terça-feira, julho 5, 2022
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Will Smith diz que não imaginava ser indicado ao Oscar por ‘King Richard’

Ator, que vive pai das tenistas Williams, pensou que nunca mais faria um grande papel depois de 'À Procura da Felicidade'

Will Smith estava acabando de acordar, “bem cedinho” na terça-feira, no Wyoming, onde estava para uma palestra em uma conferência de negócios, quando seu celular começou a tocar. As indicações ao Oscar deste ano tinham sido anunciadas.

“Eu pensei comigo mesmo que, ops, calma lá, vamos procurar meu nome no Google para ver o que aconteceu”, disse Smith em uma entrevista por telefone na tarde daquele dia. “Mas foi uma bela e agradável surpresa.”

Smith, de 53 anos, foi indicado ao Oscar de melhor ator por seu papel como o pai de Venus e Serena Williams em “King Richard: Criando Campeãs”. É a terceira indicação do ator, que também disputou o prêmio por “Ali”, em 2002, e “À Procura da Felicidade”, em 2007.

O ator disse que por muito tempo teve medo secretamente de que nunca voltaria a fazer um trabalho tão bom quanto o de “À Procura da Felicidade”, a história de um homem que tenta manter sua família unida ainda que esteja morando na rua.

“Eu achei que tinha atingido meu auge artístico”, ele disse. “Por isso, que o mundo tenha respondido a esse filme, e dessa maneira, me energiza como artista. Fico muito inspirado a criar e a buscar histórias como essa para contar”.

“King Richard: Criando Campeãs” documenta a jornada e o triunfo de um pai ambicioso e determinado a transformar as suas filhas em campeãs de tênis. O filme traz também Aunjanue Ellis, que recebeu sua primeira indicação ao Oscar, como atriz coadjuvante, por sua interpretação de Oracene Pride, a matriarca da família Williams. O trabalho recebeu um total de seis indicações, entre as quais uma para melhor filme.

Se Smith vencer, será a primeira vez que ele levará um Oscar para casa, depois de mais de 30 anos no ramo como um dos maiores astros de Hollywood.

Em uma entrevista por telefone, Smith falou sobre as indicações de “King Richard: Criando Campeãs”, sobre trabalhar com o diretor Reinaldo Marcus Green e sobre a maneira especial pela qual ele planeja celebrar esse reconhecimento. Abaixo, trechos editados da conversa.

Ei, Will, como vai você? Tudo na mais divina ordem, e você?

Estou ótima, e congratulações! Obrigado, obrigado. Eu fiquei meio zonzo.

Com o que, exatamente, a indicação? As seis! Tive filmes que fizeram sucesso de bilheteria, e já recebi duas indicações no passado, mas o que aconteceu hoje foi uma declaração de amor a esse filme, a todo elenco e equipe. É certamente um mundo novo para mim.

Quais são suas impressões sobre as outras cinco indicações que “King Richard: Criando Campeãs” recebeu, especialmente a de Aunjanue Ellis, a primeira de sua carreira? Passamos muito tempo juntos e nos tornamos amigos, e sei o quanto ela trabalhou; meu coração estava torcendo por ela ser indicada. Seu trabalho é tão sutil no filme. É o tipo de desempenho delicado e extraordinário que às vezes termina ignorado.

Por isso, fiquei extasiado que ela tenha sido indicada. E também por Venus, Serena e toda a família Williams. Por Richard Williams, um homem tão incompreendido por tantos anos. Amo o fato de que o mundo esteja se levantando para aplaudir essa história, essa família.

Esta é a terceira vez que você é indicado a um Oscar como melhor ator, e por interpretar uma figura real. Como você se sente quanto a isso? Desta vez, é realmente diferente. Uma coisa é ser indicado singularmente, e outra é ser indicado como parte de um grupo, de um filme inteiro. É uma coisa inteiramente diferente. A história poderia ter sido muito menor. Mas que o público reconheça os dons universais e o poder das ideias desse filme é algo belo, algo inspirador e edificante para mim.

Você pode nos dizer alguma coisa sobre outros filmes que foram indicados pela Academia na manhã de hoje? Que você tenha visto e pelos quais esteja torcendo, exceto, obviamente, o seu? Acabo de ouvir que Denzel, com essa indicação, se tornou o ator negro com mais indicações na história. Por isso, assim que desligarmos, vou postar alguma coisa sobre isso. [Denzel Washington na terça-feira conquistou sua 10ª indicação ao Oscar, por “A Tragédia de Macbeth”]

Por falar em Denzel Washington, pelo que sei 2002 foi a primeira vez que dois atores negros disputaram o prêmio de melhor ator. Washington venceu naquele ano, por “Dia de Treinamento”, e agora 20 anos se passaram e vocês dois estão na disputa de novo. Qual é a sensação disso? Você sabe, é engraçado. Nas duas vezes em que fui indicado antes, fui derrotado por atores negros. Perdi uma vez para Denzel e a outra para Forest Whitaker. O que é engraçado. Jada [Pinkett Smith, a mulher de Will] e eu estávamos falando sobre inclusão e tudo isso [a questão da falta de diversidade entre os indicados ao Oscar ao longo dos anos], e eu comentei que “eu só perdi para atores negros!” [Risos.]

Você conversou com o diretor do filme? Sim, conversamos hoje de manhã. Ele é um cara muito calmo e doce. Eu disse a ele, “cara, seu filme acaba de ser indicado ao Oscar melhor filme, diversos dos seus atores foram indicados, você pode rir um pouco, se quiser”. Ele é um cara muito humilde e ficou feliz pelos outros. E o que amo nele é que jamais tenta se beneficiar. Mesmo no set, isso é parte da beleza que ele foi capaz de criar.

Você teve um ano cheio e importante em 2021, com a estreia de “King Richard: Criando Campeãs”, a publicação de “Will”, seu livro de memórias, no final do ano, seu novo documentário sobre o planeta na Disney+ e a nova adaptação de “Um Maluco no Pedaço”, que chega no mês que vem. E agora, com essa indicação, como é que você planeja celebrar isso tudo? Celebramos partindo para o próximo grande projeto. Vivemos para celebrar o fato de que podemos fazer isso para ganhar a vida. É como se cada dia fosse uma celebração do dom de viver e trabalhar.

Não penso no processo em termos de “ralar, ralar, ralar e celebrar”. O importante é sermos gratos por essa oportunidade, e gratidão é parte importante de minha crença em como você pode criar coisas grandes, para viver em constante gratidão. Não sinto a necessidade de reservar um tempo especial para esse tipo de celebração.

O que o empolga mais na cerimônia de premiação? Estou empolgado por poder homenagear a equipe e o elenco, e Venus e Serena. E vou fazê-lo em pessoa ou da sala de minha casa, se a Covid assim exigir. Mas estou empolgado e pronto a distribuir flores ao meu pessoal.

The New York Times, tradução de Paulo Migliacci

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