sexta-feira, novembro 27, 2020

    Tag: artigos e reflexões

    Obra "Raízes do Céu" dos artistas paulistanos do Estúdio Bijari - (Divulgação;/Imagem retirada do site Brasil de Fato)

    Tudo agora é escombro

    Deram o novo nome a pandemia / De covid-19 / Mas foi em 18 / Que elegeram o 17 Nos sons do berro da dor Território de guerra declarada Farelos humanos Indecisão de amor Solidão da morte marcada Cedê los hermanos? Há morte antes do tiro Da casa Do cemitério Do coveiro Do caixão Do novo coronavírus Tudo é uma prisão Do hospital ao hospício Assombro do estágio Do novo coronavírus Colapsada democracia Assolapada emoção Deram o novo nome a pandemia De covid-19 Mas foi em 18 Que elegeram o 17 A porta do inferno foi aberta Vírus humano da destruição Estado de Direito? Exceção! Tudo agora é prisão Ela não caiu não. Faveladx Pretx Sapatão Gay Macumbeirx PCD Maconheirx Puta TTT Há morte antes do tiro Do antigo coronavírus Vem cá me dá a mão! Assustada Violada Estuprada Maltratada Com hematoma Ela não caiu não A rota crítica Conceitua ...

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    (Photo credit Clara Griffin/Imagem retirada do site ÁLAMOS DE VIENTO)

    Sobre esse momento na Terra…

    “Meus estimados: Não desanimem. Nós fomos feitos para estes tempos. Eu, recentemente, tenho ouvido de tantos que estão profundamente desnorteados e com razão. Eles estão desnorteados a respeito dos acontecimentos atuais em nosso mundo... Nosso tempo é de assombramento quase diário e de raiva muitas vezes justificada a respeito das recentes degradações daquilo que é o mais importante para pessoas civilizadas, visionárias. (...) Contudo, eu recomendo, peço, solicito encarecidamente a vocês, para não secarem seu espírito lamentando estes tempos difíceis. Principalmente, não percam a esperança. Particularmente, porque fomos feitos para estes tempos. Sim. Por anos temos aprendido, praticado, sendo treinados e esperado para nos encontrar neste plano de engajamento... Eu cresci na região dos Grandes Lagos e reconheço uma embarcação em boas condições de navegabilidade, quando a vejo. No que diz respeito a almas despertas, nunca houve tantas boas embarcações nas águas do que agora, em todo mundo. E elas ...

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    Imafem teriradao do site GSHOW

    BBB20: feministas liberais, monstrualização de corpos negros e hierarquização identitária na mídia de massa

    Muito foi falado sobre as ações e comentários racistas voltados ao ator Alexandre da Silva Santana (vulgo Babu Santana), homem negro e favelado, na 20ª edição do reality show Big Brother Brasil (BBB20) realizado pela Rede Globo. Tais falas e atitudes tiveram como protagonistas Marcela Mc Gowan, participante do programa autodeclarada feminista e assim qualificada pela mídia, e suas melhores amigas no reality, Gizelly Bicalho e Ivy Moares -- todas mulheres brancas associadas, sobretudo no começo do programa, com discursos pelo fim da opressão contra mulheres e em prol dos chamados empoderamento e liberdade femininas.   O tema e as análises a seu respeito chamaram nossa atenção por mobilizarem questões que, ao nosso ver, merecem ser ainda mais verticalizadas (o que nos propomos a fazer aqui), considerando: 1) a relação entre Big Brother Brasil, um produto midiático de massa, e a realidade de seus participantes, realizadores e espectadores; 2) a porosidade ...

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    Photo by  Nick Owuor (astro.nic.visuals)  on  Unsplash

    Minha cor chega primeiro. Reflexões sobre a experiência de ser uma mulher negra

    Desde o momento do meu nascimento até meus derradeiros suspiros, estarei sozinha. De fato, a experiência de viver é solitária, não há ninguém além de mim mesma que esteja comigo ininterruptamente. Mas a solidão a qual me refiro não é essa. Trata-se de uma solidão estrutural, que está lá fora, no mundo externo, e que não é do meu controle. Solidão e faltas – todas as que puder elencar – são sinônimos da experiência corporal negra, principalmente da experiência corporal feminina negra. Nascemos em meio a um mundo construído em narrativas românticas em que a solidão não é bem quista. No entanto, sabemos nós, mulheres negras, desde a mais tenra idade que essa narrativa não se aplica a nós. Já sabemos, mesmo sem saber. A maioria de nós nasceu em lares partidos, por isso é bem provável que não saibamos o que de fato é o amor. Este não está ...

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    Foto Marta Azevedo

    Vocês que lutem!

    A meta almejada é um Brasil varrido de negros e indígenas Por FLÁVIA OLIVEIRA, do O Globo Foto: Marta Azevedo O governo Jair Bolsonaro escolheu a data de aniversário de 520 anos da chegada dos portugueses ao Brasil para anunciar à nação o plano de recuperação econômica pós-pandemia. Batizou de Pró-Brasil o, até aqui, mal esboçado pacote de investimentos de R$ 30 bilhões para gerar um milhão de empregos. Ilustrou a apresentação com a foto de cinco crianças brancas — duas meninas, três meninos — retiradas de um banco de imagens estrangeiro. Amarrou a proposta no slogan “Construção de um país em progresso”. O punhado de referências não deixa dúvidas da meta almejada: um Brasil varrido de negros e indígenas; livre da diversidade racial autodeclarada por quase seis em cada dez habitantes. É a materialização do sonho dos invasores que exterminaram povos nativos, sequestraram e escravizaram ...

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    Sankofa (imagem retirada do site GGN)

    Sankofa, classe trabalhadora e a pandemia do coronavirus: para ir adiante é preciso retornar ao passado

    Diante deste cenário, fica claro que a responsabilidade pelos efeitos da crise do coronavírus (leia-se crise do sistema capitalista), mais uma vez está sendo atribuída ao trabalhador. Por Elisiane Santos, no GGN  do Coletivo Transforma MP Sankofa (imagem retirada do site GGN) Na tradição africana dos povos akan – grupo étnico kwa da África Ocidental que povoa a região hoje abrangente por parte de Gana e da Costa do Marfim -, encontramos ensinamentos sintetizados no adinkra, um conjunto de ideogramas, contendo figuras, objetos, traços, entre estes a Sankofa, representada por um pássaro que volta a cabeça à cauda. O símbolo é traduzido por: “retornar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro”. Este ensinamento pode nos trazer importantes reflexões sobre os rumos da vida em sociedade, do presente e do futuro do trabalho, neste cenário de pandemia, em que as desigualdades sociais, no Brasil, ...

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    Foto: Gustavo Stephan

    Meia-volta, morrer

    Como decidir a morte de alguém? Um idoso que está pesquisando a vacina para o coronavírus deve se sacrificar pelos netos? Por Ligia Bahia, do O Globo Ligia Bahia (Foto: Gustavo Stephan) Trocar o ministro da Saúde durante a pandemia do novo coronavírus foi uma manobra arriscada. Abalou o precário equilíbrio entre a Ciência, as evidências sobre a magnitude e gravidade da doença e os adeptos da fé, em si próprios, em seus gestos e palavras, como indicadores de verdade. O recém-empossado titular da pasta — dedicado a estudar a futura saída da quarentena e omisso em relação ao presente aumento exponencial da ocorrência de casos — é funcional aos desejos de passar por cima das advertências sanitárias. Na última domingueira presidencial, desta vez acompanhada por carreatas em diversos estados, ouviu-se um brado de independência — “Nós não queremos negociar nada, queremos ação” — e manifestações ...

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    (29 de Março, 1968, Memphis – USA. Bettmman Collection/Getty Images)

    Pandemia, segregação racial e as vidas que não importam

    O tempo do racismo não é cronológico. O tempo do racismo é lógico e psicológico, ou seja, transfunde a cronologia histórica. É dessa maneira que o racismo se mantém na estrutura da sociedade. Por Alexandre Filordi, no Jornal GGN (29 de Março, 1968, Memphis – USA. Bettmman Collection/Getty Images) O tempo do racismo não é cronológico. O tempo do racismo é lógico e psicológico, ou seja, transfunde a cronologia histórica. É dessa maneira que o racismo se mantém na estrutura da sociedade. Entra ano e sai ano, no caso que aqui me interessa, os negros precisam provar que são humanos, gente com sangue, dor, padecimentos, sentimentos, inteligência, beleza. Eles precisam provar que não são menos e que as mesmas mazelas da finitude humana não lhes são diferentes das de ninguém. Os jornais franceses denunciam, escandalizados, a cena dantesca em que dois pesquisadores do Inserm (Instituto Nacional ...

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    Foto de 1943 mostra soldados alemães nazistas interrogando judeus após a Revolta do Gueto de Varsóvia - AFP

    Resistir ao extermínio

    Os guetos concebidos pelo nazismo foram territórios dentro dos quais a anomia e a demolição de corpos foram a regra, e a regra, a anomalia Por Roberto Bueno, do Brasil 247 Foto de 1943 mostra soldados alemães nazistas interrogando judeus após a Revolta do Gueto de Varsóvia - AFP Há exatos 77 anos, no dia 19 de abril de 1943, foi empreendida ofensiva pelos oficiais nacional-socialistas contra o gueto de Varsóvia, espaço de confinamento da comunidade judia na capital polonesa. A política nacional-socialista era de reunir os judeus em guetos, e no caso de Varsóvia era crescente o número dos indivíduos que iam sendo aprisionados naquele minúsculo espaço urbano da cidade ocupada pelas forças armadas de Hitler. Naquelas condições materiais as quais estavam expostos os indivíduos apenas uma única certeza estava em seu horizonte próximo, a morte. Tratava-se de um espaço de cultivo da destituição da ...

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    Fabiano Mestre Foto: Fabiana Ribeiro/Campinas

    Pós-pandemia: a dor continuará

    O conceito pessimismo não seria uma definição plausível, quando olhamos em outras perspectivas o momento no qual nos encontramos. É o que desejo fazer através desta reflexão.  Por Edson Fabiano*, enviado para o Portal Geledés  Fabiano MestreFoto: Fabiana Ribeiro/Campinas Outros olhares... Talvez seja por isso que a escritora negra Carolina Maria de Jesus disse: as crianças ricas brincam nos jardins com seus brinquedos prediletos. E as crianças pobres acompanham as mães a pedirem esmolas pelas ruas. Que desigualdades trágicas e que brincadeira do destino. O mundo do faz-de-conta foi/é uma realidade na vida de todo ser humano adulto quando criança. Era nesse mundo que sonhávamos ser e ter o que a realidade dura e sofredora, de algumas crianças, permitia. Independente da classe social e da cor da pele, o sentimento de incompletude, de que algo está faltando, é inerente a todo ser humano, ainda que cercado de ...

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    Arquivo Pessoal

    Eu dentro de mim

    Já que o mundo está em medida de contenção social, acredito estar diante de um dos maiores desafios que o ser humano possa receber da vida, que é o de ter a oportunidade de ficar sozinho e explorar a sua consciência, conhecer quem é essa pessoa que cohabita em meu corpo, ou seja tentar descobrir quem “eu dentro de mim”. Por Tatiane Cristina Nicomedio dos Santos, enviado para o Portal Geledés Tatiane Cristina Nicomedio dos Santos (Foto: Arquivo Pessoal) Então vamos lá, vou iniciar essa descoberta como se fosse um diálogo entre o meu eu e a minha consciência. - Oi!  -Você está aí? - Será que poderia me dizer, ou pelo menos me ajudar a entender, quem sou “eu dentro de mim”? Sei que não irá responder!!! A minha mente, neste momento está parecendo um papel em branco...  No entanto, um papel em branco, para alguns ...

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    ilustrações Amanda Favali (@favali_)

    Trajetória: Nuances sobre o racismo brasileiro

    Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que martírios embrutece, Cantando, geme e ri! (ALVES, Castro. Navio Negreiro, 1880) Por Jaqueline Lima Sales da Silva*,  enviado para o Portal Geledés  ilustrações Amanda Favali (@favali_) No Brasil do século XXI, não é raro encontrarmos pessoas fingidas que não declaram abertamente suas “preferências”, seus medos, seu racismo e sua direcionada covardia social. Ficamos sem saber como estruturar pensamentos e ideias diante da hipocrisia nos seus variados segmentos, mas a hipocrisia racista brasileira é a que mais chama atenção. Nessa mesma lógica nos orienta Abdias Nascimento, em seu livro: O genocídio do negro brasileiro: Processo de um racismo mascarado (1978) que “a realidade brutal que os brasileiros têm de aceitar é que o racismo é em toda a parte diferente, e em toda a parte ...

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    Foto: Shutterstock

    Escola remota

    Apaixonei-me pela educação dentro de uma sala de aula, como estagiária. Antes disso, era um misto de amor e ódio, porque ao mesmo tempo em que a escola parecia abrir portas e oferecer esperança, ela me aniquilava como ser, ao me subjugar por uma disciplina esterilizante. Por Gláucia Portela*, enviado para o Portal Geledés  Foto: Shutterstock De aluna a professora e coordenadora, passei a ser uma estudiosa da cultura escolar, a fim de entender melhor os processos e aprimorar o meu fazer. Estes são os meus lugares de fala. E, depois de ler tantos escritos sobre a reinvenção da escola, espaço sagrado para mim, onde vivo mergulhada há exatos 35 anos, cheguei às reflexões que agora compartilho com vocês. Muito tem sido dito sobre os destinos da escola em época de pandemia, por meio das falas de todos os tipos e vindas das diferentes vozes que compõem ...

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    (Foto: Reprodução/ Twitter)

    Diário do isolamento social, o guru

    alceu é funcionário público, seu hobby e ler jung e tocar flauta doce. Por  Lelê Teles, enviado para o Portal Geledés frequenta uma chácara, nos arredores de brasília, propriedade de um coroa barbudo que se autodeclara guru. o sujeito manja de mantras, massagem ayurvédica e, apesar de solteiro, faz terapia para casais. por influência do tal guru, alceu já foi à índia. ir à índia, pra essa moçada que cultua gurus, é como ir ao vaticano para os católicos, à meca para os muçulmanos e à israel para os seguidores dos empresários de cristo. alceu é casado com alice, que é atriz e nutróloga e frequenta o retiro com o marido. por força de um decreto do governo do distrito federal, o casal foi obrigado a ficar sem ver o guru por pelo menos quinze dias. há sete dias alice não vai ao teatro e nem ao consultório e, pelo mesmo ...

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    Arquivo Pessoal

    Mucama do Publix: sobre ser ausente nos atos e agoras de uma periferia urbana

    Tínhamos ruas iguais, as esquinas eram nossas e, todos os dias, os cheiros ministravam sobre micropausas. Éramos espectadores um do outro, mas uma TV dormia sempre acordada, enquanto a outra saía do prumo e acordava dormindo. Aquela igualdade toda, por assim dizer, era a vaga ideia que eu tinha do pedaço da realidade que me abordava aos finais de semana. Um sempre protagonizava o outro, para falar a verdade. Não existia essa coisa de figurante. Sabe como?  Por  Bernard Teixeira Coutinho, enviado para o Portal Geledés Arquivo Pessoal Tudo era motivo para sair de casa, principalmente quando a rádio comunitária anunciava as promoções do dia e as atrasadas. Todos os pais e mães mandavam seus filhos descansados aos bares e mercearias. Os filhos iam, com trinta reais no bolso e com uma lista de compras, mas só voltavam na hora do ronco do sol. Ninguém queria largar ...

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    (Créditos da imagem: Jornal A Imprensa, 19/08/1913)

    Onde estão nossos médicos negros? A história de um filho e neto de escravizados que se tornou médico

    Quantos vezes você já se consultou com um médico negro? Uma visita as fotos de formatura nas paredes dos cursos de Medicina no Brasil é mais uma evidência do racismo estrutural, um dos legados da escravidão por aqui.  Por Alexandra Lima da Silva, enviado para o Portal Geledés  (Créditos da imagem: Jornal A Imprensa, 19/08/1913) Num país em que a maioria da população se autodeclara negra, é violento e doloroso constatar que o direito a uma formação para salvar vidas é também um privilégio, assim como o direito de viver.  Neste país de maioria negra, a existência de médicos negros acaba se tornando uma exceção, quando deveria ser a regra. Por isso, é importante dar visibilidade a experiência de médicos negros no Brasil, e compreender as estratégias de enfrentamento do racismo empreendidas por tais sujeitos.  Israel Antônio Soares Junior tinha acabado de se formar médico, quando, faleceu aos ...

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    GETTY IMAGES

    O discurso punitivista do Sérgio Moro e o perigo da Pandemia COVID-19 nas prisões brasileiras

    Uma grave pandemia assola o mundo todo, colocando diversos governantes a pensar medidas que serão necessárias para diminuir o contágio. Mas infelizmente, essas medidas não alcançam mudanças estruturais na realidade. É o caso das prisões brasileiras. Em entrevista a Folha de São Paulo, o Ministro da Segurança e Justiça, Sérgio Moro disse que tem tomado medidas para possibilitar a segurança sanitária dos encarcerados. Em resumo, essas medidas incluem, vacinação para H1N1, distanciamento entre os internos e limpeza das penitenciárias. Mas vejamos, será que dentro de um estado punitivo de superlotação das prisões é possível distanciar os encarcerados? E outro ponto, será que apenas limpeza de um local insalubre, do qual, vivem no mesmo local, ratos, baratas e pessoas, resolveria? Por  Ícaro Jorge, enviado para o Portal Geledés GETTY IMAGES A disputa entre saúde e o crescimento econômico se torna centro das discussões sobre o direito de um ...

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    Imagem: Lifetime/Divulgação

    Sobrevivi a R. Kelly e a violência contra mulheres negras

    Ser mulher negra é enfrentar a luta cotidiana, tentar sobreviver e seguir mais adiante.  A dor não vai passar, mas a mulher negra se levanta generosamente para lutar de forma que outras não experimentem o que ela viveu. − Jurema Werneck Por Ricardo Corrêa, enviado para o Portal Geledés  R. Kelly  (Imagem: Lifetime/Divulgação) Está disponível no catálogo da Netflix a série documental Sobrevivi a R. Kelly (2019) abordando histórias de mulheres negras que acusam o rapper afro-americano R. Kelly, atualmente preso¹, de crimes de abuso sexual e psicológico. A série é dividida em seis episódios, e confesso que durante a exibição fui acometido por vários sentimentos. No primeiro momento, decepção, já que na adolescência as músicas do artista embalaram muitos bailes de black music que eu freqüentava. Depois, revolta e indignação, ao refletir sobre as condições das mulheres negras que são vítimas de inúmeros casos de violências, ...

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    Rosinei Coutinho/STF

    E se fizéssemos diferente?

    Podemos sair do desastre humanitário da pandemia mais ricos como cidadãos Por Luís Roberto Barroso, do O Globo Luís Roberto Barroso (Foto: Rosinei Coutinho/STF) Uma recessão mundial parece inevitável. E ela nos colherá após anos de recessão doméstica. Não virão tempos fáceis. Parece inevitável que todos ficaremos, ao menos temporariamente, mais pobres do ponto de vista material. Porém, na vida, tudo pode servir de aprendizado. Sou convencido de que podemos sair do desastre humanitário da pandemia da Covid-19 mais ricos como cidadãos e, talvez, também espiritualmente. Para isso, procuro alinhavar uma agenda pós-crise, mas que já pode ser colocada em prática desde logo. Toda escolha dessa natureza tem alguma dose de subjetividade, mas eis a minha lista de propostas: integridade, solidariedade, igualdade, competência, educação e ciência e tecnologia. A integridade é a premissa de tudo o mais. Ela precede a ideologia e as escolhas políticas. Ser ...

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    Reflexões sobre a morte

    “filosofar é aprender a morrer” sócrates. Por Lelê Teles enviado para o Portal Geledés Lelê Teles (Arquivo Pessoal) tava aqui pensando: isolamento social, máscaras, álcool em gel, água e sabão. nunca foi tão fácil evitar a morte, não é mesmo? penso nisso observando meu vizinho a higienizar tudo à sua volta. enquanto besunta maçanetas e mobílias com doses exageradas de álcool em gel, ele fuma 20 cigarros por dia. é uma escolha, prefere morrer de enfisema que de coronga. veja essa outra imagem: um sujeito, voluntariamente isolado em casa, na ânsia de curar o tédio, tomou todas as cervejas que tinha na geladeira e depois saiu pra comprar mais, bêbado e cantando pneu. bateu com o carro num poste, na esquina de casa, e morreu na hora. tava usando uma linda máscara de flanela xadrez, bem ajustada e feita com todo cuidado pela vó zelosa. agora veja mais ...

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