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Ano de 2012 – O medo sem causa

por Sérgio Martins para o Portal Geledés

O que esperamos no ano de 2012, o fim do mundo em uma catástrofe natural ou outro evento extraordinário?

Penso que se for o fim, o que não acho que vai ocorrer, não deveríamos ficar preocupados, porque tudo neste nível energético que vivemos é transitório.Ainda que eu compartilhe da idéia de que somos fragmentos de algo que possui a própria eternidade em si, que de tempo em tempo, mergulha em uma espécie de experiência de si próprio, individualizando-se, para permitir um aprendizado sobre a multidiversidade de sua própria não-existência. Sim, não existe e jamais pode existir, somente em seus devaneios. Mais ainda, que as experiências que este não-ser se possibilita, podem ser um processo de construção de suas próprias convicções sobre uma possível existência.

Daí, afirmo que tudo existe somente na mente deste não-ser. Então, não há fim, porque se quer houve um começo, tudo é apenas uma grande experiência, uma jornada que pode terminar e logo outra começará.

O legal de ser negro, entre outras qualidades, é poder afirmar para os racistas que “somos todos um”, que sua percepção de cor, raça ou etnia não nos faz diferente, apenas nos permite viver uma experiência diversa ao longo da trajetória, deste não-ser de infinitas possibilidades. E que certamente, existem neste grande universo, outras formas inteligentes de vida que nos deixariam atônitos.

Mas como fazer descer esta visão metafísica da existência para a materialidade histórica? Este é um desafio para revisarmos nossas crenças, convicções, hábitos. De um lado estamos mergulhados em um mundo de valores mercadológicos, onde a lógica da acumulação de riqueza privilegia cerca de 20% dos habitantes do planeta em detrimento dos demais 80%. No outro viés, somos portadores de diversas crenças, que separam a experiência da vida terrena, de uma dimensão cosmológica.

Mas como afirma Spinoza, o amor de Deus é incondicional, não sendo um problema dele, se em nossos arranjos egoístas e mesquinhos não conseguimos enxergar nossa origem comum, e nos perdemos em um mar de construções mentais, se não falsas, aos menos parciais, que nos impedem de enxergar a totalidade dos eventos que cercam nossa existência neste planeta.

Assim, se for o fim da civilização que conhecemos, estava na hora de acontecer, apenas isto. Porém, não devemos esperar 2012 terminar para tomar decisões de mudanças. Podemos começar desde já a compreender que somos responsáveis pela nossa forma de vida na terra, que deveríamos ser gratos pela oportunidade de vivermos em um planeta tão belo e auspicioso conosco.

Há um dizer antigo que afirma o seguinte: Entregue tudo nas mãos de Deus, mas faça primeiro a sua parte.

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