A favela não venceu

O exemplo de sucesso como mensagem de opressão

Por Startup da Real, no Medium

Favela da Maré. (Foto: Getty Images/AFP/V. Almeida)

Você talvez não tenha ouvido falar de Margareth Teixeira, 17 anos.

Mãe de um filho de 1 ano e 7 meses, a jovem estava na sétima série do ensino fundamental. Seu sonho de sucesso era ter uma casa própria e passar no concurso da polícia militar.

Ex-moradora de Duque de Caxias, Margareth tinha medo de morar na Favela do Quarenta e Oito, em Bangu.

No dia 13 do último mês, a jovem foi morta com 10 tiros de fuzil, seu filho estava no colo quando foi baleada. A criança foi ferida de raspão na cabeça e no pé. Margareth Teixeira estava indo encontrar o marido na igreja.

A jovem foi mais uma das vítimas das operações da polícia militar do Rio de Janeiro que, só este ano, já matou mais de mil pessoas.

A polícia militar mata 1 pessoa a cada 5 horas no Rio de Janeiro, sendo responsável por 30% das mortes violentas na cidade.

É impossível ver alguém comemorando uma vitória pessoal, dizendo que a favela venceu, sem lembrar de casos como esse.

A favela não venceu. E pior ainda, está ficando cada vez mais difícil para a favela vencer.

Continue lendo aqui

+ sobre o tema

A limitação dada para personagens negros e negras em jogos de luta

Se você procurar Anderson Shon num dicionário encontrará adj.¹...

Bombril é acusada de racismo por campanha com empregada doméstica negra

Marca afirma que escolha de doméstica para anúncio no...

São Paulo recebe exposição sobre caso Rafael Braga até o fim de julho

Além da mostra, Insituto Tomie Ohtake terá debates e...

para lembrar

“Eu não era branca o suficiente para 5 projetos diferentes”, diz atriz de NCIS

Jennifer Esposito, mais conhecida por seu trabalho nas séries...

Presidente de CPI pede plano de enfrentamento ao homicídio de jovens negros

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Violência...

Racismo, preconceito e ameaças de morte viram rotina em universidades públicas de São Paulo

Três ofensas graves foram registradas em um mês; especialista...

Pesquisador diz que piadas racistas reforçam padrão colonial

Piadas sobre negros ainda são usadas para desqualificar...
spot_imgspot_img

Como as mexicanas descriminalizaram o aborto

Em junho de 2004, María, uma jovem surda-muda de 19 anos, foi estuprada pelo tio em Oaxaca, no México, e engravidou. Ela decidiu interromper...

Como o diabo gosta

Um retrocesso civilizatório, uma violência contra as mulheres e uma demonstração explícita do perigo que é misturar política com fundamentalismo religioso. O projeto de lei...

Homens, o tema do aborto também é nossa responsabilidade: precisamos agir

Nesta semana, a escritora Juliana Monteiro postou em suas redes sociais um trecho de uma conversa com um homem sobre o aborto. Reproduzo aqui: - Se liberar o...
-+=