domingo, novembro 27, 2022
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As mensagens enviadas pela campanha de uma ONG para localizar racistas. Por Cidinha da Silva

campanha “Racismo virtual, as consequências são reais”, da ONG de mulheres negras Criola, do Rio de Janeiro, emite algumas mensagens importantes para a sociedade brasileira.

Por Cidinha da Silva Do DCM

Trata-se de uma ação aparentemente simples que começou pela identificação de comentários racistas postados no Facebook, dirigidos à jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo. Prosseguiu com a localização georreferencial das postagens por meio da ferramenta GeoTag e finalizou com a instalação de outdoors nas regiões de origem dos comentários.

Eis a primeira mensagem: se uma ONG consegue localizar pessoas ou grupos racistas em distintos lugares no Brasil, por que a polícia por meio de seu sistema complexo e inteligente de rastreamento não conseguiria?

Outra mensagem demarca o lugar da sociedade civil organizada que, a partir dos anos 1990, vem mostrando aos governos como se faz e ocupa vazios deixados pelo Estado, no que tange a políticas públicas diversas de Direitos Humanos.

A terceira é que os métodos de enfrentamento do racismo precisam ser consonantes com o século XXI e suas tecnologias. Ainda mais no Brasil, país no qual a consciência sobre a vigência do racismo, seu modus operandi e danos decorrentes ainda se restringe às pessoas alvejadas por ele. A internet atinge milhões de pessoas, potencializa agressões, mas é vocacionada, igualmente, para espalhar sementes educativas.

Veja-se o exemplo do projeto PLP 2.0 (Promotoras Legais Populares) das ONGs Geledés – Instituto da Mulher Negra (SP) e Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero (RS), vencedoras de concurso promovido pelo Google. As duas instituições estão desenvolvendo um aplicativo para apoiar mulheres vítimas de violência doméstica. O programa aciona diretamente as redes de atendimento (delegacias, Defensoria Pública, etc), grava áudio e vídeo pelo celular, constituindo assim, a prova do crime e agilizando a resposta às mulheres agredidas.

Embora saiba-se que o racismo é um comportamento socialmente discriminável, com o qual ninguém, além dos racistas declarados, quer se identificar, a quarta mensagem aponta a necessidade de criar uma opinião pública favorável, com características de massa, para combatê-lo de maneira mais eficaz.

Para deflagrar processos educativos em casa, na família, na escola e em outros meios de interação social, além da superficial e protocolar recriminação a atos racistas. Também para impulsionar o aperfeiçoamento de instrumentos legais de tipificação e punição ao crime.

Por fim, as mulheres negras definitivamente entraram na pauta como sujeitos políticos ativos e plenos de direitos. E sua atuação não tem deixado pedra sobre pedra, nem espaço para que os racistas manipulem suas máquinas digitais debaixo da cama. As coisas estão mudando e serão forçadas a mudar mais.

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