sexta-feira, setembro 30, 2022
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Após falar sobre saúde mental, Naomi Osaka inspirou outras atletas: ‘Honrada’

Em entrevista exclusiva à Marie Claire, tenista que já foi número 1 do mundo falou sobre saúde mental, inspirações e a felicidade de abrir portas para que outras mulheres se inspirem e falem sobre saúde mental

Naomi Osaka é uma mulher de fibra. Filha de pai haitiano e mãe japonesa, uma das tenistas mais promissoras da atual geração do tênis feminino conviveu com o racismo e a negação de sua identidade desde cedo. Naomi convive com a falta de reconhecimento no Japão por ser negra em um país que considera não ter cidadãos negros. Mas, isso não a impediu de fazer história e mostrar toda a sua força.

A tenista, atualmente número 12 no ranking da WTA (Women’s Tennis Association), fez história ao tornar-se a primeira japonesa a ganhar um torneio Grand Slam ao vencer o US Open em 2018. Mais do isso, Naomi Osaka tornou-se a primeira asiática a chegar ao número 1 mundial do ranking da WTA em 28 de janeiro de 2019. Mas, mais do que isso, ela é humana.

Em maio de 2021 ela abriu mão de disputar o torneio de Roland Garros, um dos mais importantes do circuito mundial, em nome de sua saúde mental. Dessa forma, a tenista acabou trazendo luz para um tema que muitas vezes é ignorado, quando pensamos que atletas de alto rendimento são máquinas e não possuem emoções, o bem-estar físico e mental dentro do esporte.

Ao anunciar sua desistência de Roland Garros, Osaka revelou sofrer crises de depressão desde o título do US Open de 2018 e também disse que o ambiente do tênis não estava sendo saudável para sua saúde mental. Ao reconhecer suas próprias fraquezas, a tenista teve uma verdadeira atitude de campeã e isso, de certa forma, pode ter sido um divisor de águas no esporte de alto rendimento.

Cerca de dois meses depois Simone Biles, que é uma das maiores ginastas de todos os tempos, desistiu de disputar as Olimpíadas de Tóquio em nome de sua saúde mental. “É muito revigorante estarmos em um lugar onde nos sentimos confortáveis ​​priorizando a saúde mental e a saúde física. Fico honrada se consegui ajudar ou inspirar alguém”, afirma em entrevista exclusiva à Marie Claire.

Apesar de um período de afastamento do esporte – Osaka já retomou as atividades e se prepara para a estreia no Australian Open no próximo domingo (16) – a tenista não culpa o esporte pelo momento de depressão que passou, ela diz que desde o início de sua carreira, sempre manteve uma relação de muito respeito com o tênis. “O tênis faz parte de quem eu sou e é o que moldou grande parte da minha vida. Acho que o esporte e a competição me tornaram a mulher forte que sou hoje”.

Para Naomi Osaka, Billie Jean King sempre se destaca como alguém que abriu o caminho (Foto: Divulgação)

Ao abrir o jogo e falar abertamente sobre sua vulnerabilidade, Naomi Osaka mostrou toda a sua força e tornou-se heroína para muitas outras. Historicamente mulheres sempre tiveram muitos de seus direitos negados, mas muitas mulheres dentro do esporte levantaram sua voz e fizeram a diferença na luta por esses direitos em todo o mundo.

Além de nomes como Osaka e Biles, Megan RapinoeSerena WilliamsCrissy Perham e Sue Bird não se esconderam atrás da fama e usaram sua voz e seu lugar de destaque para lutarem por direitos. Mas, para a tenista japonesa, a inspiração veio de uma atleta do mesmo esporte. “Billie Jean King sempre se destaca como alguém que abriu o caminho para muitas de nós atletas”, revelou.

Billie Jean King é uma ex-tenista norte-americana que viveu seu auge nos anos 70 e é considerada uma das maiores de todos os tempos, tendo vencido 12 Grand Slams. Hoje King é considerada o maior símbolo da luta contra o sexismo no esporte e continua em plena atividade como advogada e ativista pelos direitos humanos, atuando especialmente no campo dos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQPIA+.

No bate-papo com Marie Claire, Osaka também falou sobre o caso da tenista chinesa Shuai Peng, que foi dada como desaparecida após ter afirmado em suas redes sociais ter sofrido abuso sexual de um famoso político chinês Entretanto, sua postagem dizendo que o ex-vice-premiê chinês Zhang Gaoli a forçou a fazer sexo foi apagada cerca de 30 minutos depois de postada e a tenista ficou cerca de duas semanas sem ser vista publicamente.

Diante da falta de respostas sobre seu paradeiro e bem-estar, a WTA chegou a suspender torneios que estavam previstos para acontecer na China. Na época, Osaka se posicionou contra a censura e se disse em choque com a situação vivida por Peng. Agora, ela elogiou a atitude tomada pela WTA. “Esta é uma grande preocupação (segurança das atletas) e estou muito orgulhosa da forma como a WTA agiu. Só espero que ela (Peng) esteja bem”.

Além do tênis, Naomi Osaka também falou com Marie Claire sobre sua paixão por moda e design e, recentemente, ela também teve a oportunidade de explorar esse seu outro lado. Sendo uma das embaixadoras da TAG Heuer, ela teve a oportunidade de assinar o relógio Aquaracer, lançado nesta quinta-feira (13) nos Estados Unidos, no Japão e na Austrália. Em edição limitada, a série contará com 250 peças numeradas. A tenista, que participou de todo o processo de desenvolvimento do relógio, destacou que se sente honrada pela oportunidade de representar a marca.

“É muito significativo porque a história da marca se alinha com minhas próprias crenças pessoais. Gostei muito de usar meu amor por moda e design para representar a ousadia, a singularidade, o destaque e o ser forte”, finaliza.

Naomi Osaka queria que o modelo TAG Heuer que leva seu nome tivesse tons de verde no mostrador e na pulseira (Foto: Divulgação)

O Aquaracer Professional 300 Naomi Osaka Limited Edition é o resultado da estreita colaboração entre esportistas japonesas e a marca de luxo Suíça, de quem Naomi se tornou embaixadora em janeiro de 2021. Para essa edição especial, Naomi Osaka queria que o modelo TAG Heuer que leva seu nome tivesse tons de verde no mostrador e na pulseira. O verde não só representa uma lembrança do tênis como também traz de volta o amor de Osaka pela natureza.

Assim, o fundo do mostrador tem uma cor verde pálida distinta, formando um padrão de onda, enquanto os detalhes dos marcadores de cinco minutos possuem um tom diferente de verde com uma sutil referência à cor das bolas de tênis. Os marcadores de horas octogonais são feitos de diamantes.

A peça vem com duas pulseiras: uma de borracha e outra feita com redes de pesca. Totalmente reciclada, ela reflete o comprometimento da atleta com o meio ambiente. 

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