Ativista dos direitos civis nos EUA é acusada de fingir ser afro-americana

Uma ativista dos direitos civis americana, que dirige um ramo de uma organização contra a discriminação, foi acusada de se fazer passar por afro-americana, apesar de ser branca. A acusação é dos pais biológicos de Rachel Dolezal, que se identificam como brancos, com antepassados de origem alemã e tcheca, enquanto a filha se identifica como sendo de origem afro-americana, caucasiana e nativo-americana. A notícia repercutiu intensamente na mídia dos EUA nesta sexta-feira (12).

Do UOL

Rachel Dolezal é presidente da filial de Spokane –no Estado americano de Washington– da associação NAACP, uma organização ligada aos direitos das minorias étnicas dos Estados Unidos. Seus pais biológicos contaram à televisão local que, embora Dolezal se identifique publicamente como afro-americana, a ativista de 37 anos é de ascendência caucasiana.

“A Rachel quer ser alguém que não é. Escolheu não ser ela própria, mas representar-se como uma mulher afro-americana ou uma pessoa birracial, e isso simplesmente não é verdade”, disse a mãe de Dolezal, Ruthanne Dolezal, ao canal KREM 2 News. Os pais disponibilizaram ao canal de televisão, e também ao jornal “The Spokesman Review”, fotografias de Dolezal quando era criança e no seu casamento com cabelo louro e a pele mais clara do que se apresenta hoje, assim como uma certidão de nascimento que comprova que são os pais biológicos da ativista.

Rachel Dolezal, quando era criança, em foto divulgada por sua mãe, e atualmente
Rachel Dolezal, quando era criança, em foto divulgada por sua mãe, e atualmente

Ao mesmo canal de televisão, Rachel Dolezal defendeu que não considera os seus pais biológicos os seus pais verdadeiros, e que não está em contato com eles por causa de um problema legal na família. No entanto, admitiu que a questão era “complexa” e que teria que abordar o tema com a comunidade que representa, em Spokane. Dolezal é uma figura frequentemente consultada pela mídia local acerca de temas relacionados com a discriminação.

A NAACP, historicamente um dos grupos mais proeminentes no apoio a causas importantes para a comunidade afro-americana, disse nesta sexta-feira que Dolezal tem “enfrentado uma questão jurídica com a sua família” e que “nós respeitamos a sua privacidade neste assunto. Uma identidade racial não é um critério de qualificação ou desqualificação padrão para ser uma liderança da NAACP”, disse o grupo em um comunicado.

Depois que as alegações de falsificação de identidade racial vieram à tona, o prefeito David Condon e presidente do Conselho da Cidade, Ben Stuckart, disseram que vão levar “muito a sério as preocupações levantadas”. A prefeitura também vai verificar se ela violou alguma lei.

De acordo com o casal Dolezal, Rachel começou a “mascarar-se” após se ter divorciado do marido, em 2004. A controvérsia em volta da identidade racial de Dolezal começou no princípio deste ano, quando uma fotografia a mostrava com um homem afro-americano e ela o identificava como o seu pai.

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