou do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a liminar proibindo intervenções enquanto durar a calamidade na saúde. Também emergiu com vigor o enfrentamento ao racismo pela cobrança de ações objetivas de construção de equidade. Da mobilização virtual de estudantes brotou o adiamento do Enem. Esta semana, foi a vez de motofretistas e entregadores se insurgirem contra as más condições de trabalho e remuneração a que são submetidos por empresas de aplicativos. Inédita, a paralisação alcançou as principais capitais do país (São Paulo à frente) e, se teve apoio de organizações sindicais e políticas, não foi delas monopólio. Os números sobre a categoria variam. O Centro de ...

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(Foto: Marta Azevedo)

Todas as faces da crise

Quando a pandemia de Covid-19 fez a primeira vítima fatal em São Paulo, dia 16 de março, era evidente que o país enfrentaria cenários devastadores na saúde, na economia, nas condições sociais. O ministro da Saúde era Luiz Henrique Mandetta e parecia haver consenso sobre a necessidade de convergência entre os Poderes para enfrentar a tempestade. Mas no Brasil de Jair Bolsonaro, o que é ruim pode piorar. Expressa geometricamente, a crise brasileira é um tetraedro. Para quem não ligou o nome à figura, trata-se de uma pirâmide de quatro faces: uma, a hecatombe sanitária que já contaminou um milhão de pessoas e tirou a vida de 47 mil; outra, a derrocada econômica; a terceira, a galopante vulnerabilidade social; por fim, a instabilidade política que mantém a democracia em suspensão. Um presidente empenhado em boicotar recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate ao coronavírus, confundir a sociedade com ...

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Flávia Oliveira (Foto: Arquivo/ O Globo)

Faltava falar das flores

Eu sou conversadeira, sempre fui. Minha mãe, Dona Anna, adorava dizer que, desde menina, eu falava mais que a “preta do leite”. Desconheço a origem da expressão, mas com base no meu comportamento, deduzo que significa muito, demasiado, excessivamente. Pois tudo que já fui capaz de vocalizar em meio século de vida não chega perto do tanto que tenho dito em três meses da pandemia da Covid-19. Nunca antes. São lives e mais lives. E debates e telejornais e programas de rádio e gravação de podcasts e aulas e horas de áudio com familiares, amigos, recém-conhecidos. Na maior parte das vezes, as conversas tratam de condições de saúde, dos efeitos das crises sanitária, econômica, social e política na vida brasileira, das mulheres, dos negros, dos jovens. Tenho especulado um monte sobre a retomada da economia, vergonhosamente precipitada em território nacional como não fora em outras paragens; que tamanho terá a ...

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