sexta-feira, julho 23, 2021

Tag: artigos e reflexões

Foto: Stock/Adobe

Outra fera ferida

I A filha Uma das sensações mais intrigantes, quando uma mulher tem oportunidade de se aventurar pelo feminismo, é ver situações, descritas em livros, notícias, relatos, desenrolando-se em sua própria vida. Localizar nossas histórias pessoais dentro de uma estrutura, até então ignorada, é causa de indignação, mas também de certo desafogo. Para contextualizar, devo dizer que fui criada por minha mãe, até os dez anos, quando esta faleceu, em 1997. A convivência com meu pai, até essa idade, não era muito frequente tampouco discutida. Encontrar meu pai duas vezes no ano e não ter com ele uma relação próxima não era uma questão ou algo a se notar, mas, ao contrário, era uma realidade bem resolvida, para meus genitores. A situação chegou, para mim, pronta, como normal, e eu, criança, também parecia não me importar com isso. Escutei muitas histórias sobre a ausência de meu pai. A maioria delas me ...

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Viviana Santiago   (Foto: Prefeitura de Piracicaba/Divulgação)

No Julho das Mulheres Negras e eu pergunto: Quando vamos começar o diálogo sobre responsabilização de racistas no mercado de trabalho?

2020 ficará conhecido como aquele ano em que ficou praticamente impossível voltar atrás em discussões sobre a importância de discutir questões etnicorraciais e o mercado de trabalho Das maneiras mais variadas, empresas, corporações, artistas, todo mundo decidiu assumir publicamente uma posição sobre o assunto e o maior consenso criado se deu em torno da ideia de : Tornar-se um aliado das pessoas negras (as vezes mencionam indígenas) e ensinar e aprender sobre o racismo. Feito isso, as pessoas marcam lá um Done na sua lista de tarefinhas e seguem felizes mal cabendo em si de tanto orgulho de sua intensa contribuição para esse trabalho. Algumas dessas pessoas até fizeram mais, abriram vagas afirmativas, assumiram compromissos com a elevação da proporção das pessoas negras em seu staff e até em posições de liderança, Parece um amanhecer em Wakanda né? Sinto dizer que: Não. Enquanto mulher negra, ativista dos movimentos de mulheres ...

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Fotos: Arquivo Pessoal/ Enviado ao Portal Geledés

Resistências!

A Coletiva Negras que Movem reafirma-se no Julho das Pretas, celebrando em seu primeiro um ano de existência, as resistências das mulheres!  Entre os desafios frequentes das mulheres, pense em ti agora no espaço de trabalho.  E aí, já usaram além da informação e ação, até as suas palavras escritas ou faladas?  Nós buscamos romper a crença limitante de que a vida é relativamente sem esperança, nós acreditamos no presente e futuro melhor, incluindo-se nas relações de trabalho e nas relações de gênero. Então resistimos, nos expressando e reconhecendo a importância do que construímos e do que somos. Precisamos superar traumas diversos entre eles, os financeiros e sociais que nos impactam tanto, e que vem se ampliado nessa pandemia, pois em período de escassez, privações, incertezas, muita insegurança alimentar, desempregos e ataques aos direitos, sabemos que em razão da nossa cor, gênero e classe, e por estarmos no campo ou ...

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Maria Felipa comandou mulheres que conseguiram
expulsar tropas portuguesas da Ilha de Itaparica
(Imagem: Filomena Modesto Orge/Arquivo Público
do Estado da Bahia)

As Marias Felipas de Hoje

Maria Felipa, mulher Preta, marisqueira, que liderou um grupo de mulheres e índios na batalha contra os portugueses em 1823, chegando atear fogo em cerca de 40 embarcações que estavam atracadas nas proximidades da ilha de Itaparica.´ De acordo com Eny Kleyde Farias, pesquisadora e autora do livro “Maria Felipa de Oliveira: heroína da independência da Bahia”, lançado em 2010, “ As mulheres seduziam os portugueses, levavam pra uma praia, faziam com que eles bebessem, os despiam e davam uma surra de cansanção”. Para quem nunca ouviu falar de cansanção, é uma planta, tradicional aqui da região, também conhecida como urtiga brava, que em contato com a pele, coça, arde. É muito comum aqui na Bahia, falarmos: “vou te dar uma surra de cansanção”. Na educação básica conheci o nome e um pouco da história de Joana Angélica e Maria Quitéria, inclusive aqui na Bahia, temos rua e monumento em ...

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Foto: Stock/Adobe

Quanto vale a dor de uma pessoa preta?

Como é de conhecimento de todos, o Brasil ostentou o regime escravocrata por 300 anos. Após a Lei Áurea a liberdade não alcançou a população negra, vez que o estado recorreu à legislação, especialmente os Códigos Penais, para segregar os negros. Então, a senzala foi proibida, mas as cadeias, instituto disciplinar e manicômios estavam de portas abertas para receber e excluir esse público. Após anos de lutas buscando a igualdade, batalha que não se encerrou com a promulgação da Constituição Federal, a população negra continua sendo excluída do desenvolvimento social, e sofrendo com o racismo. Para manutenção da resistência, em um estado dito democrático, o judiciário é, ou deveria ser, a ferramenta aliada para buscar a igualdade preconizada na Carta Magna. Contudo, em que pese a população negra resiste e busque equiparação histórica, o judiciário também resiste e nos nega proteção dos direitos fundamentais. Sentenças por condutas discriminatórias, racistas, ainda ...

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Jaqueline Fraga (Foto: Guga Renato)

Precisamos falar sobre as personagens negras em “Salve-se quem puder”

Vira e mexe eu costumo escrever ou comentar sobre produções midiáticas, especialmente aquelas que têm o poder de alcançar milhares de pessoas. É o caso de novelas globais, por exemplo. E é justamente sobre uma delas que falarei aqui hoje. Nos próximos dias vai ao ar o último capítulo da atual trama das 19h: “Salve-se quem puder”, folhetim que conta com três atrizes como protagonistas. O enredo é de certa medida leve, com toques de humor, o padrão para o horário. No entanto, há um outro padrão que também se repete, quando, na verdade, já não deveria mais ocorrer. Em um momento em que clamamos por representatividade, e por representatividade com significado e relevância, infelizmente não é isso que percebemos na novela em questão. Como citei anteriormente, a trama é protagonizada por três mulheres, três personagens vividas exclusivamente por atrizes brancas. São elas: Alexia/Josimara (Deborah Secco), Luna/Fiona (Juliana Paiva) e ...

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O que esperas de mim?

Porque uma Mulher Negra, periférica de luta e na luta tem que ser questionada a todo momento com um bombardeio de perguntas duvidosas: Você criou esse texto? Você copiou? De onde tirou essa ideia? Você se apropriou de algo alheio? Nossa que lindo, você que produziu? Como conseguiu? Como todo mito, mulheres Negras figuram um desenhar de subjetividade ligado apenas a domésticas, dançarinas, serventes, faxineiras, babás, prostitutas, mulatas, vendedoras, não desqualificando nenhuma dessas magnificas identidades, mas repensando como se dá o transpor desses imaginários.  Querer ser/viver a função de poetisa, escritora e pesquisadoras nos mostrar que romper essa lógica dói/machuca/silencia. Uma violência simbólica, contida na estrutura da sociedade ou apenas mimimi, vitimismo?  Sim, nossa escrita é contaminada por diversas narrativas que se esparramam e se misturam na trajetória de nossas vidas, nossas/suas escrevivências. Seria isso plágio?  Queria conseguir compor em versos, o que esperam de mulheres Negras, pesquisadoras, trabalhadoras, mães, ...

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Tem mulher na roda! Gênero e capoeira

Introdução Vivemos em um país onde a violência contra a mulher é naturalizada. Culpá-la pela própria violência, como ocorre em muitos casos, é uma estratégia do patriarcado que encobre e dificulta a identificação do agressor. Em relação especificamente ao universo atual da capoeira do Brasil, um dos principais problemas é o assédio sexual, tanto dentro como fora das rodas.  Mulheres capoeiras do passado Ainda que tolerada durante a Monarquia, a partir da publicação do Código Penal de 1890, já na República, a prática da capoeira torna-se um crime. São bastante raros os processos criminais arrolados contra mulheres capoeiras. Pires (2004) busca traçar uma história social da capoeira baiana entre 1890 e 1930. Ainda que exista uma reduzida presença de mulheres (3%) entre os processados por homicídio e lesões corporais, o autor cita um processo relativo à lavadeira baiana, Maria Elisa do Espírito Santo, a qual, em 1910, estava em seu ...

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A escritora brasileira Carolina Maria de Jesus durante noite de autógrafos do lançamento de seu livro "Quarto de Despejo", em uma livraria na rua Marconi, em São Paulo (SP). (São Paulo (SP), 09.09.1960. (Foto: Acervo UH/Folhapress)

Carta para Carolina Maria de Jesus – Por Aline Botelho

Rio de Janeiro-2021. Essa carta é direcionada para uma Feminista que catava lixos, aproveitava restos de palavras e produzia reflexões inspiradoras e desafiadoras, que retratava a escrita do cotidiano do favelado. Carolina Maria de Jesus, escrevo a ti para tentar de alguma forma compreender o seu ponto de vista em relação a um questionamento que me inquieta e insiste em martelar na minha cabeça.  Antes de iniciar preciso te posicionar a respeito de como está o nosso Brasil. Tivemos alguns avanços na questão educacional. Eu mesma consegui obter o diploma de graduação em uma Universidade Pública, através de um Programa chamado Plano Nacional de Formação de Professores- licenciatura de Pedagogia, esta plataforma carregava o nome do nosso centenário querido Paulo Freire. Com a formação acadêmica, pude passar em alguns concursos públicos e viajei de avião. Sim, durante algum tempo a qualidade de vida do povo brasileiro melhorou.  Ter alimento na ...

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Foto: Stock/Adobe

Os negros e os LGBT

Mais um mês do Orgulho LGBT+ está terminando no país que mais mata LGBTs no mundo e que elegeu um LGBTfóbico assumido para a ocupar a presidência da república. Muito se diz que datas como essas são criadas para fazer lembrar e refletir. Refletir sobre a violência perpetrada contra LGBTs e lembrar daqueles que vieram antes dessa geração, que suaram, lutaram e morreram para que tivessem melhores condições de vida, e para que seus direitos (e existências) fossem reconhecidos. Apesar de a comunidade negra ter sido forjada em muita luta contra o preconceito e contra a violência - que ceifa inúmeras vidas negras diariamente -, parte dos negros que se autoproclamam conscientes sobre questões de raça ainda destila LGBTfobia, demonstrando irritação quando são levantadas as existências de LGBTs negros, ou ainda, quando são pedidos tolerância e respeito para eles dentro de espaços voltados às pessoas negras e debates raciais. Meu ...

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Januário Garcia/ Foto: Junior Esteves

Para Januário

Januário ousou dar luz àquilo que o Brasil nunca quis enxergar.Ousou registrar a beleza da pele preta,A beleza da periferia, a beleza da diferença.Ousou mostrar a dor de sorrisosE o brilho da escuridão.Janu capturou o movimento por lentesParalisou em segundos as expressões que alimentam nossas lutasJanuário é potência que atravessou décadasE eternizou a trajetória de um povoque ainda luta por seu lugar ao sol. Agora, Janu é Sol, juntou-se ao seu brilhoPartilha no Orum a luz que trouxe pra Terra.Seus registros são sementes, flores, jardins inteiros.Sua memória e legado são adubo pro nosso futuro.Gratidão por seu olhar eternizado nas imagens que ficam. Janu, o Orum te recebe e se ilumina, Axé babá ** ESTE ARTIGO É DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELEDÉS E NÃO REPRESENTA IDEIAS OU OPINIÕES DO VEÍCULO. PORTAL GELEDÉS OFERECE ESPAÇO PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA PÚBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA ...

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As mortes de ontem e hoje

Não escrevo esperando ser compreendido na plenitude do que expresso. Escrevo como alguém atravessado pela dor, mas ao mesmo tempo consciente que as memórias devem animar compromissos com o hoje e o amanhã. No debate atual brasileiro muito se tem ventilado sobre alianças e possibilidades de “reconstrução nacional”, um “pacto de democratas” que traria o Brasil ao seu bom e saudoso momento de esplendor dos períodos lulistas. Gostaria de lançar mão sobre alguns aspectos, para em seguida formular o que tenho chamado de política do marco zero.  Em uma política de frente ampla sempre não cabe alguém, e pasmem, falo de lutadores e lutadoras. Em uma política de frente ampla, se privilegiam elites, elites regionais e locais. Eu não sei quanto a vocês, mas no Maranhão se vive assombrado com esta constante possibilidade, repetida tantas vezes que já é parte do jogo. Elites locais e regionais são constantemente rearranjadas por ...

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Marina Ribeiro Lopes (Foto: Arquivo pessoal)

Pandemia ladeira abaixo – A gente sempre tem que morrer?

No início da pandemia, fomos chamados para uma ocorrência em uma área bem pobre da cidade, acho que foi acidente de moto. Descia uma ladeirona. No bem-lá-embaixo dela, uma multidão de tanta gente da rua, na rua, nas calçadas: lugares que sempre foram extensão de suas minúsculas casas, que se tornam menor a cada criança que chega.  Era fim de semana. Mesmo em uma cena de acidente-não-grave, crianças em festa com a luzes piscantes da ambulância e do gigante caminhão do bombeiro; bêbados e bêbadas com seus altos sons, seus churrasquinhos, seu lazer de rua, que segue sendo suas casas. Gritavam com humor: “olha o corona”, gargalhavam e se divertiam. E eu pensando, alarmada com o que via, como esta gente vai sobreviver ao vírus deste jeito? Minha mente “fique-em-casa” se chocava  com tanto contato, tão pouco álcool-gel, unânime falta de máscara. Como este meu povo preto, nesta sua morada ...

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Foto: drasko/ThinkStock/

A guerra nunca foi contra às drogas, sempre foi extermínio

(Sobre)Viver no Brasil exige de nós muito esforço, sobretudo, das minorias étnicos-raciais. Nunca foi fácil ter que lidar com o racismo e com as desigualdades provenientes dessa estrutura, no entanto, sinto que desde 2016, ano em que a extrema-direita demarcava seu território e anunciava o que estava por vir, estamos protagonizando mais uma guerra que já acumula incontáveis mortes, físicas e simbólicas. Na verdade, o país está em guerra desde a invasão dos europeus.  Genocídio, ecocídio, etnocídio. O projeto colonial no Brasil segue em curso e avança rapidamente. Enquanto tentamos nos recuperar de mais uma morte dos nossos, lá estão eles articulando mais um atentado às nossas vidas.  O Estado com os seus aparatos institucionais, continua a legitimar toda violência direcionada ao povo preto. Enquanto escrevo esse texto, mais um jovem negro foi alvejado em uma troca de tiros entre a polícia e o tráfico, na chamada “guerra às drogas”, ...

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Samuel Saliba Moreira Pinto/ Arquivo Pessoal

Genocida

A cena se passa em janeiro de 2020. Surpreendentemente, a família está reunida na sala de jantar. Adão termina um copo de suco detox. Acabou de comer alguns brioches. Eva, sua esposa, está muito entretida com o celular. Os filhos são dois, um homem e uma mulher. Ela distrai-se a olhar para o shih-tzu. Ele, encostado à mesa, os pés cruzados, lê uma mensagem que recebeu pelo celular. Cai a internet da casa, o filho levanta a cabeça e pergunta: — “Hey”, que é genocida? Adão fecha os olhos imediatamente, fingindo dormir. O filho insiste: — Velho! Eva intervém: — Adão, Enzo está chamando. Não dorme depois do jantar que faz mal. Adão não tem remédio senão abrir os olhos. — Que?! — Queria que tu me “dissesse” o que é genocida. — Ora essa, rapaz! Então tu vais fazer trinta anos e não sabes ainda o que é genocida? ...

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Foto: Aditya Romansa/ Unsplash

A maternidade perigosa: uma reflexão sobre a maternidade preta

As histórias que me contaram durante a infância, sobre Maria, a mãe do menino Jesus me fizera crescer acreditando que a maternidade é um momento sagrado, mais do que isso, uma mulher é um ser sagrado. Afinal somos nós, fêmeas, que trazemos a vida para o mundo. Claro que além dessa Maria, uma outra Maria, também me fez acreditar nesse sagrado, minha mãe. Eu sou a casula, por isso nunca pude a ver carregando um beber dentro dela, mas as fotos, as histórias, tudo que ela passou para conseguir trazer a mim, as minhas irmãs e o meu irmão a esse mundo, a dor do parto - que mesmo nunca tendo passado por ela me assusta. Quando criança, a primeira mulher que vi grávida foi a minha irmã mais velha. Que da noite para o dia, deixou de ser uma menina para se tornar uma mulher. Mas, para mim não ...

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Foto: Anna Ismagilova/ Stock

Carta às mulheres para as quais a reciprocidade de amar (ainda) não rolou em meio às campanhas publicitárias direcionadas ao Dia dos Namorados.

Irmãs, do lugar da cisgeneridade e heteronormatividade falar disso é menos doloroso, acreditem, muito embora dores não possam ser medidas, ranqueadas. Para tantas outras mulheres fora desses pacotes e padrões as coisas tomam proporções gigantes. Preciso desmarcar aqui que não se trata de reificar a figura masculina muito menos de dizer que o sentido único, crucial da vida de nós mulheres é ter um homem ao lado. Temos muitos outros necessários "quereres". Muitos poderão pensar que o que tenho a dizer é endereçado às irmãs solitárias, celibatárias, as que nunca foram cortejadas, que passaram pela adolescência sem o famoso frio na barriga, sem as dúvidas entre paixões avassaladoras, que sequer sabem o sabor de um beijo na boca, como há anos ouvi de uma aluna de 19 anos de idade, preta retinta e gorda, ainda sem ter a compreensão das opressões q lhe atravessavam.  -Porque comigo nunca aconteceu,professora? Indagou-me. Não ...

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GETTY IMAGES

A importância da Educação Básica para a Promoção da Equidade Racial – Um Chamado!¹

Inicio minhas reflexões ressaltando minha admiração pelos (as) profissionais da educação básica, segmento do qual eu faço parte. Exalto o comprometimento das professoras, e o trabalho incansável nestes tempos de pandemia. Um trabalho desgastante e que tem nos exigido muito mais do que às vezes poderíamos suportar. E mesmo assim, seguimos buscando os melhores caminhos para a realização do nosso trabalho. Proponho que incorporemos o que o movimento de mulheres negras, indígenas e latino-americanas vem dizendo há muito tempo: a importância do autocuidado e a importância de nos cuidarmos coletivamente para que possamos manter nossa saúde física e mental, especialmente porque a carreira docente na educação básica é composta em sua maioria por mulheres, e sabemos que as mulheres de forma geral, e em especial as mulheres negras, reiteradamente têm acúmulo de funções, e a pandemia intensificou essa situação.  Não está fácil, por isso precisamos reservar momentos para respirarmos, para ...

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Jéssica Remédios (Foto: Arquivo pessoal)

O SUS que não se vê

Em setembro de 2020 o Sistema Único de Saúde (SUS) completou 30 anos. A Lei 8080/90, conhecida também como Lei Orgânica da Saúde definiu as diretrizes para funcionamento e organização do SUS que estão em vigor até hoje. O sistema de saúde público e universal brasileiro serve de exemplo para outros países e sistemas, e têm como princípios doutrinários a universalidade, equidade e integralidade. Seus princípios organizativos, por sua vez, são a participação popular, regionalização e hierarquização, descentralização. O princípio da equidade traz à tona as iniquidades sociais e econômicas ao reconhecer a desigualdade no acesso, na gestão e produção de serviços de saúde. Este princípio ressalta as diferenças e a importância de priorizar os grupos onde a iniquidade é maior. Entendendo que os princípios dão alicerce e representam os valores do SUS, embora prevista teoricamente a equidade está longe de ser um princípio de fato. Isto porque, no que ...

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Obra "Raízes do Céu" dos artistas paulistanos do Estúdio Bijari - (Divulgação;/Imagem retirada do site Brasil de Fato)

Tudo agora é escombro

Deram o novo nome a pandemia / De covid-19 / Mas foi em 18 / Que elegeram o 17 Nos sons do berro da dor Território de guerra declarada Farelos humanos Indecisão de amor Solidão da morte marcada Cedê los hermanos? Há morte antes do tiro Da casa Do cemitério Do coveiro Do caixão Do novo coronavírus Tudo é uma prisão Do hospital ao hospício Assombro do estágio Do novo coronavírus Colapsada democracia Assolapada emoção Deram o novo nome a pandemia De covid-19 Mas foi em 18 Que elegeram o 17 A porta do inferno foi aberta Vírus humano da destruição Estado de Direito? Exceção! Tudo agora é prisão Ela não caiu não. Faveladx Pretx Sapatão Gay Macumbeirx PCD Maconheirx Puta TTT Há morte antes do tiro Do antigo coronavírus Vem cá me dá a mão! Assustada Violada Estuprada Maltratada Com hematoma Ela não caiu não A rota crítica Conceitua ...

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