quinta-feira, dezembro 1, 2022
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África em todos os sentidos – Por Zulu Araújo

Este ano, a União Africana (UA) celebra os seus 50 anos de existência. Criada no dia 25 de maio de 1963, a UA tem buscado, ao longo dos seus 50 anos, responder ao grande desafio que ainda se faz presente na realidade africana. Como vencer a fome, a miséria, as guerras e a violenta exploração, da qual a principal vítima é o seu povo.

Por Zulu Araújo em seu Blog

Foto: Margarida Neide/ A Tarde

Durante séculos o seu principal algoz foram os colonizadores europeus que com suas máquinas de guerra, bíblias na mão e uma crueldade sem par na história da humanidade, produziram um dos processos mais bárbaros e duradouros de domínio, exploração e espoliação. Em nome da civilização ocidental, do cristianismo e todas suas matizes criadas no ocidente, estes senhores que consideravam-se civilizados, escravizaram, torturaram, assassinaram e roubaram tudo que havia de precioso, fosse material ou espiritual, no continente africano. Hoje, embora continuem presentes no continente mãe da humanidade, temos que reconhecer, que não são os únicos empenhados em perpetuar este estado de coisas. Muitos dos seus filhos, alçados à condição de dirigentes, presidentes, líderes empresariais e políticos, lamentavelmente estão dando continuidade a este verdadeiro crime de lesa humanidade em conluio com seus antigos colonizadores.

Por isto mesmo, celebrar o cinquentenário da UA, para nós que somos afrosdescendentes na diáspora, deve ser muito mais do que dar vivas efusivas ao continente africano ou chamá-los retoricamente de “nossos irmãos”. Necessitamos, mais do que nunca, estarmos atentos ao esforço que parcela significativa dos líderes, países e povos africanos vem realizando cotidianamente para alterar esta realidade, bem como a enorme solidariedade e apoio que este processo vem obtendo em vários países do mundo dentre eles o Brasil. Neste sentido, vale a pena ressaltar a proposta articulada em 2001 e ratificada em 2002, quando foi lançado o programa Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano (NEPAD), visando a redução da pobreza, a autonomia das mulheres, acabar com a marginalização do continente e promover o desenvolvimento sustentável e que hoje conta com o apoio de 52 dos 56 países africanos.

Outro aspecto importante a ser lembrado é a necessidade das lideranças, do movimento negro e das autoridades que tratam desta questão no governo brasileiro, articularem-se para transformar em realidade estas propostas. Sendo o Brasil, o país fora do continente africano, com a maior população negra do mundo, tem mais do que o dever, tem a obrigação de fazer parte desta corrente de apoio e contribição para o desenvolvimento sustentável do continene africano. Temos que entender de uma vez por todas, que o sucesso desta empreitada na África resultará inevitavelmente num gigantesco apoio a nossa agenda de combate ao racismo e promoção da igualdade racial no Brasil.

É claro que isto não ocorrerá num passo de mágica. Precisamos conhecer melhor a realidade africana, sua complexidade política, local e regional. Sua enorme diversidade étnica e cultural. Suas demandas econômicas e sociais. E, evidentemente, tratá-las com respeito, seriedade e dignidade. A bem da verdade, o Brasil, no período do governo do Presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, deu passos significativos neste rumo e por conta disto tem obtido resultados extremamente positivos, seja na sua balança comercial ou na diplomacia internacional. Vejamos por exemplo o apoio que o atual Diretor da Organização Mundial do Comércio – Roberto Azevedo, obteve do continete africano na ONU. 50 paíse africanos apoiaram sua indicação. Mais ainda, o Itamaraty, por meio da Sub Secretaria Geral para a África e Oriente Médio, tem desempenhado um papel fundamental nesta articulações e colocado a África entre as prioridades da nossa ação internacional.

Portanto, está na hora, de nós que fazemos parte da sociedade civil, darmos também nossa colaboração seja pautando nossas discussões sobre este tema, apresentando propostas de intercâmbio e troca de experiências, ou defendendo o continente africano deste processo secular de expropriação e expoliação.

Viva a África ! Viva a UA

Axé ! Toca a zabumba que a terra é nossa !

 

 

Fonte: Terra

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