Triste com atos racistas na Europa, Betão cria campanha na Ucrânia

Por Felippe Costa

Mais maduro pela chegada do pequeno Lucca, zagueiro do Dinamo de Kiev tenta amenizar problemas de discriminação racial com os torcedores

Dizendo-se mais maduro depois da chegada do filho Lucca de 2 anos, o zagueiro Betão, que defende o Dinamo de Kiev desde 2008, anda muito revoltado com as frequentes manifestações de racismo nos estádios europeus e resolveu criar um movimento contra essas atitudes ruins. Através do twitter, o brasileiro fez uma campanha (#JUNTOSCONTRAORACISMO) que chegou a ganhar um grande destaque no site oficial do seu clube na Ucrânia e chamou a atenção de muitos torcedores, que mandavam frases contra a discriminação racial. As melhores ganhavam camisas oficiais do Dinamo.

– Fiquei muito chateado com as constantes manifestações racistas feitas contra o Roberto Carlos (na Rússia) e resolvi criar uma campanha. É apenas uma gota d´água no oceano, mas acho que pude colaborar de alguma forma. O site do Dinamo deu um destaque legal e as pessoas comentaram bastante por aqui. Houve um número grande de mensagens apoiando a causa e fiquei muito feliz. Sei que ainda existe muita gente racista e precisamos acabar com isso – disse ele, que garantiu nunca ter passado por qualquer tipo de discriminação na Europa.

Vida na Ucrânia

Frio, idioma diferente e poucas amizades. Se fosse para escolher, é bem possível que a maioria das pessoas não trocariam o clima quente e praiano de Santos pela aposta de morar em uma das maiores e mais antigas cidades da Europa: Kiev, na Ucrânia. Em 2008, Betão fez isso. O zagueiro, então no Peixe, aceitou proposta do Dinamo e deixou o Brasil. Cria do Corinthians, ele, que há dois anos curte a vida de pai, diz que ainda lembra com carinho dos tempos em que defendia o time do Parque São Jorge e gosta de acompanhar os jogos do Timão.

– Costumo assistir aos domingos. Passam mais os das equipes do Rio de Janeiro, mas sigo o Corinthians. O clube vive uma fase muito legal e ganhou uma mentalidade nova. É bacana ver essa evolução, pois hoje pensa como time grande.

A identificação com o Corinthians é tão forte que o zagueiro ganhou um papel de destaque no longa metragem “4xTimão”, que foi lançado na última quarta-feira e narra a saga das conquistas corintianas do Brasileirão pelo olhar de um protagonista de cada campeonato. Betão contará a história do quarto título.

Agora pai, ele diz que pensa muito antes de fazer uma escolha

Desde sua chegada em Kiev, Betão se vê em uma transformação significativa na forma de encarar a vida. Ainda aprendendo a conviver com as tradições e costumes ucranianos, o brasileiro voltou ao Brasil para receber aquele que pode ser considerado seu maior trofeu: o filho Lucca, hoje com dois anos. Pai e criando seu pupilo em outro país, ele reconhece que enxerga o futuro de uma maneira diferente e as escolhas não são mais feitas de uma forma ‘aventureira’.

– A grande novidade aqui é que agora sou pai. Tenho uma nova fase na vida e estou focado na minha família. Quando você não tem um filho acaba aceitando algumas aventuras na vida. Hoje, se receber alguma proposta vou pensar primeiro no Lucca. Se ele estivesse conosco quando o Dínamo cogitou meu nome, não sei se aceitaria a proposta. Não pelo país, mas pela educação escolar do meu filho. Aqui, ele não vai crescer aprendendo inglês ou espanhól, que são linguas mais comuns no mundo – disse ele que foi campeão ucranianao (2009).

Kiev é um importante centro industrial, científico, educacional e cultural da Europa Oriental. A cidade dispõe de ampla infraestrutura e de um sistema de transporte público altamente desenvolvido, que inclui o Metro de Kiev. Por isso, mesmo com algumas adversidades culturais, betão sabe que o local está em desenvolvimento e aposta no crescimento do futebol ucraniano.

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– O grande segredo para quem vai atuar no exterior é não pintar o quadro antes de ver o material. As pessoas precisam chegar em um lugar e viver de acordo com a realidade apresentada. Vim sozinho e tive que aprender as coisas. Minha mulher chegou um mês depois. Aqui é difícil você ver alguma gentileza. Existe uma falta de comunicação muito grande, um sorriso no rosto. Mas já estou adaptado e ciente que e Ucrânia é um país em desenvolvimento. O futebol acaba sendo valorizado e muitos estrangeiros estão chegando para reforçar. O estilo de jogo já é bem diferente de três anos atrás – disse ele que tem como companheiros de clube os brasileiros André Santos, Gerson Magrão, Corrêa, Danilo Silva e Leandro Almeida.

A Ucrânia será a sede da próxima Eurocopa (2012). Trata-se de uma candidatura conjunta com sua vizinha Polônia. Será o primeiro grande evento esportivo disputado no país depois da sua independência, que ocorreu em 24 de agosto de 1991.

 

Fonte: Globoesporte

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