Tag: Flávia Oliveira

    Flávia Oliveira (Foto: Arquivo/ O Globo)

    Julho das Pretas

    Um mês depois de a multidão indignada arrancar do pedestal — e lançar num rio de Bristol, no Reino Unido — a estátua do comerciante de escravizados Edward Colston, uma mulher negra foi içada a monumento na mesma praça, no mesmo ponto, como alvorecer de uma necessária era antirracista. O escultor britânico Marc Quinn, famoso pelas obras provocativas, eternizou — por um dia, posto que o poder público removeu a ousadia — em resina e aço o gesto da jovem Jen Reid: braço direito erguido, punho cerrado. Nos Estados Unidos, a onda de manifestações em reação ao assassinato por asfixia do americano George Floyd, homem negro, por um policial branco também resultou num reconhecimento simbólico ao ativismo feminino numa capa da revista “Rolling Stone”. O artista visual Kadir Nelson batizou de “American Uprising” (revolta americana em tradução livre) a obra com uma moça e um menino negros à frente dos ...

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    Flávia Oliveira (Foto: João Cotta)

    Flávia Oliveira: dividida entre o jornalismo e a atuação em movimentos sociais

    “Meu médico tem convicção, mas não tem provas”, conta, rindo, Flávia Oliveira, sobre sua provável contaminação pelo coronavírus – ela fez os testes, mas foram inconclusivos. Foi após viajar a São Paulo para seu último compromisso público em março, um encontro com Nikole Hannah-Jones, repórter do jornal The New York Times, no Instituto Moreira Salles, que ela acredita ter adoecido. “Eu estava em semi-isolamento no Rio, então fiquei trancada no hotel e fui de lá para o evento. Quando terminou, decidiram sair para jantar. Eu disse que não iria, mas acabei cedendo. Mas daí o jantar se estendeu ao Aparelha Luzia, que foi enchendo, enchendo... Quando terminou a noite, estavámos todos nos abraçando. Foi a cerimônia do adeus da aglomeração”, diz ela. Os sintomas de Covid-19 vieram em forma de febre e dores intensas nas costas. “Numa madrugada, acordei com tanta dor que quase pedi para ir ao ...

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    (Foto: Marta Azevedo)

    Freio na solidariedade

    Na esteira da pane no mercado de trabalho, da queda de renda das famílias, das dificuldades financeiras das empresas e da precipitada flexibilização do isolamento social nas principais metrópoles brasileiras, diminuiu o volume de doações que viabilizam ações humanitárias em favelas e periferias. Projetos de entrega de cestas básicas, kits de higiene, água potável e até de produção de máscaras de proteção individual (agora de uso obrigatório nas cidades) perceberam o freio na solidariedade, a partir do terceiro mês da crise decorrente da pandemia da Covid-19. É sinal preocupante, porque a vulnerabilidade das famílias que perderam trabalho, renda ou provedores segue imensa. E ainda não tem prazo para terminar. Os principais coletivos de favelas do Rio de Janeiro que, na primeira hora da crise sanitária, se organizaram para socorrer os lares lançados subitamente à extrema pobreza notaram a partir de junho o encolhimento das doações. Aconteceu no Gabinete de Crise ...

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    (Foto: Marta Azevedo)

    Um freio à precarização

    Se escancarou mazelas socioeconômicas tão antigas quanto toleradas no Brasil, a pandemia da Covid-19 tem igualmente precipitado reações à série de abusos. É dessa lavra a articulação que, diante da escalada de homicídios decorrentes de operações policiais no Rio de Janeiro, arrancou do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a liminar proibindo intervenções enquanto durar a calamidade na saúde. Também emergiu com vigor o enfrentamento ao racismo pela cobrança de ações objetivas de construção de equidade. Da mobilização virtual de estudantes brotou o adiamento do Enem. Esta semana, foi a vez de motofretistas e entregadores se insurgirem contra as más condições de trabalho e remuneração a que são submetidos por empresas de aplicativos. Inédita, a paralisação alcançou as principais capitais do país (São Paulo à frente) e, se teve apoio de organizações sindicais e políticas, não foi delas monopólio. Os números sobre a categoria variam. O Centro de ...

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    (Foto: Marta Azevedo)

    Todas as faces da crise

    Quando a pandemia de Covid-19 fez a primeira vítima fatal em São Paulo, dia 16 de março, era evidente que o país enfrentaria cenários devastadores na saúde, na economia, nas condições sociais. O ministro da Saúde era Luiz Henrique Mandetta e parecia haver consenso sobre a necessidade de convergência entre os Poderes para enfrentar a tempestade. Mas no Brasil de Jair Bolsonaro, o que é ruim pode piorar. Expressa geometricamente, a crise brasileira é um tetraedro. Para quem não ligou o nome à figura, trata-se de uma pirâmide de quatro faces: uma, a hecatombe sanitária que já contaminou um milhão de pessoas e tirou a vida de 47 mil; outra, a derrocada econômica; a terceira, a galopante vulnerabilidade social; por fim, a instabilidade política que mantém a democracia em suspensão. Um presidente empenhado em boicotar recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate ao coronavírus, confundir a sociedade com ...

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    Flávia Oliveira (Foto: Arquivo/ O Globo)

    Faltava falar das flores

    Eu sou conversadeira, sempre fui. Minha mãe, Dona Anna, adorava dizer que, desde menina, eu falava mais que a “preta do leite”. Desconheço a origem da expressão, mas com base no meu comportamento, deduzo que significa muito, demasiado, excessivamente. Pois tudo que já fui capaz de vocalizar em meio século de vida não chega perto do tanto que tenho dito em três meses da pandemia da Covid-19. Nunca antes. São lives e mais lives. E debates e telejornais e programas de rádio e gravação de podcasts e aulas e horas de áudio com familiares, amigos, recém-conhecidos. Na maior parte das vezes, as conversas tratam de condições de saúde, dos efeitos das crises sanitária, econômica, social e política na vida brasileira, das mulheres, dos negros, dos jovens. Tenho especulado um monte sobre a retomada da economia, vergonhosamente precipitada em território nacional como não fora em outras paragens; que tamanho terá a ...

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    (Foto: Marta Azevedo)

    Escalada homicida

    Durou pouco, quase nada, o armistício na segurança pública do Rio de Janeiro em prol do enfrentamento à pandemia de Covid-19. Após a trégua extraoficial observada nas duas primeiras semanas de isolamento social, as mortes decorrentes da atuação policial retomaram a trajetória explosiva iniciada em 2018, com a intervenção federal liderada pelo general Braga Netto, hoje chefe da Casa Civil do Planalto, e intensificada no ano passado, primeiro de Wilson Witzel à frente do Palácio Guanabara. Levantamento do Observatório da Segurança RJ, projeto do CESeC, mostra que, de 15 de março (início das medidas de distanciamento) a 19 de maio, a polícia fluminense matou 69 pessoas, contra 72 no mesmo período de 2019. Se no primeiro mês da quarentena a letalidade policial caiu 82%, em abril e maio, o número de casos apavora. Em abril, houve 30 homicídios em operações policiais, 11 a mais que um ano antes. Este mês, ...

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    (Foto: Marta Azevedo)

    O significado do ‘nós por nós’

    Quando a História deste terrível 2020 for contada, o movimento social terá capítulo de honra. Criminalizadas, desprezadas, desqualificadas, apartadas do debate oficial sobre políticas públicas, foram as organizações da sociedade civil que, desde a primeira hora do primeiro dia da crise, emergiram em diagnóstico, formulação, mobilização e distribuição de ajuda a pessoas, famílias e territórios lançados subitamente na vulnerabilidade. ONGs estruturadas e grupos recém-formados exibem musculatura tão surpreendente quanto bem-vinda em ações, quase sempre sem colaboração do poder público, para reduzir os danos de uma crise que espalha doença, mortes, desemprego e miséria. É a materialização do “nós por nós”, lema de um povo que, historicamente excluído, sempre contou consigo mesmo. Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS), em março, atrelou o combate ao coronavírus a hábitos rigorosos de higiene, via água corrente, sabão e álcool gel, midiativistas de favelas e periferias começaram a filmar torneiras secas Brasil afora para ...

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    (Foto: Marta Azevedo)

    O pior 1º de Maio

    Foi rápido e agudo o efeito da crise sanitária no mercado de trabalho brasileiro. No primeiro resultado da Pnad Contínua após o início do isolamento social em resposta à pandemia, o IBGE apresentou um cenário de intensa deterioração nas vagas ocupadas pelos mais vulneráveis. Nunca foi exagero reivindicar políticas emergenciais de proteção social às trabalhadoras domésticas e aos informais. Eles saíram diretamente da ocupação precária para o desemprego. Nenhum grupo sentiu mais a súbita desaceleração da economia. Nada a comemorar no Primeiro de Maio. Levantamentos divulgados nas primeiras semanas de distanciamento já indicavam que o impacto nas condições de vida das famílias à beira da vulnerabilidade seria grande. Em consulta a 1.142 moradores de 262 favelas entre os dias 20 e 22 de março, o Data Favela apurou que mais da metade (54%) temia perder o emprego, e 86% teriam dificuldades para comprar comida em até um mês, se ficassem ...

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    Foto Marta Azevedo

    Vocês que lutem!

    A meta almejada é um Brasil varrido de negros e indígenas Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo Foto: Marta Azevedo O governo Jair Bolsonaro escolheu a data de aniversário de 520 anos da chegada dos portugueses ao Brasil para anunciar à nação o plano de recuperação econômica pós-pandemia. Batizou de Pró-Brasil o, até aqui, mal esboçado pacote de investimentos de R$ 30 bilhões para gerar um milhão de empregos. Ilustrou a apresentação com a foto de cinco crianças brancas — duas meninas, três meninos — retiradas de um banco de imagens estrangeiro. Amarrou a proposta no slogan “Construção de um país em progresso”. O punhado de referências não deixa dúvidas da meta almejada: um Brasil varrido de negros e indígenas; livre da diversidade racial autodeclarada por quase seis em cada dez habitantes. É a materialização do sonho dos invasores que exterminaram povos nativos, sequestraram e escravizaram ...

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    Foto: Marta Azevedo

    Voltando para casa

    Nas semanas iniciais do isolamento social, Sabrina Fidalgo, mulher negra, cineasta premiada dentro e fora do país, demoliu numa live a ideia de que é chegada a hora dos filmes nunca vistos, dos livros jamais lidos, aquele rol de tarefas habitualmente elencadas para quando a aposentadoria chegar. (Num passado remoto, sonhei estudar produção de roteiros durante a licença- maternidade. A carreira jornalística sedimentada nas duas décadas seguintes é evidência da ilusão.) Com sabedoria desconcertante, ela dispensou o retrovisor: “Interessa o agora. O presente vai determinar o que virá. Então, me ocupo de acompanhar o que as pessoas estão fazendo nessa temporada em casa. Quero pensar novas narrativas a partir daí”. Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo  Foto: Marta Azevedo Da casa emerge a profusão de reflexões quarentênicas: famílias recolhidas, assimetrias e mazelas escancaradas. A começar pela própria compreensão sobre a palavra. Casa nem sempre é sinônimo ...

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    Crise tem cor e gênero

    Negros e mulheres enfrentam as maiores taxas de desemprego Por Flávia Oliveira, Do O Globo (Foto Marta Azevedo) Na derradeira aglomeração, antes de o coronavírus se impor como ameaça Brasil afora, estive com Nikole Hannah-Jones, jornalista negra que coordenou o Projeto 1619 do “New York Times”. A convite do IMS-SP, participamos no Festival Serrote da mesa em que ela relatou a experiência de contar a História dos EUA, a partir da chegada do primeiro navio com africanos escravizados, há 401 anos, em vez da versão que parte da Declaração de Independência, de 1776. No Brasil, o historiador Luiz Felipe de Alencastro identificou o primeiro desembarque de cativos em 1550, em Pernambuco; com o tráfico negreiro se estendendo até os anos 1850. Nos dois países, séculos de escravidão legaram aos afrodescendentes condições precárias de trabalho, habitação, níveis de renda e bem-estar. Era assim pré-pandemia; pós, assim será. ...

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    PIB per capita quase parando

    Brasil tem um dos maiores níveis de concentração de riqueza do planeta Por Flávia Oliveira, Do O Globo (Foto Marta Azevedo) Desde que o paquistanês Mahbub ul Haq e o indiano Amartya Sen, Nobel de Economia em 1998, apresentaram ao mundo o Índice de Desenvolvimento Humano, nos anos 1990, o PIB per capita perdeu relevância como indicador social. Os dois economistas não aceitavam que condições de vida nos países fossem comparáveis apenas sob a ótica da geração de riqueza, via soma da produção de bens e serviços. À divisão do Produto Interno Bruto sobre o total de habitantes, dimensão da renda, acrescentaram variáveis de educação (alfabetização e anos de escolaridade) e saúde (esperança de vida). E o IDH tornou-se o termômetro mais adequado para medir, ainda que de forma resumida, o progresso de uma sociedade. A renda per capita perdeu espaço nos resultados das contas nacionais, ...

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    Foto Marta Azevedo

    Sete pitacos sobre o carnaval

    A festa tem todas as condições de ser uma das grandes fontes de ofício, arrecadação tributária e bem viver Por Flávia Oliveira, do O Globo Flávia Oliveira (Foto: Marta Azevedo) Reza a lenda que, no Brasil, o ano novo só começa, de verdade, depois do carnaval. Antes de brindar a um 2020 que — assombrado pela instabilidade econômica global, codinome coronavírus, e pela democracia local em teste permanente — se anuncia difícil, cabe o balanço da folia. 1) A vitória da Unidos do Viradouro é prova de que planejamento, estrutura e solvência financeira são elementos essenciais ao carnaval das escolas de samba. A festa é importante demais, sobretudo sob o ponto de vista das tradições culturais e da construção de identidade do povo do Rio de Janeiro. Mas pode ter papel relevante na geração de trabalho e renda na indústria criativa, vocação local e um dos ...

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    Foto: Marta Azevedo

    O carnaval é de Elza

    Ela guarda na própria trajetória a história das negras brasileiras Por Flávia Oliveira , do O Globo  Foto: Marta Azevedo O carnaval 2020 do Rio de Janeiro já tem dona — mesmo que o resultado oficial dos julgadores desminta. Atende por Elza Soares, codinome Deusa. Nascida no século XX, precisou de um novo milênio para ser compreendida e reverenciada. Coisa de pessoa atemporal, como ela mesma se definiu em mesa no Salão Carioca do Livro, ano passado. Elza é a ancestral encarnada que guarda na própria trajetória a história das mulheres negras brasileiras. Não há um solitário capítulo de sua vida que não se conecte a dramas, tragédias e vitórias das conterrâneas de hoje e outrora. Experimentou sexualização precoce, casamento infantil, violência doméstica, agressão por arma de fogo. Sofreu racismo, machismo e assédio moral no mercado de trabalho. O episódio inaugural da carreira, no qual se ...

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    Foto: Marta Azevedo

    O suco de preconceito de Guedes

    Na categoria dos trabalhadores domésticos, não há vestígio de abundância de viagens internacionais Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo Foto: Marta Azevedo Tão íntimo de planilhas e apresentações que justificam cortes e mais cortes nos gastos, projetos e mais projetos de reforma do Estado, o ministro Paulo Guedes perdeu-se na retórica na última peça de sua coleção de declarações impróprias. Não há evidência estatística que relacione trabalhadores domésticos à “festa danada” de viagens de brasileiros à Disneylândia, como declarou. Foi puro suco de preconceito. Dá para chamar de aporofobia, aversão aos pobres, misturada à misoginia, com pitadas de racismo estrutural. No último trimestre do ano passado, segundo o IBGE, trabalhadores domésticos ganhavam em média R$ 897 por mês, quantia inferior ao salário mínimo de 2019 (R$ 998) e claramente incompatível com as visitas aos EUA que o czar da Economia associou ao dólar barato anterior à ...

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    Foto: Marta Azevedo

    Movimento negro em coalizão

    Entidades se reuniram para denunciar a organizações multilaterais violações aos direitos Por FLÁVIA OLIVEIRA, do  O Globo  Foto: Marta Azevedo Um conjunto de 117 organizações do movimento negro brasileiro tornou pública esta semana uma carta-compromisso de combate ao racismo e defesa de direitos. Desatrelada de partidos políticos, já é a maior articulação da sociedade civil afrodescendente neste século. É esse o tuíte. No limite dos 280 caracteres estabelecidos pela rede social preferida de dez entre dez governantes no Brasil e mundo afora, o par de sentenças resume a gênese e a ambição da Plataforma de Princípios e Agendas da Coalizão Negra por Direitos . No país do presidencialismo de coalizão, conceito tão bem estruturado pelo cientista político Sérgio Abranches, a aliança do movimento negro, historicamente relacionado a desunião e ruptura, é fato político relevante. “Eu destacaria que, numa tradição de grande fragmentação, a ideia de coalizão ...

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    Foto: Marta Azevedo

    Respeita o meu axé. E o amém

    Religiões de matriz africana não buscam hegemonia Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo  Foto: Marta Azevedo Era 21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, e um comentário na rede social expôs o tamanho do buraco em que a liberdade de credo está metida. Num post, dois recados: 1) As religiões de matriz africanas serão sempre minoria; 2) Majoritário, portanto hegemônico, no país é o cristianismo. Li a mensagem, que denunciei como inadequada, horas depois de falar sobre Mãe Gilda de Ogum, homenageada com a efeméride instituída pela Lei 11.635/2007. Gildásia dos Santos e Santos era ialorixá do Ilê Axé Abassá de Ogum, terreiro da mesma Bahia por onde os colonizadores inauguraram a invasão das terras, a pilhagem da riqueza, a subordinação dos corpos, a conversão das almas no Brasil. Ela morreu há 20 anos, após complicações de saúde decorrentes de agressões verbais e ...

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    Foto: Marta Azevedo

    Cidade, pega a visão

    Favelados têm voz e precisam ser ouvidos. É sobre isso a luta histórica por direitos Por Flávia Oliveira, do O Globo Fávia Oliveira (Foto: Marta Azevedo) Dias antes da virada do ano, a pesquisa DataFavela/Instituto Locomotiva deu o papo sobre sonhos, projetos e reivindicações dos habitantes de 63 comunidades brasileiras para o ano novo. A consulta, mês passado, ouviu 2.006 moradores de favelas dos 26 estados e do Distrito Federal. Foi o maior levantamento já feito sobre percepções subjetivas nas quebradas; nele está nítido que protagonismo e representatividade são agendas que vieram para ficar. A favela sabe quem é, como a veem, o que deseja, quem a sabota. Os sinais estão por toda parte. Chama atenção o trecho no qual pessoas de dentro e de fora são convidadas a listar palavras que associam aos territórios. Nos dois grupos, pobreza foi o substantivo mais citado, prova de ...

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    Foto: Marta Azevedo

    Ataque a terreiros é terrorismo

    Não é de hoje que casas de umbanda e candomblé sofrem perseguição por Flavia Oliveira no Globo Foto: Marta Azevedo Foi o historiador Luiz Antonio Simas que, após a destruição do terreiro de candomblé no Parque Paulista, em Duque de Caxias, no início do mês, cobrou numa rede social outra denominação para os ataques aos cultos de matriz africana. No lugar de intolerância, terrorismo religioso. A frequência e a intensidade dos episódios, que misturam intimidação, ameaça, dano ao patrimônio, destruição de elementos sagrados, agressão física e até tentativa de homicídio, justificariam a ênfase. Neste ano, que mal passou da metade, a Comissão Contra a Intolerância Religiosa já recebeu 200 denúncias de algum tipo de violência, mais que o dobro do total (92) de 2018. A Baixada Fluminense, Nova Iguaçu e Caxias à frente, concentra 35% dos casos. Não é de hoje que casas de umbanda e ...

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