quarta-feira, setembro 16, 2020

    Tag: José Eduardo Agualusa

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    Louco é quem não sonha

    Utopias e distopias são poderosos exercícios de imaginação que nos ajudam a compreender os erros dos atuais modelos políticos Por José Eduardo Agualusa, do O Globo  Comemoram-se este ano os 500 anos da publicação da “Utopia”, de Thomas More. A data está a servir de pretexto para uma série de iniciativas, não apenas para lembrar More e a sua obra, mas também (ou sobretudo) para celebrar a ideia de utopia. Utopias e distopias são poderosos exercícios de imaginação que nos ajudam a compreender os erros dos atuais modelos políticos e a projetar e construir melhores modelos. Atravessamos tempos convulsos. Tempos de incerteza. Depois de Barack Obama, um modelo de elegância e inteligência, concorde-se ou não com as suas ideias, ninguém acreditava que os EUA pudessem regredir até alguém (alguma coisa) tão ruim quanto, por exemplo, George W. Bush — e foi então que surgiu Donald Trump. No início parecia apenas um ...

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    Poder (ser) negro

    Nem um único jornal português foi capaz de se lembrar que o país já teve um primeiro-ministro africano Por José Eduardo Agualusa, do O Globo  A tomada de posse do novo governo português, liderado pelo socialista António Costa, levantou um inesperado e interessante debate sobre raça, pertença e identidade, num dos países mais antigos e etnicamente coesos da Europa. O agora primeiro-ministro, António Costa, é filho de um poeta e ficcionista moçambicano de origem indiana, Orlando Costa, e de uma jornalista portuguesa, Maria Antónia Palla, que se distinguiu na luta pelos direitos das mulheres, incluindo o direito ao aborto. António Costa nomeou para ministra da Justiça uma angolana negra, Francisca Van Dunem, e para Secretário de Estado das Autarquias Locais o filho de um pequeno comerciante cigano, Carlos Miguel. Os jornais portugueses passaram os últimos dias a esmiuçar a vida de Francisca Van Dunem. Todos destacam a competência e a seriedade ...

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    O que pode uma língua

    A triste verdade é que a língua portuguesa esmagou os idiomas indígenas do Brasil e está fazendo o mesmo em Angola Por José Eduardo Agualusa, do O Globo  Há dois anos acompanhei um pequeno grupo de pastores nômades do sul de Angola, que se deslocou ao Rio de Janeiro para participar na quinta edição do Festival Back2Black. Os angolanos, da nação herero, encontraram-se no Brasil com uma artista plástica sul-africana, Esther Mahlangu, uma velhinha tímida, que se veste de panos garridos e se enfeita com pulseiras e colares de miçangas. Esther pinta segundo a tradição do seu povo, os ndebele, famosos pelos padrões geométricos com que ornamentam as casas, roupas, adereços, e tudo o que lhes passa pelas mãos. Hereros e ndebeles podem parecer próximos para um brasileiro comum, na medida em que partilham certas tradições culturais e a mesma paixão por miçangas. Na realidade, estão quase tão distantes, geográfica e ...

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    Novo livro de José Eduardo Agualusa responde a inquietação dos africanos diz Autor

    Novo livro de José Eduardo Agualusa responde a inquietação dos africanos diz Autor

    O escritor José Eduardo Agualusa disse à Lusa que o seu novo romance, "A Rainha Ginga", responde a "uma inquietação" dos angolanos que querem conhecer o seu passado, numa nova perspetiva. O escritor de 53 anos, em declarações à Lusa, descartou a qualificação da rainha Ginga como uma nacionalista. "Como nacionalista angolana é um disparate evidentemente, a rainha Ginga não tinha sequer uma noção do que é Angola e não combateu por isso. Combateu pelo seu próprio projeto de poder pessoal, dentro do seu grupo étnico", os dongos, disse o escritor. Falando sobre o romance, que é apresentado na sexta-feira, em Lisboa, Agualusa afirmou que, desde sempre, se interessou pela a rainha e que este é um "livro que queria escrever há muito tempo", mas que lhe "parecia muito difícil e até impossível". "Este livro responde a uma inquietação mais geral, que sinto da parte de todos os angolanos, e ...

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    Foto: Marcus Steinmayer

    Agualusa, por Sueli Carneiro

    O olhar do outro nos constitui. Somos, grandemente, o que esse olhar do outro diz a nosso respeito. Um limite inescapável de nossa identidade. O escritor angolano José Eduardo Agualusa, em entrevista à revista Época, nos dá exemplos interessantes sobre como nós brasileiros somos percebidos por estrangeiros. Em primeiro lugar, ele alude à nossa incapacidade de nos compreender como povo e nação. Em segundo, refere-se à nossa mentalidade, segundo ele, colonizada, que impediria sobretudo às nossas elites nacionais apreciar a originalidade do ser brasileiro, para ele ‘‘uma súmula de África e Europa''. Essa súmula, no entanto, não se realiza como portadora de uma auto-estima positiva do brasileiro, porque uma das partes dessa equação, a africana, permanece rejeitada no imaginário e na prática social, em especial nas classes superiores. Como a maioria de estrangeiros, Agualusa interessa-se mais pelo que há de africano no Brasil do que pelo que seja europeu. Triste ...

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