Ministério da Igualdade Racial lança segunda edição do Programa Kala-Tukula

05/05/26
Iniciativa recebe inscrições até dia 10 de maio

O Ministério da Igualdade Racial (MIR) abre, nesta terça-feira (5), as inscrições do Edital nº 6/2026 para a 2ª edição do Programa Kala-Tukula de Desenvolvimento de Lideranças para a Governança Global. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a participação de lideranças quilombolas, de terreiro de comunidades tradicionais de matriz africana, ciganas e de outras representações da comunidade negra em espaços internacionais de negociação multilateral, especialmente nas agendas relacionadas ao clima, meio ambiente e direitos humanos. As inscrições serão aceitas até o dia 10 de maio. 

Com o objetivo de ampliar a presença de lideranças quilombolas, povos e comunidades tradicionais, povos de terreiro e de matriz africana, povos ciganos e outras representações da comunidade negra em debates globais estratégicos, o programa promove o protagonismo de quem historicamente contribui para a proteção de territórios, da biodiversidade e dos modos de vida sustentáveis. A iniciativa também se insere no contexto das discussões internacionais sobre justiça climática e enfrentamento ao racismo ambiental, reforçando o papel do Brasil na construção de uma governança global mais inclusiva. 

Para o secretário de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos (SQPT), Ronaldo dos Santos, a iniciativa fortalece a presença de lideranças historicamente invisibilizadas em espaços estratégicos de tomadas de decisão. “O Programa Kala-Tukula reafirma o compromisso do Ministério da Igualdade Racial com a construção de uma governança global mais justa, representativa e conectada com as realidades dos territórios. Ao investir na formação de lideranças negras, quilombolas, de povos e comunidades tradicionais, de terreiro e ciganos, estamos garantindo que essas vozes – historicamente invisibilizadas – ocupem espaços estratégicos de decisão. Essas lideranças não apenas participam, mas qualificam o debate internacional com seus saberes, suas experiências e sua relação ancestral com a natureza, fundamentais para o enfrentamento das crises climática e social.” 

A seleção considera critérios como paridade de gênero, representatividade regional e atuação comprovada em temas socioambientais, climáticos ou de defesa de direitos. Serão selecionadas 40 lideranças de todo o país, distribuídas entre quilombolas, povos e comunidades tradicionais de terreiro e de matriz africana, povos ciganos e outras representações da população negra. 

Formação – Os participantes terão acesso a oficinas, seminários, mentorias especializadas, curso de inglês instrumental e atividades práticas de simulação de negociações internacionais. O programa também prevê espaços de articulação com organizações da sociedade civil, especialmente aquelas envolvidas em agendas como a Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas, contribuindo para qualificar a incidência política dessas lideranças. 

Ao destacar os impactos do programa na formação de lideranças, o babalorixá e doutor Luciano Costa (Babá Omi-Silé), participante da primeira edição do programa, ressaltou a importância da iniciativa para o fortalecimento da atuação em seus territórios. “O Kala-Tukula contribuiu muito para a minha formação como liderança para a governança climática global, fortalecendo o diálogo sobre as mudanças climáticas no meu território e na minha comunidade. O programa ampliou meu campo de visão e me tornou um líder mais engajado nas questões do racismo ambiental e na defesa dos direitos humanos e da justiça climática, disse. 

Há a previsão de etapas presenciais em Brasília e as atividades serão entre maio e dezembro de 2026. Despesas com deslocamento, hospedagem e alimentação serão custeadas pelo programa. Ao final, os participantes receberão certificação como Liderança Kala-Tukula para a Governança Global. 

Para participar, é necessário ter, no mínimo, 18 anos, comprovar vínculo com comunidades ou organizações representativas e possuir ao menos um ano de experiência em áreas relacionadas à atuação socioambiental, climática ou política. Os candidatos devem ler atentamente o edital antes de se inscreverem. As inscrições devem ser feitas exclusivamente de forma online, mediante envio de documentação comprobatória, currículo e uma manifestação de interesse, que poderá ser apresentada em formato de texto, áudio ou vídeo. 

O processo seletivo será realizado em duas etapas: análise documental e entrevista com os candidatos pré-selecionados. As entrevistas estão previstas para os dias 1º e 2 de junho, e o resultado deve ser divulgado em 12 de junho de 2026. 

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