5 razões para acompanhar Leci Brandão de perto

A cantora completa neste mês 40 anos de carreira. Se com suas músicas Leci arrasta multidões, com a sua política, a também deputada estadual, trilha caminhos inexplorados na Assembleia Legislativa estado de São Paulo também dignos de aplausos.

 

Abaixo 5 razões que mostram por que a deputada Leci Brandão está fazendo a diferença na “Casa do Povo”.

Por Juliana Golçalves, do Vermelho

Quilombo da diversidade

É dessa maneira que o gabinete da deputada é conhecido na Assembleia Legislativa. Leci explica: “Isso surgiu nesse segundo mandato porque recebemos aqui pessoas diversas que trazem suas reivindicações e ideias, observando isso, conclui que legitimamente somos um quilombo da diversidade dentro dessa Casa. O gabinete busca soluções, embora seja legislativo, tem determinação e consciência que podemos apresentar boas alternativas aos problemas que chegam até nós”.

“A gente pode”

A deputada é a única mulher negra entre 94 parlamentares atuais. Esse fato ganha ainda mais peso em momentos como os de hoje, onde há muito retrocesso e forte onda reacionária. “O legado que quero deixar da minha passagem pela Assembleia é justamente o “a gente pode”, a gente tem que ter esperança que outras mulheres negras poderão também ocupar esse espaço”.

Fim da violência obstétrica e promoção do parto humanizado

Neste ano, dois projetos foram apresentados pela deputada que fortalecem esforços pelo fim da violência obstétrica – que atingem mais severamente negras e pobres – e promoção do parto humanizado. Os dois foram aprovados na Comissão de Constituição e Justiça e agora estão na Comissão de Saúde. O PL 436 / 2015 dispõe sobre a obrigatoriedade de universalização da aplicação das normas de saúde atinentes ao parto e nascimento no Estado de São Paulo e determina que o descumprimento dessas leis seja passível de sanções. O PL 437/2015 institui o Pacto Estadual Social para Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento em todos os estabelecimentos de saúde do Estado de São Paulo. Em 2013, foi apresentado o PL 250/2013, que dispõe que maternidades, casas de parto e estabelecimentos hospitalares congêneres, da rede pública e privada do Estado de São Paulo ficam obrigados a permitir a presença de doulas durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, sempre que solicitadas pela parturiente. Esse projeto já passou em todas as comissões da Casa e está na ordem do dia para ser votado.

Porta aberta e ouvidos atentos

Os projetos sobre parto humanizado, combate a violência obstétrica e a presença de doulas, surgiram por meio de demandas da sociedade civil. “As questões relacionadas aos direitos reprodutivos e à saúde da mulher são lutas do movimento de mulheres e apoiamos imediatamente”, contou Leci. O projeto o trabalho das doulas chegou através de um contato via redes sociais.

Umbanda, funk e hip hop

A maioria das demandas levadas à Assembleia pelo gabinete de Leci são desconhecidas para a maioria dos outros deputados. A proposta de criação do Dia da Umbanda, que surge como ação afirmativa em um contexto de combate à intolerância religiosa, foi recebida com estranheza e está parado. O mesmo ocorreu com o Dia do Funk e a proposta de oficializar a Semana do Hip Hop. “O universo popular, negro e periférico é bem distante da maioria dos parlamentas. Temos que sensibilizar os parlamentares para entender que o povo da quebrada também tem seus direitos e que nós também representamos essas pessoas

Em tempo: Leci canta em defesa das minorias, do povo negro, das mulheres e dos trabalhadores. Nos últimos anos, todos os discos de Leci contêm ao menos uma faixa falando sobre a cultura afro-brasileira de forma direta, transparente e apaixonada. A cantora comemora neste mês seus 40 anos de carreira artística e seus 71 anos de idade. Ubuntu, rainha!

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