Unesco deve reconhecer manuscritos de Luiz Gama como patrimônio documental mundial

16/04/26
  • Acervo com 232 documentos do Arquivo Público do Estado de São Paulo já é legado da América Latina
  • Decisão pode sair até a próxima semana, estimam pesquisadores

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) deve reconhecer nas próximas semanas os manuscritos históricos do abolicionista, advogado, escritor e jornalista Luiz Gama como parte do Patrimônio Documental da Humanidade, reforçando sua relevância global no âmbito jurídico, político e intelectual no século XIX.

Em maio de 2025, o acervo “Presença negra no Arquivo: Luiz Gama, articulador da liberdade”, que conta com 232 documentos do Arquivo Público do Estado de São Paulo, foi reconhecido pela Unesco através do Comitê Regional para a América Latina e o Caribe, dentro do Programa Memória do Mundo. Agora, com o endosso do Ministério da Cultura e do Itamaraty, pesquisadores pleiteiam sua inclusão como patrimônio mundial.

O conjunto de manuscritos inclui cartas de emancipação, registros de africanos ilegalmente traficados, documentos judiciais e artigos de Gama publicados na imprensa da época.

Esse acervo foi identificado, transcrito e divulgado pelo historiador, advogado, pesquisador do Instituto Max Planck e autor da coleção “Obras Completas de Luiz Gama”, Bruno Rodrigues de Lima. “Antes, se conheciam entre 80 e 90 textos de Luiz Gama, incluindo 51 poemas. Em 20 anos de pesquisa, encontrei mais de 800 textos inéditos em cartórios, arquivos de imprensa e das cidades em que ele trabalhou”, afirma Lima.

Segundo o pesquisador, é provável que a decisão da Unesco saia nesta semana ou na próxima. “Não temos a garantia, mas estou otimista”, afirma, citando a decisão da ONU (Organização das Nações Unidas) em reconhecer o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas como o crime mais grave contra a humanidade, no final de março de 2026.

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