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Y’a bon banania’ e a influência contínua no estereótipo do negro

por Alê de Mattos do Facebook

Para quem ainda defende a prática, sem se dar conta, em programas de TV com nível de audiência alto, onde o foco principal é a desmoralização do negro.

Aceitar um quadro como o da Adelaide, do Zorra Total, é  dizer a população racista brasileira que a mulher negra é feia, desdentada, fede, é cafetina de marido alcoólatra, malandra, preguiçosa, não quer trabalhar… É ser conivente com o racismo da televisão brasileira.  

O negro aparece não só como objeto, mas como “um objeto no meio de outros objetos”.

Cartaz de Y’a bon banania

“A expressão y’a bon banania remete a rótulos e cartazes publicitários criados em 1915 pelo pintor De Andreis, para uma farinha de banana açucarada instantânea a ser usada “por estômagos delicados” no café da manhã. O produto era caracterizado pela figura de um tirailleur sénégalais (soldado de infantaria senegalês usando armas de fogo), com seu filá vermelho e seu pompom marrom, característicos daquele batalhão colonial. O “riso banania” foi denunciado pelo senegalês Léopold Sedar Senghor em 1940, no prefácio ao poema“ Hóstias negras”, por ser um sorriso estereotipado e um tanto quanto abestalhado, reforçoao racismo difuso dominante. Em 1957 o publicitário Hervé Morvan criou uma versão mais gráfica, mais modernizada, do “sorriso banania”, permanecendo sua estilização em uso nas caixas do produto até o início da década de 1980. Na capa, no alto à direita, temos uma reprodução da versão original de 1915, e, mais para o centro, a versão de Morvan”. – Nota do livro Pele Negra Máscaras Brancas, Pág. 47 – Cap. 1 – O Negro e a linguagem.

Mais referências?

Em 1950, Evaldo Ruy  contou a Fernando Lobo, uma cena que presenciou em um bar: uma preta insistia em entregar uma criança a um frequentador do recinto alegando que o filho era dele. O rapaz, que estava jogando sinuca com colegas, se recusava a receber a criança repetindo, insistentemente, que o filho não era dele. criaram o Samba “Nega Maluca”, que diz  assim:

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Tava jogando sinuca,

Uma nega maluca, me apareceu,

Vinha com um filho no colo,

E dizia pro povo, que o filho era meu.

Há tanta gente no mundo,

Mas meu azar é profundo,

Veja você meu irmão,

A bomba, estourou na minha mão

Tudo acontece comigo,

Eu que nem sou do amor…

Até parece castigo,

Ou então influencia da cor!

 

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Estava, ali, criado um dos maiores sucessos do carnaval de 1950.

Uma loja popular da época, propôs que Fernando Lobo criasse uma fantasia utilizando os argumentos da música. Fernando lembrou-se da personagem Topsy de “A Cabana do Pai Tomás” e desenhou a sua versão da fantasia da nega maluca: um vestido vermelho, com bolas brancas, que poderia ser completado com uma carapinha com tranças e laços vermelhos na ponta, o rosto pintado de preto, meias pretas e sapatos baixos. A fantasia exposta na vitrine da loja foi um estrondoso sucesso de vendas e, até hoje, é um dos símbolos do carnaval.

Durante muito tempo a mulher preta foi caracterizada com a imagem da “Nega Maluca” de Evaldo e Fernando. Durante muito tempo os pretos lutaram para desfazer esta imagem desrespeitosa e acho escandaloso até quando em um programa de Tv, que se diz adepto a diversidade, inserir um quadro de ‘humor’, que faz voltar a esta época: Onde a imagem da mulher preta era totalmente deturpada, marginalizada e inferiorizada.

 

Precisamos de mais referências?

O trecho do texto abaixo é uma (tentativa de) tradução do texto que se encontra originalmente em inglês, contido neste link http://black-face.com/ (para quem se interessar em ler na íntegra), indicado por Luh Souza. O texto narra detalhadamente a ação excludente da massa branca, em relação a origem, auto-estima, existência e afirmação do negro diante da sociedade. Existe o espaço, mas este espaço habitado pela elite branca que de maneira ofensiva determina as condições em que o negro deve se apresentar diante dela… E pior: a colocação para o negro de que só lhe resta o resto,  ser achincalhado, ser motivo de zombaria, ter uma única função de ser motivo de gargalhadas racistas diante de exposição extrema e um humor humilhante… A imagem do preto deturpada para a sociedade e para ele mesmo durante décadas… Sendo extremamente críticos, e olhando em nossa volta… As coisas realmente mudaram ou se tornaram mais sutis? Será mesmo que temos sido respeitados ou temos sido condicionados a aceitar certos estereótipos?

Leia o texto, e observe os sinais:

Uma Breve História do Blackface

Os personagens de ações de blackface minstrels têm desempenhado um papel importante na divulgação de imagens racistas, atitudes e percepções do mundo. Cada grupo de imigrantes era estereotipado no palco salão de música durante o século 19, mas a história de preconceito, hostilidade e ignorância para com as pessoas negras tem segurado uma longevidade única para os estereótipos. Concepções Branco da América de artistas negros foram moldadas por caricaturas zombando cantoria e há mais de cem anos, a crença de que os negros eram racial e socialmente inferior foi promovida por uma legião de artistas brancas e pretas no blackface.

Estereótipos racistas Preto

Originário da caracterizações do homem branco de escravos das plantações e negros livres durante a era dos shows de menestréis (1830-1890), as caricaturas levou tanta firmeza na imaginação americana que o público esperava qualquer pessoa com pele escura, não importa qual seja sua origem, para estar em conformidade com um ou mais dos estereótipos:

Jim Crow

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O termo Jim Crow se originou em 1830, quando um ator mostra Branco menestrel, Thomas “papai” Rice, o rosto enegrecido com pasta de carvão vegetal ou cortiça queimada e dançou um gabarito ao cantar a letra da canção,

“Jump Jim Crow”.

Zip Coon

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Realizada pela primeira vez por George Dixon em 1834, Zip Coon fez uma paródia de negros livres. Uma figura arrogante, ostentação, ele vestiu em alto estilo e falou em uma série de malaprops e trocadilhos que minaram suas tentativas de aparecer digna.

Mammy

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Mammy é uma fonte de sabedoria de terra que é ferozmente independente e não tolera nenhuma malcriadas. Apesar de sua imagem mudou um pouco ao longo dos anos, o estereótipo vive. Seu rosto ainda podem ser encontrados em caixas de panqueca hoje.

Uncle Tom

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Toms são geralmente boas, gentil, religioso e sóbrio. Imagens do Tio Toms foram outro favorito dos anunciantes e “Tio Ben” ainda está sendo usada para vender arroz.

Buck

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O Buck é um grande homem negro que é orgulhoso, às vezes ameaçador, e sempre interessado em mulheres brancas.

Rapariga / Jezebel

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A tentadora. Durante a era menestrel, wenches eram tipicamente um homem em trajes femininos. No cinema, wenches eram geralmente pardos do sexo feminino.

Mulatto

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Um misto de sangue masculino ou feminino. No cinema, muitas vezes retratado como uma figura trágica que seja intencionalmente ou não passa de Branco, até que descobrem que têm sangue negro ou são descobertas por um outro personagem a ser Negro.

Pickaninny

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Picaninnies têm olhos esbugalhados, cabelos despenteados, lábios vermelhos e bocas largas em que eles enchem enormes fatias de melancia.

Esses estereótipos foram grampos durante a era menestrel e transitadas em filme vaudeville e televisão.

Blackface em Shows Minstrel

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Maquiagem Blackface era ou uma camada de cortiça queimada em uma camada de manteiga de cacau ou pintura de graxa preta. Nos primeiros anos exageradas lábios vermelhos foram pintados em torno de suas bocas, como os de palhaços de circo de hoje. Nos anos posteriores, os lábios eram geralmente pintadas de branco ou sem pintura. Trajes eram geralmente combinações mirabolantes de desgaste formal; casacos, calças listradas andorinha, e cartolas.

Entretenimento espetáculo Minstrel incluía imitar a black music e dança e falar em uma “plantação” dialeto. Os shows contavam  com uma variedade de piadas, músicas, danças e esquetes que foram baseadas nos estereótipos mais feios de africanos escravos americanos. De 1840 a 1890, mostra menestréis eram a forma mais popular de entretenimento nos Estados Unidos.

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Platéias brancas no século 19 não aceitavam reais artistas negros no palco, a menos que eles realizaram na maquiagem blackface. Um dos primeiros negros a serem executadas em blackface para plateias brancas foi o homem que inventou o sapateado, William Henry Lane, também conhecido como Mestre Juba. Talento de Lane e habilidade foram extraordinários e, eventualmente, ele se tornou famoso o suficiente para que ele era capaz de realizar em sua própria pele.

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No final de 1800 um dos mais populares das performances blackface foi a adaptação de Cabana do Pai Tomás, um conto antiescravista, reuniu-se com poucas objeções até mesmo de teatro anti-líderes religiosos. Uma mistura de show menestrel, circo, e espetáculo, com cães treinados, pôneis, e às vezes até um crocodilo, manteve-se o jogo mais popular na América há mais de um século.

O show menestrel americano foi efetivamente morto por WW1, mas alguns veteranos continuaram a vender os estereótipos blackface mesmos mais tarde, em vaudeville, filmes e televisão. É uma das reviravoltas interessantes da história, que na primeira metade do século XX, os fornecedores principais da tradição menestrel antiquado blackface eram artistas negros, que haviam começado no show business com a máscara blackface – literalmente ou figurativamente – e estavam relutantes em desistir.

Mas eles também tinham pouca escolha nos papéis que foram oferecidos. Até bem dentro da década de 1950, Black atores do sexo masculino foram limitados a papéis estereotipados: Coons, por exemplo, Stepin FetchitMantan Moreland, e Willie Best e Toms, os mais famosos foram Bill “Bojangles” Robinson e Eddie “Rochester” Anderson. Da mesma forma, os papéis no cinema apenas para mulheres negras eram empregadas domésticas e mammys, ea mammy mais famoso de todos foi Hattie McDaniel, mais conhecido por seu papel premiado com o Oscar como “Mammy” em E o Vento Levou.

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Stepin Fetchit

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Mantan Moreland

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Willie Best

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Bill “Bojangles” Robinson 2010 Getty Images

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Eddie “Rochester”

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Hattie McDaniel

E aqui no Brasil? Será que não temos referência?

Sim, temos!

Grande Otelo, Mussum, Tião Macalé… Será mesmo esta a representatividade que precisamos? Será mesmo que o preto se limita a esta imagem? Sem desméritos, ok? Cada um tem a sua importância, seu cunho artístico… Mas somos mais que uma imagem engraçada ou até mesmo uma imagem criada para que sejamos incluídos nas residências através da tv. Será mesmo que a luta por um espaço e reconhecimento maior da população preta se resume a achar graça quando situações de humilhação e tristeza para muitos, são colocadas de forma humorística?

Muita coisa precisa ser repensada… Muitos conceitos precisam ser revistos.

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Grante Othelo

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Mussum

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Tião Macalé

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Fonte:  Facebook

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