sexta-feira, novembro 26, 2021
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14 de maio: o dia que nunca acabou

Neste 13 de maio relembramos uma data simbólica para o país, quando a dita abolição da escravidão completa 132 anos. No entanto, para a população negra escravizada, essa data tem um simbolismo diferente, pois a dita abolição não resultou em reconhecimento da liberdade e da dignidade humana para quem foi humilhado, explorado e desumanizado por mais de 300 anos.

O fim legal da escravidão ocorreu por duas razões básicas: a luta e resistência incessantes do povo negro e a pressão das elites mundiais que viam no Brasil um importante mercado consumidor que precisava de força de trabalho assalariada. Entretanto, a elite nacional, formada por grandes latifundiários e senhores de escravos, jamais aceitaria a integração da população negra em pé de igualdade. Iniciou-se então um processo de embranquecimento do Brasil. Ou seja, os negros foram úteis ao país apenas como escravos. A liberdade nesse caso foi uma forma institucionalizada de demonstrar o desprezo e nos tornar uma população sem acesso a direitos básicos de cidadania.

Após a chamada abolição, criou-se um muro entre o estado e a nação afro-brasileira (e também indígena) que foi deixada à margem da sociedade. “Livres” e sem qualquer reparação histórica pelo horror da escravidão, fomos parar nas ruas, nas favelas, no sub-emprego, na miséria. Essa é a liberdade comemorada pelo Brasil? Então, nós, negros e negras, não temos o que comemorar.

O dia seguinte à assinatura da Lei Áurea nos mostrou o abandono e também o triste e cruel reconhecimento da nossa liberdade pelo estado através da violência policial que nos reprime, castiga e assassina desde então. Há 132 anos vivemos no dia seguinte à abolição, um dia que não acabou. Lutamos pelo reconhecimento, por reparação histórica, por representatividade, por direitos, contra o racismo genocida. Nossa liberdade será uma conquista. Nada a comemorar. Temos sim muita luta pela frente.

Coletivo Negro do MTST


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