Tag: População Negra

Foto: Yuki Iwamura/Associated Press

Abolição inconclusa e a ausência de saúde da população negra no Brasil

Em mais um 13 de maio, lembramos a data da sanção da lei que, há 133 anos, determinou o fim da escravatura no Brasil. Ao contrário do que sugere o termo abolição, a data deve ser lembrada pelas desigualdades e violências a que segue submetida a população negra brasileira — 56% da população do país. A ideia de abolição inconclusa reflete um processo de construção de cidadania inacabado e que  continua operando a lógica da escravidão e seus efeitos perversos, visíveis na forma como negras e negros vêm sendo mantidos em condições de desumanidade até os dias atuais. A desumanização é central para pensarmos sobre as condições de saúde da população negra. Somente ocupa um lugar de proteção social aquele que partilha de humanidade e somente é um sujeito de direito aquele que é digno de vida. Portanto, pensar em um sistema de proteção à vida que seja equitativo passa, necessariamente, pela ...

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Magna Barboza Damaceno (Foto: Arquivo Pessoal)

Black Lives Matter, epistemicídio e o que nós da Psicologia temos a ver com isso?

O movimento negro no Brasil como refere a pesquisadora Lélia Gonçalves, não pode ser visto como único, justamente por ser diversas as suas pautas e ocuparem várias frentes na quais as entidades lutam para assegurar os seus direitos, assim como o movimento black lives matter nos Estados Unidos, ambos lutam por direitos humanos e liberdades fundamentais no que diz respeito a manutenção da vida, seja ela no plano político, econômico, social, cultural ou qualquer outra que se manifeste. Esta violência coletiva, perpetuada pelo Estado caracterizada pela aniquilação do sujeito a partir da sua exclusão social, restrição e discriminação nos espaços de convivência e oportunidades da vida representa não só o prejuízo da vida, bem como o seu fim, consequentemente causando o seu epistemicídio. O fortalecimento dos movimentos negros no Brasil, vem de longos passos, me remetendo a frase dita por uma médica negra, feminista e autora do livro Comunicação e ...

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Helen N'zinga e Morena Mariah, seguidoras do afrofuturismo (Foto: Divulgação/Imagem retirada do site O Globo)

Do jazz a Beyoncé, entenda como o afrofuturismo cria possibilidades de vida para a população negra

Imagine uma viagem ao futuro, com elementos de alta tecnologia, mas, ao mesmo tempo, com toques de ancestralidade africana. Esse é o conceito do afrofuturismo, que há décadas protagoniza negros na arte, filosofia, teoria crítica e ciência. Mais do que uma corrente estética, o movimento levanta possibilidades de vivência negra em sociedades que não são marcadas pelo racismo e pela opressão, funcionando como crítica à realidade atual. Nas histórias de filmes e séries ficcionais, o futuro está quase que completamente mecanizado, remetendo ao desenvolvimento de padrões de vida. A Wakanda de "Pantera Negra" é um exemplo famoso, ao misturar alta tecnologia e conexão com a ancestralidade. A partir deste conceito, a pesquisadora e especialista em afrofuturismo, Morena Mariah, explica que a ideia do movimento é reconfigurar o imaginário global de que a negritude não está associada à prosperidade e ao sucesso. — Digamos que os negros foram abduzidos do continente ...

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Foto: @pixabay/ Nappy

O corpo negro na Educação Física escolar

O presente ensaio tem com proposta provocar alguma reflexão sobre o corpo negro na Educação Física escolar, esse ácido caminho se depara com algumas formas do racismo, dentre eles, o científico, institucional e estrutural. Não rara as vezes deparamos com narrativas que dizem que o negro é bom para o esporte. Falsos discursos que se aportam nas “ciências”, para “subsidiar” essas narrativas, dentre elas, que o negro é melhor na corrida de velocidade por ter mais fibras musculares tipo branca, em detrimento a corrida de longas distâncias, que requer mais as fibras vermelhas, ou retóricas que a população negra tem dificuldade com a natação, devida sua densidade corporal. Ao pensar no domínio dos Quenianos e Etíopes na corrida de São Silvestre, já invalida a questão das corridas de longas distâncias, se a premissa é falsa, a afirmação não é verdadeira. No que tange a natação não se discute o não ...

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Foto: Maurian Soares Salvador/Getty Images

Especialista aponta recorte racial como prioridade de vacinação

Estudo mostrou que as desigualdades raciais e sociais foram intensificadas pela pandemia de covid-19, levando a um número maior de mortes entre a população negra do Brasil no ano passado. Mortes por doenças - incluindo doenças respiratórias como a covid-19 - aumentaram 18% entre os brasileiros brancos no último ano, enquanto entre pessoas negras o crescimento chegou a 28%. De acordo com especialista, políticas públicas devem considerar a desigualdade racial para o combate à pandemia. Realizado pela Vital Strategies e pelo núcleo de pesquisa Afro-Cebrap - do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento -, o estudo utilizou o excesso de mortalidade como indicador. O método é usado por epidemiologistas e especialistas em saúde pública para calcular a diferença entre o número de mortes esperadas e o número de mortes observadas em um determinado período e local. Na análise, foi comparada a quantidade de óbitos por causas naturais esperada em 2020 ...

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Foto: @NappyStock

Acervo Imediato: Projeto convida população negra a participar de repertório virtual baseado em suas memórias e vivências

Idealizado pela Denda Coletiva, o projeto Acervo Imediato convida pessoas negras a contribuírem com suas memórias e vivências para construção de um repertório virtual através do instagram. Os usuários da rede podem compartilhar histórias, vivências, experiências imagéticas ou um momento do seu dia que foi significativo utilizando a hashtag #acervoimediato e marcando a @dendacoletiva. A ideia é criar em conjunto um acervo digital colaborativo sobre memórias visuais ancestrais, afetivas, familiares e cotidianas. As publicações podem ainda servir de inspiração na produção artística que está sendo elaborada pelas artistas baianas Jamile Cazumbá, Safira Moreira e Shai Andrade, convidadas da Denda que, a partir da provocação “Como construir a memória do presente?” e imersão criativa, produzirão narrativas visuais apresentadas em uma Mostra Artística Virtual, no mês de abril. O objetivo é mobilizar, através da arte, novos regimes de identidade e representação, divulgando a produção artística de mulheres negras. Integrante da Denda e ...

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Foto: Inês Bonduki/UOL

De que adianta conhecimento acadêmico se não dialoga com o negro periférico?

Malcolm X descobriu a linguagem que se comunicava de um modo geral, de professor universitário a varredor de chão, tudo ao mesmo tempo, sem diminuir o intelecto de qualquer um deles.” John Henrik Clarke O papo é reto e sem firulas. Não discutirei exceções. Há muitas coisas engasgadas que precisam ser ditas. Neste texto, reside a opinião de um homem negro que atuou como líder comunitário, durante a década de 90 e início dos anos 2000. Na periferia da zona leste de São Paulo, lutei por direitos sociais e acompanhei as mazelas de inúmeros periféricos. Isso posto, digo: estou cansado dos discursos de negros que estão nos ambientes acadêmicos e usam as questões raciais como material de estudo. Não desconsidero a importância das pesquisas desenvolvidas, mas questiono a falta de projetos para os negros que moram nas periferias. Os discursos são cheios de elegância e quem ouve até acredita que ...

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Para o professor Muniz Sodré, a insensibilidade social alimenta a indiferença pelos negros (Foto: Léo Ramos Chaves/Revista Pesquisa Fapesp)

“O negro é um cidadão invisível. Quando ele aparece, a violência aparece também”

A morte brutal de João Alberto Freitas, espancado e sufocado até a morte por dois seguranças brancos em um Carrefour de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra (20/11), não só gerou revolta como provocou uma série de questionamentos sobre o racismo que ainda molda as relações sociais no Brasil. Para o escritor e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Muniz Sodré, a morte do homem negro é uma morte anunciada no cotidiano brasileiro, como se fosse pré-programada. A dificuldade que se tem para discutir e combater o racismo no país, segundo Sodré, passa pelo que ele chama de duplo vínculo, que consiste em dizer uma coisa e agir de outra forma e, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, o racismo brasileiro é ambíguo porque “ao mesmo tempo que se tem uma exclusão racista, do ponto de vista do afeto, da proximidade, você ...

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Imagem: iStock

População idosa negra e covid-19: por que invisibilizar e negar direitos?

Um dos mais preocupantes movimentos políticos observados nesses últimos meses, e muito acentuado com a chegada da pandemia da covid-19, foi o aumento da invisibilidade de diversos grupos sociais. Essa invisibilidade retira os direitos à cidadania plena e coloca essas pessoas, muitas vezes, sem o direito de viver, de respirar. E há um outro ator social, chamado governo, que deixa morrer por meio de suas ações, omissões e discursos. O Boletim nº 10 - Direitos na Pandemia, recentemente lançado, comprova isso. Segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra por Domicílios), a população negra brasileira já é, ou está muito próxima de ser, a maioria na faixa etária acima dos 60 anos. Dos 32 milhões de idosos do país estimados em 2018, 48% (quase 15,5 milhões) compõem a população negra, sendo 8,8% (quase 3 milhões) de pessoas idosas pretas, e 39,2% (um pouco mais de 12,5 milhões) de pessoas idosas pardas. O ...

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Foto montagem: Pedro Lima

“Ô dó!”: sobre o sentimento de pena da branquitude diante da nossa dor

Dissimular uma aparente simetria na sociedade, ignorando desvantagens estruturais e desigualdades que, de tão profundas, saltam aos olhos é um arranjo bastante comum para a permanência do status quo em uma sociedade supremacista branca.  Embora uma parte da branquitude repudie veementemente o racismo – leia-se injúria racial e atos de ofensa – a própria ideia de superioridade racial, o “gene” defeituoso no organismo do ser social branco, é pouquíssimo confrontada.  Nossas dores não geram necessariamente empatia na branquitude, afinal nunca fomos suficientemente humanos na construção do seu olhar sobre os nossos corpos e nossa existência. No entanto, uma análise desta relação prescinde uma compreensão do próprio conceito de branquitude e de como o sistema de dominação racial sustenta a  auto-imagem das pessoas brancas, sobretudo, das classes privilegiadas.  Para fins didáticos, faremos uma analogia da sociedade brasileira com a forma de um iceberg, considerando que o mito da democracia racial seria ...

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A legalidade das ações afirmativas

Após a divulgação do processo seletivo para a contratação de trainee da empresa Magazine Luiza, alguns questionamentos e posicionamentos bastante polarizados acerca da legalidade das políticas afirmativas que visam a contratação e inserção da população negra no mercado de trabalho. Muitos foram os argumentos, alguns com embasamentos, outros fundamentados somente no inconformismo pessoal de grupos privilegiados, mas, dentre os principais argumentos está a afirmação ou a infirmação do racismo. Entretanto, a fim de entender o racismo, faz-se necessário compreender primeiro o que é hegemonia. Em síntese, o conceito de hegemonia foi lapidado primeiramente por Antonio Gramsci, hoje pode ser entendida como uma estratégia de classe, pois significa o exercício do poder por um conjunto de indivíduos de uma determinada classe ou de determinadas classes (entendida como conjunto de valores, ideias, crenças, raças) que acaba por propagar a ideologia do grupo dominante de forma que sejam aceitas e assimiladas como verdades ...

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NADIA_BORMOTOVA VIA GETTY IMAGES

A saúde mental da população negra importa! Por que ainda precisamos afirmar?

*Este artigo é uma produção do GT Racismo e Saúde da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) Aproximadamente 1 bilhão de pessoas foram diagnosticadas e convivem com algum transtorno mental no mundo. Três milhões de pessoas têm como causa morte o uso abusivo de álcool e a cada 40 segundos alguma pessoa é vítima de suicídio. Segundo a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), no Brasil o campo da saúde mental é o mais desinvestido no âmbito da saúde pública. Essa realidade, quando analisada à luz do marcador social raça/cor, revela que a saúde mental da população negra é pauta de primeira ordem. Segundo dados do Ministério da Saúde de 2012, na comparação das taxas de mortalidade (por 100.000 habitantes) devido ao uso de álcool, o percentual de pretos é de 5,93 e o de pardos 3,89, enquanto, o percentual ...

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Comissão ARNS (Reprodução/Facebook)

Nota Pública #26 – Em apoio a políticas afirmativas

Nota Pública #26 Em apoio a políticas afirmativas, na garantia de direitos fundamentais A Comissão Arns vem a público manifestar, enfaticamente, seu apoio a recentes medidas tomadas pelo setor empresarial e na administração pública, no sentido de fortalecer políticas de ação afirmativas dirigidas a minorias historicamente discriminadas, como é o caso da população negra, dos indígenas, das mulheres e dos indivíduos portadores de deficiências físicas. A Comissão considera que tais políticas são indispensáveis à concretização do direito fundamental à igualdade, um dos pilares da democracia. Trata-se de um avanço, de longo percurso. Desde 1971, quando um grupo de militantes negros levantou a bandeira da comemoração do dia 20 de novembro (morte de Zumbi, em 1695) como o Dia Nacional da Consciência Negra, e também com a criação do Movimento Negro Unificado, em 1978, no contexto da luta contra a ditadura, as reivindicações dos afrodescendentes vêm impactando o processo de consolidação ...

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Juliana Sanches e Beatriz Cardozo estão na diretoria do Instituto de Defesa da Populacao Negra (IDPN) Foto: Leo Martins / Agência O Globo

Quem são as juristas que estão na direção do Instituto de Defesa da População Negra, que oferece assistência jurídica gratuita para promover a equidade racial no Brasil

No dia 14 de outubro de 2014, a então estudante de Direito da UFF e estagiária na Defensoria Pública do Rio de Janeiro Juliana Sanches entrou pela primeira vez em uma prisão. A imagem das celas de Bangu II lotadas de internos pretos nunca saiu de sua cabeça mas fez com que sua trajetória tomasse um foco bem definido: lutar por aquelas pessoas. “A prisão é seletiva. Quero desencarcerar os negros”, afirma ela, hoje com 29 anos e um extenso currículo focado em antirracismo e abolicionismo penal. Juliana Sanches é uma das três mulheres que integram o Instituto de Defesa da População Negra (IDPN): "A maior parte dos negros está presa por crimes de baixo potencial ofensivo. São casos em que deveriam ocorrer penas alternativas, previstas legalmente no Código Penal, mas o sistema utiliza a pena privativa como regra" Foto: Leo Martins / Agência O Globo ...

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Foto: Pedro Moraes/GOVBA

Mercado de trabalho e informalidade no Brasil pós-Pandemia

Introdução: Dias muito difíceis. Além da pandemia do Coronavírus, há o ambiente de crise política, e a tragédia de termos hoje um governo inepto e a economia paralisada. Esse é o cenário atual do Brasil. Já somos o país com maior incidência de mortes diárias pelo Covid-19. A equipe econômica está amedrontada e sem uma linha de ação traçada para esse momento. Cúmplice dos interesses dos bancos, evitam se desviar de sua política econômica, totalmente descolada da atual realidade. A cantilena da responsabilidade fiscal, fumaça e fogo para a implantação do Estado Mínimo e retirada das conquistas sociais históricas, não cabe no panorama atual. No momento de crise, a ação positiva do Estado é fundamental, até porque, nenhum empresário vai querer arriscar-se. Como sempre acontece, é o Estado o grande instrumento de enfrentamento da realidade mais perversa. Políticas keynesianas de aumento de gastos públicos e de reativação de setores-chave, potencialização ...

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Arte ilustrativa: Pixabay

MPF cria grupo de trabalho para discutir racismo, letalidade policial e reparação à população negra

A Câmara de Controle Externo da Atividade Policial e Sistema Prisional do Ministério Público Federal (7CCR/MPF) instituiu nesta sexta-feira (12) o grupo de trabalho interinstitucional Racismo, Letalidade Policial e Direito da População Negra Vítima de Violência Estatal à Reparação. A iniciativa visa a elaboração de diagnóstico acerca do impacto da letalidade policial na população negra, considerando suas especificidades e vulnerabilidades no contexto sócio-histórico brasileiro, a fim de nortear a atuação do MPF e fomentar o debate público sobre o problema. Além de buscar estratégias para aprimorar o trabalho do MPF no enfrentamento do racismo policial, o GT pretende discutir propostas de medidas jurídicas de reparação à população negra vítima de violência estatal, promover atividades em parceria com instituições do sistema de justiça, entidades da sociedade civil e movimentos sociais, a fim de incluir a pauta na agenda pública e criar um fórum de diálogo permanente sobre a temática. Composição – ...

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O racismo institucional é um dificultador na assistência à saúde da população (Foto: Marcello Casal Jr/Arquivo/Agência Brasil)

Ministério da Saúde retira do ar estudo sobre saúde da população negra 

O Ministério da Saúde retirou da página em que estava na internet, com o rol de várias outras publicações, um estudo que ouviu mais de 52 mil brasileiros sobre a saúde da população negra no Brasil. O levantamento apontava, ao fazer uma comparação com os brancos, um cenário desfavorável para os negros no consumo de frutas e hortaliças, entre outros itens, fornecendo indicadores científicos sobre a desigualdade social entre negros e brancos. O estudo, com 132 páginas, foi feito em 2018 e estava no ar desde julho do ano passado sob o guarda-chuva da Secretaria de Vigilância em Saúde, a mesma área técnica que sofreu uma intervenção branca do governo Bolsonaro na semana passada a fim de alterar o cálculo dos mortos e casos de Covid-19 no país. O levantamento é intitulado "Vigitel Brasil 2018 População Negra: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico". ...

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(Foto: Imagem enviada por Alexandra Lima da Silva ao Portal Geledés)

“Avisem que estamos chegando”: a história do escravizado que fundou uma escola no Rio de Janeiro

Fragmentos. A luta da população negra por educação no Brasil é reconstituída a partir de recortes e rastros. Foi por meio de uma pequena notícia no jornal, intitulada “Escola fundada por escravo faz 100 anos” que fiquei sabendo da existência de Zózimo, escravizado que fundou uma escola para escravizados e libertos no Rio de Janeiro oitocentista. Acredito que o papel da pesquisa histórica seja também, dar visibilidade a sujeitos que não são lembrados nos livros dedicados à memória nacional. Enquanto em países como os Estados Unidos, é possível acessar diferentes materiais para saber mais sobre a luta da população negra pela educação, como pode ser visto no documentário Avisem que estamos chegando, por aqui, ainda há muito o que pesquisa e divulgar sobre essas tantas “figuras negras ocultas” e silenciadas. Conhecido como “Zé índio”, Zózimo morava num casebre construído num terreno onde hoje fica a PUC/Rio (Pontifícia Universidade Católica). Ainda ...

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(Foto: Jerome Gilles/NurPhoto via Getty Images)

COVID-19 e seu impacto nas comunidades negras nos Estados Unidos e no Brasil

A COVID-19 tem exercido um impacto devastador, e as comunidades negras em todo o mundo têm sido as mais afetadas pela pandemia. Mesmo que a extensão total do seu impacto ainda esteja para ser determinada, essas comunidades estão desproporcionalmente propensas a contraírem e perecerem em função da COVID-19, comparando-se com o restante da população. Tecemos considerações a respeito do impacto da pandemia de COVID-19 no Brasil e nos Estados Unidos como ponto de partida para futuros estudos sobre populações negras em todo o mundo.  O Brasil é o maior e mais populoso país da América do Sul, com uma população de aproximadamente 210 milhões. A população negra constitui a maioria dos habitantes do país, representando 51,1% da população total. Por outro lado, os Estados Unidos possuem uma população total de 328,2 milhões, sendo que a parcela negra representa apenas 12,1%. Uma comparação entre esses países pode, inicialmente, parecer incomum, especialmente ...

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ADOBE

14 de maio: o dia que nunca acabou

Neste 13 de maio relembramos uma data simbólica para o país, quando a dita abolição da escravidão completa 132 anos. No entanto, para a população negra escravizada, essa data tem um simbolismo diferente, pois a dita abolição não resultou em reconhecimento da liberdade e da dignidade humana para quem foi humilhado, explorado e desumanizado por mais de 300 anos. O fim legal da escravidão ocorreu por duas razões básicas: a luta e resistência incessantes do povo negro e a pressão das elites mundiais que viam no Brasil um importante mercado consumidor que precisava de força de trabalho assalariada. Entretanto, a elite nacional, formada por grandes latifundiários e senhores de escravos, jamais aceitaria a integração da população negra em pé de igualdade. Iniciou-se então um processo de embranquecimento do Brasil. Ou seja, os negros foram úteis ao país apenas como escravos. A liberdade nesse caso foi uma forma institucionalizada de demonstrar ...

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